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Livros de Cabeceira e outras histórias

Ler é uma fonte de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Ler é uma fonte de felicidade!

06
Jan18

Desafio "Uma citação por semana" #1

Charneca em flor

Este blogue não tem sido muito actualizado nos últimos meses até porque tenho lido pouco. Então vou lançar a mim própria, um desafio. Pelo menos, uma vez por semana, este blogue terá uma publicação. Será "Uma citação por semana" onde destacarei uma frase/frases/passagem dos meus livros ou poemas preferidos. O dia de publicação será à segunda-feira. Excepcionalmente, e para exemplificar, vou já publicar hoje uma das minhas citações preferidas. Estas 2 frases são um dos motes da minha vida mas, infelizmente, falho tantas vezes

 "O essencial é invisível aos olhos. É preciso olhar com o coração", Antoine Saint-Exupery in O Principezinho

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01
Dez17

O Homem do Leme perdeu a luta

Charneca em flor

 

A memória mais antiga que tenho dos Xutos é uma cassete que o meu primo, 4 anos mais velho, me gravou. Não sei que idade tinha mas foi naquele tempo longínquo em que a música se ouvia em gira-discos e nas velhinhas cassetes. Devemos ao Zé Pedro e aos Xutos algumas das melhores músicas do música portuguesa. Zé Pedro é um figura incontornável do Rock Português e de quem toda a gente gostava. A vida de excessos que levou até 2001 conduziu a este desfecho, esta morte prematura apesar dos 61 anos. Porque parecia eternamente jovem. Há uns anos tive o prazer de ver um concerto dos Xutos e Pontapés na baía do Seixal integrado nas comemorações do 25 de Abril. Foi épico. Lembro-me de ficar espantada com a energia inesgotável de todos eles. Tocaram muito mais tempo do que estava previsto sempre com uma entrega total. Inesquecível. 

Zé Pedro continuará vivo nas suas músicas porque uma estrela, mesmo quando morre, continua a brilhar por muito, muito tempo.

 

Sozinho na noite

Um barco ruma para onde vai.

Uma luz no escuro brilha a direito
Ofusca as demais

 

E mais que uma onda, mais que uma maré
Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme

 

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder

 

No fundo do mar
Jazem os outros, os que lá ficaram
Em dias cinzentos
Descanso eterno lá encontraram

 

E mais que uma onda, mais que uma maré
Tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade
Vai quem já nada teme, vai o homem do leme

 

E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder

 

No fundo horizonte
Sopra o murmúrio para onde vai
No fundo do tempo
Foge o futuro, é tarde demais

 

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder

06
Out17

E o Nobel vai para... Kazuo Ishiguro

Charneca em flor

Ontem a Academia Nobel Sueca anunciou o Prémio Nobel da Literatura de 2017. Este ano voltaram a escolher um romancista, o escritor inglês, de origem japonesa, Kazuo Ishiguro. Lembro que os últimos laureados fugiram daquilo que era habitual com o cantor Bob Dylan em 2017 ou mesmo com a jornalista Svetlana Alexijevich em 2016.

Segundo a Academia, o prémio foi atribuído a Kazuo Ishiguro porque ele "em grandes romances de grande força emocional, descobriu o abismo sob nosso ilusório senso de conexão com o mundo"

Uma das obras mais conhecidas de Kazuo Ishiguro é o romance de 1989  "Os despojos do dia" o qual foi adaptado ao cinema em 1993 com as brilhantes interpretações de Anthony Hopkins e Emma Thompson. 

 

O autor é publicado em Portugal pela Editora Gradiva com os títulos "Nocturnos", " Nunca me deixes", "O gigante enterrado", o já  referido "Os despojos do dia", "Os inconsolados" e "Quando éramos  órfãos". Este autor não é muito popular em Portugal mas é bem provável que, agora, haja uma maior procura pelos títulos publicados em Portugal. Eu nunca tinha ouvido o nome embora conhecesse o filme. Só não fazia ideia de que se tratava de um argumento adaptado a partir de um romance. Talvez ele também venha a fazer parte da minha estante. Por agora ainda tenho que acabar "O caçador do Verão" de Hugo Gonçalves e a obra "A ponte sobre o Drina" de um outro Prémio Nobel que descobri  nas minhas últimas férias, Ivo Andrič.

