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Livros de Cabeceira e outras histórias

Ler é uma fonte de felicidade!

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27
Ago17

"Arquipélago" por Joel Neto

Charneca em flor

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A primeira vez que tive este livro nas mãos foi para ajudar uma colega a comprar um presente para o sobrinho. Chamou-me a atenção pela capa e pelo título. E porque falava nos Açores. Apaixonei-me por essas ilhas misteriosas há uns anos quando lá passei uma semana inesquecível. Não sabia quem era Joel Neto. A sinopse interessou-me e aconselhei a colega a comprá-lo. Nunca mais pensei nele. Um dia, saltou para as mãos "A vida no campo" que li com avidez. Nunca mais deixei de seguir as crónicas de Joel Neto. Aí lembrei-me deste "Arquipélago". Já há uns tempos que ele descansa na minha estante. Tenho lido pouco e devagar. Este Verão fui buscá-lo para me acompanhar nas idas à praia. Uma excelente companhia. A história é cativante e as personagens são deliciosas. Adorei os diálogos em que o autor recorreu, muitas vezes, à maneira de falar típica da região.

Joel Neto, para além de nos levar a viajar pelos mistérios da ilha Terceira, leva-nos a viajar pela geografia da ilha. E eu, que nunca fui à Terceira (conheço São Miguel, Flores e Corvo), sinto que já a conheço. Obrigada, Joel Neto, por me ter apresentado a Ilha Terceira, uma autêntica ilha de bruma, e por ter levado a sonhar com lendas e mistérios

Aguardo ansiosamente o seu novo romance, prometido para 2018

 

"O táxi seccionou a ilha pelo coração, escalando as montanhas e percorrendo a extensa recta que cruzava o planalto central. Passou entre pastos rodeados de muros de pedra-sobre-pedra e vacas pensativas, com os dorsos, as cabeças e os rabos malhados de branco e de negro, como num postal ilustrado.

Depois desceu novamente em direcção ao oceano. Chovia de forma copiosa, e isso ofereceu-lhe uma inesperada sensação de bem-estar.

Olhou as montanhas à direita e à esquerda, cada uma delas tentando perfurar a neblina à sua própria maneira, e depois virou-se na direcção do mar, encapelado e metálico. Sentiu que dialogavam uns com os outros, como em conversações de paz que estivessem a correr mal, e também isso o animou. Cheirava a enxofre e a poejo, se bem conseguia identificá-lo - e cheirava também  a eucaliptos, e a gasolina, e a marisco, e a solidão."

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