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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

09
Jul18

Uma citação por semana #28

Charneca em flor

«Antes do Côa, eu tive a hipótese de estar em Altamira e em Lascaux, quando ainda se podiam visitar esses sítios. Para ser franco, não estava a apostar muito no que ia ver e, de repente, tive um choque. Pensei que me ia deparar com "registos do tempo", de fraco impacto. Claro que as "marcas" têm sempre um lado de passado, mas o que aconteceu foi que a dada altura me senti completamente ultrapassado. (...) Mas ali, houve e ha qualquer coisa que ultrapassa a nossa temporalidade, uma espécie de inscrição de um arquétipo, que está para além das épocas e que, por isso, torna a coisa sempre actual. Deslumbrou-me a extraordinária contemporaneidade do gesto que levou a inserir na rocha, o traço, o volume, a cor.»

                   Júlio Pomar, numa entrevista de 2014 com Sara Antónia Matos e Pedro Faro, curadores da exposição temporária do artista, recentemente falecido. Com grande surpresa minha, encontrei a exposição "incisão no tempo" no Museu do Côa.

25
Jun18

Uma citação por semana #25

Charneca em flor

A citação desta semana é um bocadinho maior do que é habitual. Foi escolhida com a memória ainda viva das horas que passei no Porto neste fim de semana. Como eu considero que as letras das músicas também são uma forma de literatura, escolhi um poema do portuense, Carlos Tê

 

Porto Sentido

 

Quem vem e atravessa o rio

junto à serra do Pilar

vê um velho casario
que se estende ate ao mar

 

Quem te vê ao vir da ponte
és cascata, são-joanina
dirigida sobre um monte
no meio da neblina.

 

Por ruelas e calçadas
da Ribeira até à Foz
por pedras sujas e gastas
e lampiões tristes e sós.

 

E esse teu ar grave e sério
dum rosto e cantaria
que nos oculta o mistério
dessa luz bela e sombria

 

Ver-te assim abandonada
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento

E é sempre a primeira vez
em cada regresso a casa
rever-te nessa altivez
de milhafre ferido na asa

11
Jun18

Uma citação por semana #24

Charneca em flor

Desde o início do ano que todas as 2as feiras, tenho partilhado citações de vários autores, mestres da prosa ou da poesia. A frase de hoje também foi proferida, de certo modo, por um mestre. Desde que a li, pensei logo que tinha que fazer parte do meu desafio. Como eu dizia a frase foi proferida por um mestre mas um mestre dos afectos:

"Os Estados Unidos da América são um grande país, mas Portugal ainda é maior. Temos o maior país do mundo."

                         Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República de Portugal

image.jpeg

 

Sr. Presidente, menos exagero no patriotismo.  

27
Mai18

A minha pátria é a língua portuguesa

Charneca em flor

100-mais-belas-2.jpg

Já há muito que sou apaixonada pela nossa língua. Adoro ler e escrever. Podia escrever bem melhor como ficou provado neste episódio noutro blogue onde fui "atacada" pelos inúmeros polícias da língua portuguesa. Ontem reuniram-se uma série de circunstâncias que me levaram a reflectir sobre a riqueza da nossa língua seja qual for o local onde é pronunciada.

Tenho andado a ler e a estudar o livro "na ponta da língua" de Sérgio Luís de Carvalho onde são descritas mais de 200 palavras, mais ou menos usadas no dia-a-dia, no que diz respeito ao seu significado e origem.

Também recebi a 1a Granta em Língua Portuguesa que substituí a Granta Portugal. A partir de agora, a Granta é editada em simultâneo nos 2 lados do Oceano Atlântico. O tema desta primeira edição é, muito convenientemente, Fronteiras (ou a ausência delas). Reune textos de vários autores da lusofonia como José Eduardo Agualusa, Francisco BoscoAdriana Lisboa ou Teresa Veiga. Como diz, Carlos Vaz Marques, na última frase da introdução, "Em português nos des/entendemos"

Por coincidência, a crónica da rapper Capicua na revista Visão também girava à volta da língua, nomeadamente, no que diz respeito à diferente pronúncia e ao vocabulário utilizado nas várias regiões do país. Um rapper brinca com as palavras e a Capicua é mestre nesta arte escrevendo também letras para outros artistas. Divagava ela sobre o desejo de escrever uma letra que consagrasse todas as variações que existem na nossa língua que tantas vezes levam a engraçados mal-entendidos. Seria uma letra recheada de palavras e reflectiria aquilo que a Capicua sente na pele já que divide a sua vida entre Lisboa e Porto.

A meu ver, todas as diferenças que o português possa ter, seja a grafia, a pronúncia ou os vocábulos específicos de cada país ou região, é que lhe dão riqueza e a fazem evoluir. Por isso me custa tanto que a espartilhem num Acordo Ortográfico que tenho sido resistente em aplicar. Não me importo nada de ler um romance escrito por um brasileiro já que é assim que se expressa e foi assim que ele aprendeu. Se for uma tradução de um texto ou livro científico já me incomoda mais até pela constatação de que há mais traduções científicas no Brasil do que em Portugal. Na faculdade, troquei traduções brasileiras por originais em inglês porque, em alguns casos, compreendia melhor. Até na relação da nossa língua com o inglês evoluímos de maneira diferente dos brasileiros. 

Pensando bem tenho dificuldade quem está mais correcto, se somos nós ou os outros países lusófonos. Afinal a origem foi este pequeno rectângulo onde vivemos mas, ao sairmos da nossa zona de conforto, espalhámos a língua portuguesa pelos 4 cantos do mundo. Temos que aceitar que esses povos a foram adaptando às suas próprias circunstâncias.

Já dizia Fernando Pessoa, pela pena do seu heterónimo Bernardo Soares, no "Livro do Desassosego", A minha pátria é a língua portuguesa.

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