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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Rescaldo do Festival

Love is on my side, The Black Mamba

Charneca em flor, 08.03.21

Como já devem ter percebido, sou fã do Festival da Canção. Deixei de acompanhar durante uns anos mas retornei quando a RTP iniciou o formato actual. Já aqui tinha feito a minha aposta e no sábado lá tentei seguir a final. Comparem a minha aposta com a realidade

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A minha aposta

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A classificação final

Basicamente acertei no 2o, no 3o, no 8o e no último. Não está mal

Fiquei muito surpreendida com a vitória dos The Black Mamba mas, pelo que li, eles próprios nunca acreditaram que fosse possível ganhar com uma canção totalmente em inglês. Um dos elementos fundadores do grupo, o Tatanka, foi o compositor convidado e explicou que resolveram concorrer com uma música em inglês por coerência com o seu percurso. Faz sentido. 

Como viram, eu não apostava neles. Aliás, embora reconheça um timbre fora do vulgar, não sou apreciadora da voz de Taranka. Mas pode ser um caso de "primeiro estranha-se, depois entranha-se".

Se eu acho que faz sentido ir à Eurovisão com uma música em inglês? Não, de todo. E digo isto em relação a todos os países, deveriam levar canções na sua própria língua.

Seja como fôr, regras são regras e o vencedor está escolhido. Desejo-lhes toda a sorte do mundo. E fiquem com a canção vencedora

 

 

Desafio dos Lápis de Cor #azul claro

Olhos azuis são ciúme*

Charneca em flor, 03.03.21


Algumas horas antes do pôr-do-sol

A tarde de aulas ia a meio. Os alunos usufruíam do intervalo mais alargado. Sofia estava aborrecida com o facto de Tomás se ter deixado deslumbrar com a atenção provocada pela sua chegada de moto. Durante a maior parte do dia tinha conseguido evitar encontrar-se com Tomás mas, desta feita, ele tinha conseguido chegar à fala com ela. Conversavam, animadamente. Tomás não poupava nas carícias enquanto tentava convencer a sua amada a irem de moto até à praia ao entardecer.
Ao longe, Ana observava a cena em silêncio rodeada da sua corte de outras miúdas que a bajulavam com esperança de também serem populares só por acompanharem com a mais popular. Os seus olhos azuis, de um tom de azul tão claro quase transparente, faiscavam. Rute reparou naquele olhar e seguiu-lhe a direcção:
- Então, Ana, porque estás com esse olhar? – perguntou surpreendida por ver a amiga a olhar para aquele par de namorados.
- Ainda estou para saber como é que aquela mosquinha morta conseguiu fisgar o rapaz novo.
- Então, não te lembras?! Ela contou que se conheceram no bar e estiveram horas a conversar.
- Eu ouvi essa história mas custa-me a acreditar. Nunca pensei que conversar sobre livros seduzisse alguém, ainda mais um rapaz daqueles, bom como o milho.
Helena ouvia a conversa a curta distância e não conseguiu deixar de intervir:
- Como é que podes falar assim da Sofia? Vocês são amigas há tantos anos. Ela considera-te como a melhor amiga.
Ana deu uma gargalhada estranha, quase maquiavélica:
- Dá-se demasiada importância à amizade. É um bocado exagerado dizer que somos as melhores amigas. Temos uma relação de… como é que disse a professora de biologia? Simbiose, será? Ela ganha em ser minha amiga porque, sendo minha amiga, a malta não a acha assim tão estranha. Eu ganho os melhores trabalhos de casa. – o olhar de Ana revelou-se mais frio do que era habitual. As outras raparigas arrepiavam-se ao olhar para aqueles olhos azuis translúcidos.
Sofia encaminhou-se até ao grupo de Ana com um sorriso tímido e uma expressão feliz mas ligeiramente ensombrada por alguma preocupação:
- Olha, Ana, no fim das aulas vou dar uma volta com o Tomás e vou chegar a casa mais tarde. Posso dizer à minha mãe que estive em tua casa para um trabalho de grupo?
- Claro que sim. – Só a Rute e a Helena é que repararam no tom falso daquela afirmação.
- Obrigada, és uma querida. – Sofia afastou-se em direcção à casa de banho.
- Sabem que mais? Já sei como é que posso afastar a Sofia do queridinho. E depois o caminho fica livre para mim. Quero ver se ele não me vai preferir em vez da intelectual. – o olhar voltou a faiscar.
- O que é que vais fazer? – perguntaram as outras.
- Logo verão.
Nos lindos olhos azuis, claros como água, brilhava a imagem do ciúme e da inveja.