27
Ago17

"Arquipélago" por Joel Neto

Charneca em flor

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A primeira vez que tive este livro nas mãos foi para ajudar uma colega a comprar um presente para o sobrinho. Chamou-me a atenção pela capa e pelo título. E porque falava nos Açores. Apaixonei-me por essas ilhas misteriosas há uns anos quando lá passei uma semana inesquecível. Não sabia quem era Joel Neto. A sinopse interessou-me e aconselhei a colega a comprá-lo. Nunca mais pensei nele. Um dia, saltou para as mãos "A vida no campo" que li com avidez. Nunca mais deixei de seguir as crónicas de Joel Neto. Aí lembrei-me deste "Arquipélago". Já há uns tempos que ele descansa na minha estante. Tenho lido pouco e devagar. Este Verão fui buscá-lo para me acompanhar nas idas à praia. Uma excelente companhia. A história é cativante e as personagens são deliciosas. Adorei os diálogos em que o autor recorreu, muitas vezes, à maneira de falar típica da região.

Joel Neto, para além de nos levar a viajar pelos mistérios da ilha Terceira, leva-nos a viajar pela geografia da ilha. E eu, que nunca fui à Terceira (conheço São Miguel, Flores e Corvo), sinto que já a conheço. Obrigada, Joel Neto, por me ter apresentado a Ilha Terceira, uma autêntica ilha de bruma, e por ter levado a sonhar com lendas e mistérios

Aguardo ansiosamente o seu novo romance, prometido para 2018

 

"O táxi seccionou a ilha pelo coração, escalando as montanhas e percorrendo a extensa recta que cruzava o planalto central. Passou entre pastos rodeados de muros de pedra-sobre-pedra e vacas pensativas, com os dorsos, as cabeças e os rabos malhados de branco e de negro, como num postal ilustrado.

Depois desceu novamente em direcção ao oceano. Chovia de forma copiosa, e isso ofereceu-lhe uma inesperada sensação de bem-estar.

Olhou as montanhas à direita e à esquerda, cada uma delas tentando perfurar a neblina à sua própria maneira, e depois virou-se na direcção do mar, encapelado e metálico. Sentiu que dialogavam uns com os outros, como em conversações de paz que estivessem a correr mal, e também isso o animou. Cheirava a enxofre e a poejo, se bem conseguia identificá-lo - e cheirava também  a eucaliptos, e a gasolina, e a marisco, e a solidão."

01
Ago17

Cadavre Exquis entre a aldeia e a cidade

Charneca em flor

Desde que me lembro que adoro escrever. Por isso não perco uma oportunidade de participar em exercícios que impliquem escrever. Daí participar numa revista local escrevendo sobre temas farmacêuticos. Esta paixão levou-me a aderir a este desafio chamado Cadavre Exquis que a Macaca lançou no blogue A Rapariga na Aldeia. Consistia em várias pessoas irem escrevendo uma história mas sem saberem o que a pessoa anterior tinha escrito. Só sabíamos a última frase do texto anterior e tínhamos que escrever a continuação. Ficou espetacular. Vão  espreitar.

17
Jun17

A day of sun by Alexander Search

Charneca em flor

 

Alexander Search é uma banda de língua inglesa que cresceu na África do Sul, mas que está radicada na Europa, mais concretamente Portugal, "paraíso à beira mar plantado" como dizia o seu maior poeta, Fernando Pessoa. A sua música mistura influências da indie-pop, música electrónica e rock. As letras foram escritas maioritariamente por Alexander Search, membro da banda que morreu tragicamente ainda jovem, mas que granjeia o respeito e admiração dos seus pares como "the greatest conquerer of the beauty of words", o maior conquistador da beleza das palavras.

