Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Lotaria Literária #189

Charneca em flor, 08.07.20

"Uma das coisas mais incríveis que se aprende com a idade e sobre a idade é que o mundo é dos curiosos. Todos os que se interrogarem, e tiveram na resposta outra pergunta, são eternamente jovens. A curiosidade é, sem dúvida, um dos motores essenciais da vida."

Caderno de Encargos Sentimentais

Inês Meneses

Contraponto

ISBN 978-989-666-265-3

Eu continuo a ter muita curiosidade sobre o que é que a vida ainda me reserva.

Lotaria Literária #187

Charneca em flor, 06.07.20

"Com esta afirmação o guia pôs ponto final à refeição, que já se alongava para além da meia-noite, e anunciou que se deviam retirar para as tendas. Uma hora mais tarde, reinava a paz no acampamento."

O bosque dos pigmeus

Isabel Allende

Círculo dos Leitores

ISBN 978-972-42-3279-4

Alexander e Nádia acompanham a avó de Alexander até África e vão parar a um misterioso bosque habitado por pigmeus.

 

Lotaria Literária #186

Charneca em flor, 06.07.20

"Nádia permaneceu impassível, com uma expressão divertida no rosto dourado. Não se moveu um milímetro quando as cobras se enrolaram nas suas pernas, subiram pelo seu corpo magro e lhe chegaram ao pescoço e à cara, sempre a silvar."

O Reino do Dragão de Ouro

Isabel Allende

Círculo dos Leitores

ISBN 978-972-42-3050-3

Neste romance, a aventura segue até aos Himalaias e ao Reino Proibido.

 

Lotaria Literária #185

Charneca em flor, 05.07.20

"As crianças da aldeia, pelo contrário, brincavam, felizes, na lama, acompanhadas por alguns macacos domésticos e cães escanzelados."

A cidade dos deuses selvagens

Isabel Allende

Círculo dos Leitores

ISBN 978-972-42-2784-7

O primeiro de uma série de romances cujas personagens principais são os jovens Alexander e Nádia. Neste primeiro livro a aventura decorre no Amazonas. Alexander embarca numa expedição com a sua avó tendo como companheiros, um antropólogo, um guia local e a sua filha Nádia, e uma médica. O objectivo da expedição é capturar o lendário Abominável Homem da Selva.

A Casa do Monte - Aconteceu à hora do ocaso

Charneca em flor, 03.07.20

- Olá - responde Sofia, timidamente – Nós conhecemo-nos? É que não me lembro de ti.

- Na verdade, não. Posso sentar-me aqui ao lado? – Pedro sentou-se sem esperar pela resposta - Eu passo todos os dias pela tua casa quando venho para a praia.

- Ah, é verdade. Hoje acenaste-me.

- Já tinha reparado na tua casa. Mas não costumas cá vir muitas vezes, pois não? Já tinha pensado que era uma pena uma casa tão bonita, e com uma vista espectacular, estar sempre fechada.

- Não é minha. É a casa de férias dos pais da minha melhor amiga mas eles não têm conseguido cá vir com frequência nos últimos anos. Já são idosos. Como não tenho andado muito bem deram-me a oportunidade de vir cá passar uma temporada. – Sofia calou-se. Não conseguia perceber porque é que tinha revelado tantos pormenores com um perfeito desconhecido.

- Nunca te tinha visto aqui na praia.

- É natural. Foi a primeira vez que aqui vim.

- A sério? Mas estás aqui tão perto e o tempo tem estado óptimo. Desculpa, estou a ser muito intrometido. Afinal nem me apresentei. Eu sou o Pedro.

- Eu chamo-me Sofia.

Os seus olhares cruzaram-se. Um frémito de emoção percorreu o corpo de Pedro. Sofia nem queria acreditar que estava, efectivamente, a sentir borboletas na barriga. Ao fundo ouviam-se as ondas do mar e sentia-se uma suave brisa a tocar a pele. Uma cena digna do mais lamecha romance de cordel. Nada que fizesse parte da vida real.

