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Livros de Cabeceira e outras histórias

Ler é uma fonte de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Ler é uma fonte de felicidade!

03
Dez16

Carlos Ruiz Zafón e os livros esquecidos

Charneca em flor

Eu sou um bocado do contra no que diz respeito à "última moda" da literatura. Gosto de ler os livros quando já ninguém se lembra deles (os verdadeiros livros esquecidos). Agora toda a gente fala deste

"O labirinto dos espíritos" é a aguardada conclusão da série de quatro livros, O cemitério dos livros esquecidos, de Carlos Ruiz Zafón. Eu li o primeiro, "A sombra do vento", e adorei. Uma história apaixonante para quem gosta de livros. Agora que todos os fãs procuram este último, eu fui à biblioteca e encontrei este

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Embora os livros se possam ler em separado porque não têm uma ligação directa, eu prefiro ler pela ordem em que foram publicados. No entanto,embora "O jogo do Anjo" tenha sido o segundo a sair, a história situa-se num tempo anterior ao d' "A sombra do vento". A companhia ideal para este fim-de-semana de chuva.

 

29
Nov16

Doodle literário

Charneca em flor

Durante todo o dia estive curiosa para ver o que significava a imagem do Google

louisa-may-alcotts-184th-birthday-5111070415912960

 

Pura distração, estava-se mesmo a ver.

Hoje, dia 29 de Novembro, é o aniversário do nascimento da escritora Louise May Alcott, autora do inesquecível As Mulherzinhas. Este romance foi um dos meus preferidos na adolescência. Um romance onde se valoriza a amizade e o amor bem como os valores morais e familiares. Tudo coisas fora de moda, infelizmente.

20
Nov16

Mar português

Charneca em flor

20161119_154136

Praia d' El Rei, ontem

 

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

                    Fernando Pessoa, in Mensagem

Este conhecido poema espelha bem a alma dos portugueses. A nossa ligação ao mar, a nossa capacidade de arriscar, de partir rumo ao desconhecido. Foi assim nos idos de 1500 e continua a ser hoje. Uns partem por necessidade, outros partem pela aventura. E há portugueses espalhados por todos os recantos do mundo. Com eles levaram um dos maiores tesouros do mundo, a língua portuguesa. Pelos últimos estudos, o português é a quarta língua mais falada pelo mundo já que é falada por mais de 250 milhões de pessoas. É obra.

Eu não penso partir para longe mas também sinto esta ligação ao mar. Olhar esta imensidão faz-me sentir minúscula. E a relativizar as miudezas do dia-a-dia. Olhar este vai e vem das ondas funciona como um tranquilizante (embora ontem o mar até estivesse bem agitado). 

É este, o mar português.

13
Out16

And the Nobel goes to.... Bob Dylan!!!???

Charneca em flor

Este ano, a atribuíção do Prémio Nobel da Literatura parecia um enredo de suspense. Normalmente, o laureado é anunciado na mesma altura que os laureados nas outras categorias e sempre antes do Prémio Nobel da Paz. Desta vez o comité do Prémio Nobel da Literatura não estava a chegar a um concenso, segundo se consta. Daí o anúncio ter adiado para hoje. Por acaso estava a ouvir a TSF no momento do anúncio e fiquei muito surpreendida com a atribuíção ao músico americano Bob Dylan. Nunca tinha acontecido a atribuição a um homem da palavra cantada. Para mim, a poesia que se faz para ser cantada é tão importante como a poesia dos livros. A música é a maneira de tornar a poesia acessível a todos.

A  secretária-geral da Real Academia Sueca, Sara Danius, justificou a atribuíção a Dylan "por ter criado novas expressões poéticas na tradição da canção americana". Pelo menos este ano o laureado é conhecido em todo o mundo ao contrário de anos anteriores. Quantas vezes o Nobel vai para autores obscuros desconhecidos até para o mais literato?

Agora é só apreciar

 

 

Like a rolling stone

 

Once upon a time you dressed so fine

Threw the bums a dime in your prime, didn't you?