Augustus Search é o compositor de serviço da banda, toca piano e sintetizadores e faz a direcção musical. Benjamin Cymbra é um cantor extraordinário e traz na sua voz a garra rock n'roll do passado e as angústias e esperanças do presente. O futuro "é a possibilidade de tudo", dizia também Pessoa.

Sgt. William Byng comanda a vertente computacional e electrónica. Marvel K. tem uma guitarrada cortante e espacial. E Mr. Tagus, ex-baterista de jazz, ainda tem na música e 'groove' de África uma das suas maiores riquezas.

Alexander Search é uma banda que gosta de ousar, impaciente, à procura, sempre à procura, da quintessência. Nunca o conseguiu. Este é o disco de mais uma tentativa falhada.

 

É com estas palavras que Júlio Resende e companhia definem o seu novo projecto. Alexander Search é um dos heterónimos ingleses de Fernando Pessoa. Júlio Resende musicou esses poemas e convidou Salvador Sobral para os cantar assim como outros músicos para os acompanharem. Cada um deles criou também um heterónimo à semelhança do inspirador Fernando Pessoa. 

"A day of sun" é o primeiro single deste trabalho e é, sem dúvida, o poema indicado para o dia de hoje, um excelente dia de sol.

 

DAY OF SUN

 

I love the things that children love

        Yet with a comprehension deep

That lifts my pining soul above

        Those in which life as yet doth sleep.

 

All things that simple are and bright,

        Unnoticed unto keen‑worn wit,

With a child's natural delight

        That makes me proudly weep at it.

 

I love the sun with personal glee,

        The air as if I could embrace

Its wideness with my soul and be

        A drunkard by expense of gaze.

 

I love the heavens with a joy

        That makes me wonder at my soul,

It is a pleasure nought can cloy,

        A thrilling I cannot control.

 

So stretched out here let me lie

        Before the sun that soaks me up,

And let me gloriously die

        Drinking too deep of living's cup;

 

Be swallowed of the sun and spread

        Over the infinite expanse,

Dissolved, like a drop of dew dead

        Lost in a super‑normal trance;

 

Lost in impersonal consciousness

        And mingling in all life become

A selfless part of Force and Stress

        And have a universal home;

 

And in a strange way undefined

Lose in the one and living Whole

The limit that I call my mind,

The bounded thing I call my soul.

17-3-1908

 

 

 

 

 

23
Abr17

Dia Mundial do Livro

Charneca em flor

Em 2015 escrevi este post sobre o papel dos livros na minha vida:

Os livros foram a minha companhia na infância e na adolescência quando eu era, apenas, uma menina tímida. Com os livros sonhei e viajei pelo mundo da fantasia. Foram os meus companheiros de todos os momentos, os meus melhores amigos num tempo em que não havia chats, amigos do Facebook ou blogs.

Continua tudo a ser verdade, quantas vezes a tecnologia ocupa o tempo que antes dedicava aos livros,infelizmente. Este ano fiz o propósito de tentar contrabalançar as 2 coisas. Tenho conseguido ler alguns bons livros este ano. Actualmente estou a ler Elena Ferrante como podem ver ali ao lado. Antes li Zafón. Não sei se foi muito boa ideia ler estes 2 autores de seguida. Ambos os livros são muito intensos e muitas vezes me deixam sem fôlego. E cheia de pena de não ter dedicado a minha vida a escrever...

Boas leituras

14
Abr17

O Prisioneiro do Céu, Carlos Ruiz Zafón

Charneca em flor

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Acabei de ler o terceiro livro da saga do "Cemitério dos Livros Esquecidos". Só agora reparei que não tinha actualizado o livro do momento ali na barra lateral. A leitura foi tão rápida que nem tive tempo. Foi o primeiro que li depois de ter passado uns dias em Barcelona. Só  não  consegui ir procurar o tal Cemitério.

