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Livros de Cabeceira e outras histórias

Ler é uma fonte de felicidade!

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10
Abr16

Rei "Morto", Rei Posto

Charneca em flor

Segundo o site da Presidência da República, já há novo Ministro da Cultura. Será Luís Filipe Castro Mendes, atual Representante de Portugal junto do Conselho da Europa em Estrasburgo. Luís Filipe Castro Mendes é um ilustre desconhecido para o comum dos mortais. Imagino que seja conhecido pelas cabeças pensantes da cultura de que eu falava neste post. Segundo esta notícia do Económico, Luís Filipe Castro Mendes, para além de diplomata, é poeta e ficcionista. Por aquilo que descobri na Wikipédia, se calhar sou eu é que sou distraída. O novo Ministro da Cultura tem muitas obras publicadas tendo até já ganho alguns prémios literários. É natural de Idanha-a-Nova onde nasceu há 66 anos. António Costa mudou de estratégia com esta nomeação. Com João Soares, o PM procurou ter alguém no Governo que representasse a facção do PS que lhe era contrária, uma vez que João Soares era partidário de António José Seguro e alguém com um grande capital político porque estave ligado ao partido desde sempre. Agora foi buscar alguém que pouca gente conhece. Vamos aguardar para ver se executa um bom trabalho nesta área. Habitualmente, os ocupantes desta pasta não conseguem agradar a toda gente, são até muito pouco consensuais porque é muito díficil lidar com os humores dos artistas. Tem um ar simpático e bonacheirão. A ver vamos.

Aqui fica um dos poemas do novo Ministro da Cultura:

Sonho

Numa casa de vidro te sonhei.
Numa casa de vidro me esperavas.
Num poço ou num cristal me debrucei.
Só no teu rosto a morte me alcançava.

De quem a morte, por terror de mim?
De quem o infinito que faltava?
Numa casa de vidro vi meu fim.
Numa casa de vidro me esperavas.

Numa casa de vidro as persianas
desciam lentamente e em seu lugar
a noite abria o escuro das entranhas
e o teu rosto morria devagar.

Numa casa de vidro te sonhei.
Numa casa de vidro me esperavas.
Fiz do teu corpo sonho e não olhei
nas palavras a morte que guardavas.

Descemos devagar as persianas,
deixámos que o amor nos corroesse
o íntimo da casa e as estranhas
cerimónias do dia que adoece.

Numa casa de vidro. Num espelho.
Na memória, por vezes amargura,
por vezes riso falso de tão velho,
cantar da sombra sobre a selva escura.

Numa casa de vidro te sonhei.
No vazio dessa casa me esperavas.

Luís Filipe Castro Mendes, in “Os Amantes Obscuros”

 

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