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Livros de Cabeceira e outras histórias

Ler é uma fonte de felicidade!

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21
Mar17

Se Tu Viesses ver-me, Florbela Espanca

Charneca em flor

O dia já vai adiantado mas ainda vou a tempo de partilhar um poema neste que é o Dia Mundial da Poesia. Escolhi Florbela Espanca, a poetisa alentejana que me serviu de inspiração ao escolher o meu nickname, Charneca em Flor. O soneto que escolhi pertence, precisamente, ao livro que leva o título de Charneca em Flor

 

Se Tu Viesses Ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

 

Bons poemas, hoje e todos os dias 

 

11
Jan17

Os imprescindíveis

Charneca em flor

Ontem ouvi este poema. Já conhecia mas não sabia quem era o autor. Fui pesquisar e descobri que é do alemão Bertolt Brecht Independentemente da circunstância em que foi utilizado, ou da pessoa que fez esta citação, é um belo poema e achei que valia a pena partihá-lo convosco. "Há aqueles que lutam um dia; e por isso são bons; Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons; Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda; Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis" Bertolt Brecht

20
Nov16

Mar português

Charneca em flor

20161119_154136

Praia d' El Rei, ontem

 

Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma nao é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

                    Fernando Pessoa, in Mensagem

Este conhecido poema espelha bem a alma dos portugueses. A nossa ligação ao mar, a nossa capacidade de arriscar, de partir rumo ao desconhecido. Foi assim nos idos de 1500 e continua a ser hoje. Uns partem por necessidade, outros partem pela aventura. E há portugueses espalhados por todos os recantos do mundo. Com eles levaram um dos maiores tesouros do mundo, a língua portuguesa. Pelos últimos estudos, o português é a quarta língua mais falada pelo mundo já que é falada por mais de 250 milhões de pessoas. É obra.

Eu não penso partir para longe mas também sinto esta ligação ao mar. Olhar esta imensidão faz-me sentir minúscula. E a relativizar as miudezas do dia-a-dia. Olhar este vai e vem das ondas funciona como um tranquilizante (embora ontem o mar até estivesse bem agitado). 

É este, o mar português.

21
Mar15

A Tua Voz de Primavera, Florbela Espanca

Charneca em flor

Para comemorar o Dia Mundial da Poesia, escolhi este poema da minha poetisa preferida (a ponto de ter inspirado o nome que escolhi para a blogosfera). Aproveitem este início envergonhado da Primavera para ler um bom livro de poesia. Num poema, as palavras tornam-se música, sonho e fantasia

 

 

A Tua Voz de Primavera

Manto de seda azul, o céu reflete
Quanta alegria na minha alma vai!
Tenho os meus lábios úmidos: tomai
A flor e o mel que a vida nos promete!

Sinfonia de luz meu corpo não repete
O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai!
Iguala o sol que sempre às ondas cai,
Sem que a visão dos poentes se complete!

Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
Têm a firmeza elástica dos gamos...

Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
23
Fev14

Tiago Bettencourt canta Sophia

Charneca em flor

Hoje publico mais um post dedicado ao tema "Poemas que se tornaram canções". Faz parte de um projecto de Tiago Bettencourt "Tiago na toca e os poetas" em que o músico deu vida a poemas dos nossos melhores autores. Escolhi o poema de Sophia de Mello Breyner Andresen porque, esta semana, a Assembleia da República decidiu, em boa hora, pela transladação da poetisa para o Panteão Nacional.

 

Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça.
03
Fev14

Porquê Charneca em flor?

Charneca em flor

rqQuando resolvi ressuscitar este blogue, achei que era boa ideia mudar o nickname. Pensei, pensei e cheguei à conclusão que era giro arranjar um nickname relacionado com literatura mas que também tivesse a ver comigo. Charneca em flor reúne essas 2 características. Primeiro Charneca em Flor é o título de um dos livros da minha poetisa preferida, a alentejana Florbela Espanca. Para além disso charneca é um tipo de terreno característico quer do Alentejo, onde estão as minhas origens, quer do Ribatejo onde nasci, cresci e ainda vivo. Logo, Charneca em Flor tem tudo a ver comigo. 

 

Para terminar aqui fica o soneto Charneca em Flor

 

Enche o meu peito, num encanto mago, 

O frêmito das coisas dolorosas... 

Sob as urzes queimadas nascem rosas... 

Nos meus olhos as lágrimas apago... 

 

Anseio! Asas abertas! O que trago 

Em mim? Eu oiço bocas silenciosas 

Murmurar-me as palavras misteriosas 

Que perturbam meu ser como um afago! 

 

E nesta febre ansiosa que me invade, 

Dispo a minha mortalha, o meu burel, 

E, já não sou, Amor, Sóror Saudade... 

 

Olhos a arder em êxtases de amor, 

Boca a saber a sol, a fruto, a mel: 

Sou a charneca rude a abrir em flor! 

 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

 

 

21
Mar12

...

Charneca em flor

Eu queria mais altas as estrelas

Mais largo o espaço, o sol mais criador

Mais refulgente a lua, o mar maior,

Mais cavadas as ondas mais belas;

 

Mais amplas mais rasgadas as janelas

Das almas, mais rosais a abrir em flor,

Mais montanhas mais asas de condor,

Mais sangue sobre a cruz das caravelas

 

E abrir os braços e viver a vida

quanto mais funda e lúgubre a descida

mais alta é a ladeira que não cansa!

 

E, acabada a tarefa... em paz, contente,

Um dia adormecer, serenamente,

Como dorme no berço uma criança!

                                                          

                                                                      Florbela Espanca

 

 

 

Porque hoje é Dia Mundial da Poesia, deixo-vos um soneto da minha poetisa preferida.

Para mim a poesia é a arte de tornar simples palavras em música literária.

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