Zafón volta a "brincar" com as mesmas personagens dos romances anteriores, o Sr. Sempere, Daniel Sempere, Fermín e mesmo David Martin. A história começa no Natal a poucas semanas do casamento de Fermin. A proximidade deste acontecimento provoca grandes preocupações a Fermín, leva-o a recordar o passado e a partilhá-lo com Daniel. Adensa o mistério à volta do passado de Daniel mas não posso dizer mais nada senão...

Mais um livro intenso. Mal posso esperar para ler o último livro da saga. Mas agora é hora de deixar estas personagens descansarem e ir até Nápoles, ao encontro de Lila e Lenù

Fica só aqui a descrição da reacção de Fermín quando Daniel o leva a conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos:

 

"Segundo a minha experiência pessoal, quando alguém descobria aquele local, a sua reacção era de encantamento e assombro. A beleza e o mistério do recinto reduziam o visitante ao silêncio, à contemplação, ao sonho. Como é óbvio, a reacção de Fermín teve de ser diferente. Passou a primeira meia hora hipnotizado, deambulando como um possesso pelas passagens do enorme quebra-cabeças que era o labirinto. Parava para bater com os nós dos dedos em arcobotantes e colunas, como se duvidasse da sua solidez. Detinha-se em ângulos e perspectivas, fazendo um telescópio com as mãos e tentando decifrar a lógica da estrutura. Percorria a espiral de bibliotecas com o seu considerável nariz a um centímetro da infinidade de lombadas alinhadas em ruas sem fim, escrutinando títulos e catalogando tudo quanto descobria. Seguia-o a poucos passos, entre o alarme e a preocupação."

27
Mar17

"A Promessa", Lesley Pearse

Charneca em flor

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Das várias escritoras anglo-saxonicas que são publicadas em Portugal, a minha preferida é Lesley Pearse. Já li imensos livros dela e nem sempre tenho oportunidade de falar deles aqui. 

"A Promessa" é o segundo livro de uma saga de 3 livros mas que podem ser lidos separadamente. Quando há relação entre as histórias dos livros, eu gosto de lê-los por ordem cronológica. Manias.

O primeiro livro tem o título de "Sonhos Proibidos" e a história começa em 1910 num dos bairros mais pobres de Londres. A personagem principal é Belle, uma jovem de 15 anos protegida pela ama que a criou e que cresce num bordel dirigido pela mãe sem se aperceber. Um dia assiste a um crime e esse facto vai ser determinante para a sua vida. Raptada e obrigada a prostituir-se, é levada até Nova Orleães. Lesley Pearse apresenta-nos a vida luxuosa dos bordéis  de Nova Orleães. Belle é uma mulher forte, como todas as heroínas de Lesley Pearse, e tenta lutar contra o seu destino.

Este segundo livro encontra Belle feliz em Inglaterra mas adivinham-se tempos difíceis não só para ela mas para toda a Europa. A história inicia-se em Julho de 1914. Lesley Pearse transporta-nos para as trincheiras e para os hospitais onde se recebem os feridos e estropiados da guerra. O enquadramento histórico que serve de cenário às personagens é tristemente fascinante. Mais uma história rica sobre a força de uma mulher que sofre e luta por amor. 

O terceiro livro tem como personagem principal, Mariette, a filha de Belle. Lesley Pearse leva-nos, de novo, a um cenário de guerra, a Segunda Guerra Mundial. 

Nos tempos conturbados em que vivemos hoje é importante olhar para o passado, aprender com os erros e tentar fazer melhor. Será possível?!

 

Se Belle fosse como qualquer uma dessas vulgares jovens bem-educadas, não aspiraria a mais do que ser uma esposa bem-amada. Mas Belle não era vulgar, não  tinha tido uma infância normalcom uma mãe que cuidasse da cas enquanto o pai trabalhava fora.  Na idade mais impressionável, fora levada para longe de casa e, de ambos os lados do Atlântico, aprendera coisas que haviam apafado a sua inocência e lhe tinham ensinado a arte de sobrevivência.

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