People call say 'beware doll, you're bound to fall'

You thought they were all kidding you

You used to laugh about

Everybody that was hanging out

Now you don't talk so loud

Now you don't seem so proud

About having to be scrounging your next meal

 

How does it feel, how does it feel?

To be without a home

Like a complete unknown, like a rolling stone

 

Ahh you've gone to the finest schools, alright Miss Lonely

But you know you only used to get juiced in it

Nobody's ever taught you how to live out on the street

And now you're gonna have to get used to it

You say you never compromise

With the mystery tramp, but now you realize

He's not selling any alibis

As you stare into the vacuum of his eyes

And say do you want to make a deal?

 

How does it feel, how does it feel?

To be on your own, with no direction home

A complete unknown, like a rolling stone

 

Ah you never turned around to see the frowns

On the jugglers and the clowns when they all did tricks for you

You never understood that it ain't no good

You shouldn't let other people get your kicks for you

You used to ride on a chrome horse with your diplomat

Who carried on his shoulder a Siamese cat

Ain't it hard when you discovered that

He really wasn't where it's at

After he took from you everything he could steal

 

How does it feel, how does it feel?

To have on your own, with no direction home

Like a complete unknown, like a rolling stone

Ahh princess on a steeple and all the pretty people

They're all drinking, thinking that they've got it made

Exchanging all precious gifts

But you better take your diamond ring, you better pawn it babe

You used to be so amused

At Napoleon in rags and the language that he used

Go to him he calls you, you can't refuse

When you ain't got nothing, you got nothing to lose

You're invisible now, you've got no secrets to conceal

 

How does it feel, ah how does it feel?

To be on your own, with no direction home

Like a complete unknown, like a rolling stone

 

 

09
Out16

Livros "Guilty Pleasures"

Charneca em flor

Nos últimos meses, quando já andava a preparar a viagem de Verão, arranjei um vício. Ler policiais nórdicos em formato ebook e de forma compulsiva. Assim descobri Camilla Lackberg

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 Estes foram alguns dos ebooks que li

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Como já li todos os livros desta escritora sueca, tive que descobrir outros exemplos dos policiais nórdicos. Assim passei para o norueguês, Jo Nesbø

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Deste ainda só li estes dois

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Não serão grandes obras de literatura mas cumprem muito bem uma das funções dos livros, divertem. E muitas vezes é só isso que é preciso.

 

O gosto pelos policias já vem do tempo do Stieg Larsson, autor da trilogia Millennium. Até o desaparecimento do autor está envolvido em mistério.

27
Set16

"História do Novo Nome", Elena Ferrante

Charneca em flor

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Como dizia aqui assim que cheguei à última página de "A amiga genial" fiquei cheia de saudades das brilhantes personagens de Elena Ferrante. Não descansei enquanto não comprei os outros volumes da série. Resisti a lê-los compulsivamente porque aquilo que Elena Ferrante escreve deve ser saboreado com calma. Quando fiz a minha viagem à Escandinávia até deixei Lila e Lenú por cá por isso só agora é que acabei este segundo volume. Ler Elena Ferrante é desligar-me de tudo. Debruço-me sobre esta história e caio lá para dentro. Transporto-me para Nápoles, para a Amalfi, para Ischia (uma ilha onde os napolitanos costumam passar férias) e para Pisa e não ouço nada do que se passa à minha volta. Agora Ferrante aborda a fase da adolescência destas 2 amigas. A vida de ambas evolui de maneira muito diferente. Enquanto Lila permanece ligada ao bairro, Lenú vai-se afastando conforme vai avançando nos estudos. Os acontecimentos da vida de ambas acabam por afastá-las de modo quase irreversível mas os laços que as unem nunca se chegam a desfazer por completo. 

Este volume começa onde acaba o anterior, numa festa de casamento. A maneira desastrosa como acaba esta festa condiciona a relação entre os recém-casados. E daí se parte para uma viagem vertiginosa pelas sentimentos de todas as personagens.