 

Participam neste Desafio da Caixa de Lápis de Cor da Fátima Bento, as brilhantes ConchaA 3a FaceMaria AraújoPeixe FritoImsilva, Luisa de SousaMariaAna DCéliaGorduchitaMiss LollipopAna MestreAna de DeusCristina Aveirobii yue e os brilhantes  José da Xá e João-Afonso Machado

 

*título, descaradamente, roubado à canção "Olhos castanhos" de Francisco José.

Semi-finais do Festival da Canção

Rescaldo

Charneca em flor, 02.03.21

No sábado passado decorreu a 2a semi-final do Festival da Canção. Desta vez a minha aposta foi melhor do que na 1a semi-final já que acertei em 3/5.

Assim vou experimentar a fazer a minha classificação final. Vamos ver se acerto nalguma:

  1. "Contramão" - Sara Afonso
  2. "Por um triz" - Carolina Deslandes 
  3. "Dancing in the stars" - Neev
  4. "Joana do Mar" - Joana Alegre 
  5. " Saudade" - Karetus e Romeu Bairos
  6. "Não vou ficar" - Pedro Gonçalves 
  7. "Na mais profunda saudade" - Valéria 
  8. "Volte-face" - Eu.Clides
  9. "Love is on my side" - The Black Mamba
  10. "Dia lindo" - Fábia Maia

Quem quiser ouvir todas as músicas é passar por aqui

Cover me in sunshine, P!nk e Willow Sage Hart

Charneca em flor, 01.03.21

Uma das aplicações que mais utilizo é o spotify, seja para ouvir podcasts ou para ouvir música. Sigo uma playlist que se chama "New Music Friday Portugal" que actualizada todas as 6as feiras, como o próprio nome indica. É assim que descubro novas músicas. Há semanas em que nenhuma música me seduz e há outras em que gosto de várias. Há 2 semanas descobri esta música encantadora em que P!nk canta com a filha Willow.

Boa semana.

 

Desafio Era uma princesa tão gorda que só ocupava espaço

Charneca em flor, 28.02.21

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Imagem daqui

Era uma vez uma princesa tão gorda que só ocupava espaço. Era tão gorda que as portas do palácio tiveram de ser alargadas depois de ela ficar entalada quando tentava entrar na cozinha à socapa. A comida era aquilo que havia de mais importante para a princesa. Nos tempos livres, ou seja entre refeições, também gostava de ler. Às vezes até experimentava escrever qualquer coisa. Só que depois dava-lhe cá uma fraqueza que tinha que ir comer qualquer coisita.

Um dia, a internet chegou ao palácio e a vida da princesa nunca mais foi a mesma. Um mundo completamente novo abriu-se perante os seus olhos. Passava horas entretida com a internet que se esquecia de comer. Sem saber bem como, conheceu um rapaz. Começaram a conversar, primeiro durante uns minutos, depois horas estendendo-se pela noite fora. E a princesa percebeu-se que era possível apaixonar-se, apenas, pelo poder das palavras, muito para além do aspecto físico. Mas o seu corpo deixava-a insegura e quando o seu apaixonado lhe propôs um encontro, ela não quis arriscar. Fazendo um grande sacrifício, conseguiu emagrecer, emagrecer, emagrecer até se conseguir transformar numa mulher saudável e elegante. Pela primeira vez, em muito tempo, saiu do palácio.

 

Consegui participar antes da Ana de Deus lançar outro desafio . Foi por pouco.

Sonho num dia de Inverno

Desafio "Sonhamos ir por aí!"

Charneca em flor, 28.02.21

O dia acordou luminoso. Depois da chuva, o sol voltou a brilhar. Lá fora já se ouviam os passarinhos. Abri a janela. Apesar de ainda ser cedo, senti a carícia de uma temperatura amena.

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Pelo aroma a torradas e café acabado de fazer, percebi que o pequeno-almoço me esperava. Com prazer, deliciei-me com a leveza da espuma de leite no cappuccino.

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A relva verde do jardim convidou-me a aproveitar o sol do Inverno que findava para pôr as leituras em dia. Foi uma manhã muito agradável, espraiando-me numa cadeira confortável acompanhada por um bom livro. No ar já se notava o cheiro da iminência primaveril. Nos ramos despidos da ameixieira despontavam singelas flores, promessas de frutos suculentos. As plantas do jardim começavam a encher-se de folhas viçosas.

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Nem me apercebi que era chegada a hora do almoço. O ambiente estava propício para uma refeição na esplanada e a ementa não podia ser outra, peixe grelhado, acompanhado de um bom vinho branco. Às vezes, não é preciso ir muito longe para se vivenciar uma boa experiência.

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A tarde continuou amena, quase quente. Tão difícil acreditar que ainda era Fevereiro, o Inverno não tinha acabado mas a estação seguinte insinuava-se pé ante pé. O dia soalheiro levou-me a sair para uma caminhada. Passei por jardins repletos de flores, cheirosas frésias ou tímidas rosas. Ao longe, o contorno inconfundível da Serra do Montejunto. Será que teria coragem de subir até lá? Ao longo do caminho, campos cultivados, vinhas podadas, pinheiros e eucaliptos serviam-me de companhia. De vez em quando, o ladrar de um cão rasgava o silêncio característico da aldeia. As flores silvestres alegravam os campos numa sinfonia de cores. Em cada curva, descobria um novo pormenor num percurso já amplamente trilhado. E recantos nos quais nunca tinha reparado.

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Ao fim do dia, o corpo já estava cansado de tanto caminhar mas o céu presenteou-me com um maravilhoso entardecer colorindo-se dos mais ricos tons do ocaso. E ainda consegui ouvir o canto das cigarras que começavam a despertar.

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Neste tempo estranho que nos foi dado viver, é preciso usar a imaginação e transformar um pátio, uma varanda, um quintal, terraço ou mesmo uma marquise numa esplanada idêntica àquelas que estão, infelizmente, encerradas. Mesmo deliciosa espuma de leite e preparar um cappuccino idêntico aos que bebi nos inesquecíveis pequenos-almoços dos hotéis onde já estive quando era possível viajar. Se só podemos fazer pequenos passeios higiénicos, esse conceito novo, então porque não aproveitar para descobrir aquilo que nos rodeia e em que não reparamos na lufa lufa do quotidiano. Seja numa aldeia no sopé da Serra do Montejunto, numa grande cidade ou numa vila dos subúrbios. Agora que a pandemia nos impede de realizar sonhos grandiosos, porque não procurar as pequenas alegrias que se podem encontrar na mais curta distância?!

Aqui fica o meu convite para que descubram todas as maravilhas que vos rodeiam porque é possível encontrar beleza seja onde fôr. Só é preciso estar atenta.

 

A Cristina Aveiro desafiou-me, e a mais uma grupeta*, para escrever uma proposta de passeio para quando acabar o confinamento. No entanto, eu achei que o que seria interessante era propôr um passeio para o confinamento .  Pensei em destabilizar, portanto. Às vezes, o sonho está ao alcance da mão.

 

*Aqui está a grupeta desafiada

Oh da guarda peixe frito, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, o José da Xâ,  a Rute Justino, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, e a bii yue

Mundo Melhor, Ariana

Charneca em flor, 27.02.21

A minha última escolha recai sobre "Mundo Melhor" interpretada pela Ariana com música de Virgul, o autor convidado, que na letra contou com a colaboração de Alex d'Alva. Para além da bonita sonoridade e da voz quente de Ariana, realço a temática. Bem que precisamos de construir um mundo melhor.

Abre os olhos, imagina o amanhã
Há tanto mar por navegar
Soltar amarras é pra já
Se o que queremos pra nós
É sermos uma só voz
Compor um mundo melhor

 

 

 

 

 

 

Jasmim, Tainá

Charneca em flor, 26.02.21

Hoje em dia, e cada vez mais, fazem parte da sociedade portuguesa pessoas que nasceram em Portugal mas também pessoas que escolheram no nosso país para viver, pelas mais variadas razões. Quem organizou o Festival da Canção parece ter tido esse pormenor em conta porque foram convidadas 2 compositoras de origem estrangeira. Foi o caso de Ian, que actuou na primeira semi-final. Ian nasceu em Moscovo, é violinista de formação clássica que vive em Portugal desde 1999. Foi em Portugal que terminou a sua licenciatura em violino.

Nesta semi-final podemos ouvir a jovem Tainá, uma talentosa compositora brasileira, dona de uma voz muito doce. Já conhecia esta artista e o seu álbum faz parte das escolhas da minha conta do Spotify. Tem apenas 23 anos e vive em Portugal há poucos anos. Depois de alguns encontros felizes em Lisboa, editou o seu disco em 2019, ano em que actuou em vários festivais de Verão. 

Para o Festival da Canção, trouxe uma canção com aroma de "Jasmim".

 

 

Dancing in the stars, NEEV

Charneca em flor, 25.02.21

Continuando a apresentar as minhas apostas para a 2a semi-final do Festival da Canção, chego a esta belíssima música.