 

"Na primavera de 1966, Lila, num estado de grande agitação, confiou-me uma caixa de metal que continha oito cadernos. Disse que não podia continuar a tê-los em casa, receava que o marido os lesse. Levei a caixa comigo sem fazer comentários , à parte algumas piadas irónicas à grande quantidade de cordel que lhe amarrara em volta. Naquela fase as nossas relações eram péssimas, mas parecia que só eu as considerava como tal. Ela, as poucas vezes que nos víamos, não manifestava qualquer embaraço, era afectuosa, nunca deixou escapar uma palavra hostil.

Qaundo me pediu que jurasse que nunca abriria a caixa por motivo nenhum, jurei. Mas assim que entrei no comboio desatei o cordel, tirei os cadernos para fora, comecei a ler. "

04
Set16

Parabéns, JLP

Charneca em flor

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Hoje é o dia de aniversário de um dos escritores mais brilhantes da sua geração e o meu preferido. Já li quase tudo o que José Luís Peixoto escreveu e não perco as suas crónicas nas várias publicações em que participa. Quando ando de avião pela TAP e pego na revista UP vou logo à procura da crónica dele. Adoro aquilo que ele faz com as palavras desta nossa pátria que é a Língua Portuguesa. Por isso não podia deixar de assinalar os seus 42 anos. Muitos parabéns e que continue a encontrar sempre bons motivos para escrever e histórias para contar. 

 

o tempo subitamente solto

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,

como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,

mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.

eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,

que eu amava quando imaginava que amava.

era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida.

era o teu rosto. era a tua pele. antes de te conhecer,

existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.

muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

 

30
Mai16

"A Amiga Genial" de Elena Ferrante

Charneca em flor

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Este fim-de-semana terminei este "A Amiga Genial". E fiquei tal e qual como diz no fim da sinopse da contra-capa: "A Amiga Genial tem o andamento de uma grande narrativa popular, densa, veloz e desconcertante, ligeira e profunda, mostrando os conflitos familiares e amorosos numa sucessão de episódios que os leitores desejariam que nunca acabasse.". Fechei o livro e encerrei as personagens lá dentro sem saber o que lhes vai acontecer (pelo menos até comprar o livro que se segue a este que felizmente a autora teve a boa ideia de escrever). Este livro entra, sem sombra de dúvida, para os livros da minha vida. Elena Ferrante transportou-me para aquelas ruas do bairro de Lila e Lenú. Fez-me sentir na pele de Lenú com quem partilho muitos dos sentimentos que povoaram a minha infância e adolescência. Elena Ferrante merece todo o prestígio e fama que tem. Entendo um pouco da sua relutância em aparecer. Os livros falam por si, não são precisos mais artifícios. 

"A Amiga Genial" inicia uma série de 4 livros da autora italiana. E como tudo começa na infância, é também por aí que começa esta tetralogia. Nas primeiras páginas, uma Lenú já idosa sabe que a sua amiga Lila desaparecera de casa sem deixar rasto. Para contrariar essa vontade de desaparecer da amiga, Lenú recua 60 anos para nos descrever como se conheceram num bairro pobre dos arredores de Nápoles, como se tornaram amigas inseparáveis, como cresceram. À volta delas, desenrolam-se acontecimentos típicos da Nápoles dos anos 40/50 do século XX. A primeira parte do livro apresenta-nos o nascer da amizade entre as 2 crianças e a sua interacção com a escola. Lila é, naturalmente, brilhante, é atrevida, corajosa mas fisicamente desajeitada. Lenú tem que se esforçar mais para obter os mesmos resultados escolares, é tímida mas bonita. São como as 2 faces da mesma moeda. Completam-se. Com a adolescência, as suas vidas tomam caminhos diferentes e elas parecem afastar-se, psicologicamente sobretudo. No entanto, Lenú e Lila nunca se afastam completamente. Aquilo que parece separá-las, une-as irremediavelmente.

 

Uma excelente história, muito bem escrita por uma autora muito talentosa. Recomendo.

 

"Começara a estudar grego ainda antes de eu ir para a escola secundária? Fizera-o sozinha, quando eu ainda nem pensava em tal coisa, e no Verão, que era tempo de férias? Fazia sempre as coisas que eu havia de fazer, primeiro e melhor do que eu? Fugia de mim quando eu a seguia, mas entretanto ia na minha peugada para me passar à frente?

Tentei não me encontrar com ela por uns tempos, fiquei zangada.

(...)

Talvez eu devesse apagar Lila de mim como se fosse um desenho no quadro, pensei, e foi, creio, a primeira vez. Sentia-me frágil, exposta a tudo, não podia passar o meu tempo a segui-la ou a descobrir que ela me seguia, e de uma maneira ou de outra sentir-me diminuída. Mas não consegui, fui logo procurá-la."

 

05
Mai16

A amiga genial e misteriosa

Charneca em flor

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Finalmente este livro veio morar cá para casa. Já o tinha pensado comprar e também o tinha procurado no catálogo online da biblioteca da cidade onde trabalho. Os exemplares da biblioteca estavam todos emprestados. Hoje aproveitei o feriado municipal para fazer umas compras e est' A amiga genial saltou-me para as mãos. A curiosidade por este livro tem origem em vários factores. Em primeiro lugar, tenho lido críticas muito boas sobre a Elena Ferrante. Em segundo lugar a história passa-se em Itália, o meu país preferido (depois de Portugal) e onde já fui várias vezes. Em terceiro lugar, é impossível ficar indiferente a todo o mistério que envolve a figura de Elena Ferrante. A autora nunca aparece, não dá entrevistas e muito menos vai a sessões de autografos. Nem sequer vai às apresentações dos seus próprios livros. Ninguém sabe qual é o seu verdadeiro nome. Já comecei a ler mas ainda é muito cedo para expressar uma opinião.Ficará para depois.

10
Abr16

Rei "Morto", Rei Posto

Charneca em flor

Segundo o site da Presidência da República, já há novo Ministro da Cultura. Será Luís Filipe Castro Mendes, atual Representante de Portugal junto do Conselho da Europa em Estrasburgo. Luís Filipe Castro Mendes é um ilustre desconhecido para o comum dos mortais. Imagino que seja conhecido pelas cabeças pensantes da cultura de que eu falava neste post. Segundo esta notícia do Económico, Luís Filipe Castro Mendes, para além de diplomata, é poeta e ficcionista. Por aquilo que descobri na Wikipédia, se calhar sou eu é que sou distraída. O novo Ministro da Cultura tem muitas obras publicadas tendo até já ganho alguns prémios literários. É natural de Idanha-a-Nova onde nasceu há 66 anos. António Costa mudou de estratégia com esta nomeação. Com João Soares, o PM procurou ter alguém no Governo que representasse a facção do PS que lhe era contrária, uma vez que João Soares era partidário de António José Seguro e alguém com um grande capital político porque estave ligado ao partido desde sempre. Agora foi buscar alguém que pouca gente conhece. Vamos aguardar para ver se executa um bom trabalho nesta área. Habitualmente, os ocupantes desta pasta não conseguem agradar a toda gente, são até muito pouco consensuais porque é muito díficil lidar com os humores dos artistas. Tem um ar simpático e bonacheirão. A ver vamos.

Aqui fica um dos poemas do novo Ministro da Cultura:

Sonho

Numa casa de vidro te sonhei.
Numa casa de vidro me esperavas.
Num poço ou num cristal me debrucei.
Só no teu rosto a morte me alcançava.

De quem a morte, por terror de mim?
De quem o infinito que faltava?
Numa casa de vidro vi meu fim.
Numa casa de vidro me esperavas.

Numa casa de vidro as persianas
desciam lentamente e em seu lugar
a noite abria o escuro das entranhas
e o teu rosto morria devagar.

Numa casa de vidro te sonhei.
Numa casa de vidro me esperavas.
Fiz do teu corpo sonho e não olhei
nas palavras a morte que guardavas.

Descemos devagar as persianas,
deixámos que o amor nos corroesse
o íntimo da casa e as estranhas
cerimónias do dia que adoece.

Numa casa de vidro. Num espelho.
Na memória, por vezes amargura,
por vezes riso falso de tão velho,
cantar da sombra sobre a selva escura.

Numa casa de vidro te sonhei.
No vazio dessa casa me esperavas.

Luís Filipe Castro Mendes, in “Os Amantes Obscuros”

 

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