Já tenho dito que, na minha opinião, cada país deveria apresentar, a concurso, músicas na sua própria língua. No entanto, abro uma excepção para esta "Dancing in the Stars" porque a melodia é muito bonita e porque contar  uma história de amor triste mas bonita.

 

Desafio dos Lápis de Cor #laranja

Ao entardecer

Charneca em flor, 24.02.21

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Pôr-do-Sol, Costa de Caparica

Sofia nem sabia bem como se tinha deixado convencer mas, por enquanto, não se arrependera. Tomás conduzia a moto ao longo da costa. Ele tinha-a desafiado para irem até à praia ver o pôr-do-sol. Sofia teve que mentir à mãe para ter uma desculpa para chegar depois do entardecer. Para todos os efeitos, estava com a amiga Ana a terminar um trabalho de grupo enquanto, na verdade, seguia abraçada a Tomás, o seu amor recém-descoberto. Nunca tinha andado de moto e estava a adorar a sensação do vento a beijar-lhe o rosto. Seguia tão agarrada a Tomás como se se quisesse fundir com ele. Pela primeira vez na sua, ainda curta, vida percebia o que era a felicidade plena.

Finalmente, chegaram à praia. Tomás imobilizou o veículo de 2 rodas e desmontou com cuidado para que Sofia não se desequilibrasse. Sofia sentia as pernas a tremer provavelmente pela excitação de ter andado sobre aquelas rodas pela primeira vez.
Tomás, com algum nervosismo, perguntou:

- Então, minha rosa, tiveste medo? Ou gostaste?

- No princípio, estava um pouco receosa mas tu conduziste de uma forma tão segura que me senti mesmo segura e protegida. Na verdade, foi espectacular.

Tomás abraçou-a com uma gargalhada feliz e beijou-a com paixão. Felizes correram, de mãos dadas, para a praia e escolheram o melhor lugar para aguardarem pelo momento mágico do ocaso.

No entanto, Tomás estava preocupado com a reacção que Sofia tinha tido mais cedo quando todos os colegas o rodearam para verem a moto mas nem sabia bem como introduzir o assunto. Apesar de estarem abraçados, o silêncio começou a instalar-se o que não era nada comum entre eles. Sofia olhou para ele e acabou por perguntar:

- Porque estás tão pensativo?

Tomás brincava com a areia e estava com alguma dificuldade em articular aquilo que lhe ia no pensamento:

- Esta manhã dei pela tua falta. Quando a malta veio ter comigo para ver a moto…
Sofia corou, lembrando-se do que lhe tinha passado pela cabeça nessa altura:

- Não gosto de ser o centro das atenções. Quando toda a gente te rodeou, não me senti muito bem naquele ambiente. E, na verdade, achei estranho porque tu me pareceste muito satisfeito por estares na ribalta. Não pensei que fosses assim. – Sofia calou-se para recuperar o fôlego.

Tomás continuava a fazer os grãos de areia passarem entre os dedos. Sofia baixara a cabeça e Tomás pegou-lhe no queixo para que ela olhasse para ele:

- Sofia, a melhor coisa que me podia ter acontecido quando cheguei aqui foi ter-te conhecido. Mas, ainda não me sinto perfeitamente integrado. Tens alguma razão, também não gosto de ser o centro das atenções mas até gostei que viessem todos ter comigo. Isso incomodou-te?

- Acho que sim. Senti-me um bocadinho à parte, na verdade.

- Eu nunca te poria de parte. Eu amo-te, sabes disso, não sabes? – Tomás sentia o coração acelerado. Já tinha tido outras namoradas mas nunca tinha dito aquilo a nenhuma delas. Nunca passara do “gosto de ti". Mas aquele “amo-te" saíra do âmago do seu ser.

Sofia emocionou-se e as lágrimas afloraram aos seus lindos olhos:

- Oh, Tomás – a voz saia-lhe embargada pela emoção – eu também te amo.

Enquanto se perdiam num beijo demorado e apaixonado, esqueciam-se do cenário que os trouxera ali. Lentamente o sol descia até tocar no mar e o céu incendiava-se com os mais ricos tons de laranja.

 

Participam neste Desafio da Caixa de Lápis de Cor da Fátima Bento, as brilhantes ConchaA 3a FaceMaria AraújoPeixe FritoImsilva, Luisa de SousaMariaAna DCéliaGorduchitaMiss LollipopAna MestreAna de DeusCristina Aveirobii yue e os brilhantes  José da Xá e João-Afonso Machado