Sofia foi a primeira a desviar o olhar e fitando o mar disse:

- Tens muito jeito para o surf. Gostei de te ver ali nas ondas.

- Se quiseres dou-te umas aulas.

Sofia riu-se com gosto pela primeira vez em muitos meses.

- Não me parece. Eu não sou dada a desportos radicais. Gosto muito de ter os pés bem assentes no chão.

- Nunca se sabe. Se mudares de ideias, estou disponível.

Pedro esperava que Sofia soubesse ler nas entrelinhas e percebesse que não era só para aulas de surf que ele estava disponível. O jovem tinha muita vontade de continuar ali a conversar mas não queria abusar da sorte.

- Bom, vou andando. Gostei de te conhecer, Sofia. Até à próxima.

- Também gostei de te conhecer, Pedro – disse Sofia em voz baixa e sorrindo.

Este encontro casual foi, apenas, o primeiro. No dia seguinte, Sofia aguardou, com ansiedade, que Pedro surgisse na sua bicicleta com a prancha acoplada. Desta vez foi ela que lhe acenou animadamente. De forma inesperada, convidou Pedro para tomar um café com ela. A conversa entre os dois fluiu de tal forma que nem deram pelo tempo passar. Nesse dia o surf ficou para trás.

Num dia foi um café , noutro dia foi um almoço, um passeio pela mata, uma aula de surf, uma ida ao cinema. A atracção entre os dois ia aumentando de dia para dia. Todos os momentos pareciam especiais mas quando estavam na casa do monte, a emoção tomava conta deles. O ambiente entre eles era electrizante. Mas Sofia não estava completamente recuperada e tinha medo de se deixar conduzir pelo coração.

brinde-romantico.jpg

Depois de muitos encontros inocentes como se fossem dois adolescentes, combinaram um jantar na casa do monte para verem o pôr-do-sol. Cozinharam juntos, abriram uma garrafa de vinho e jantaram no jardim iluminados pelas cores vibrantes do ocaso. E Sofia deixou-se ir, entregou-se à paixão que despontava e descobriu que, afinal, era possível voltar a ser feliz.

Na manhã seguinte, Sofia telefonou à sua amiga Júlia para lhe contar o que estava a viver. E nem queria acreditar no que ouvia do outro lado:

- Eu sabia, eu sabia. A magia voltou a acontecer. Tinha tudo para resultar.

- O que queres dizer com isso? Tu sabias que eu ia conhecer o Pedro? Isto é um arranjinho teu, Júlia? Eu não posso acreditar.

- Não é nada disso, querida. Estás a entender tudo errado. Vou ter contigo para te explicar.

 

Primeiros capítulos aqui e aqui.

Todos nós temos Amália na voz

Centenário do nascimento de Amália Rodrigues

Charneca em flor, 01.07.20
Fiz dos teus cabelos a minha bandeira

Fiz do teu corpo o meu estandarte
Fiz da tua alma a minha fogueira
E fiz, do teu perfil, as formas de arte

Fiz das tuas lágrimas a despedida
Fiz dos teus braços a minha dança
Dei o teu sentido à minha vida
E o grito dei-o ao nascer de uma criança

Todos nós temos Amália na voz
E temos na sua voz
A voz de todos nós

Dei o teu nome à minha terra
Dei o teu nome à minha arte
A tua vida à primvera
A tua voz à eternidade

Todos nós temos Amália na voz
E temos na sua voz
A voz de todos nós

A tua voz ao meu destino
O teu olhar ao horizonte
Dei o teu canto à marcha do meu hino
A tua voz à minha fonte

Todos nós temos Amália na voz
E temos na sua voz
A voz de todos nós

Dei o teu nome à minha terra
Dei o teu nome à minha arte
A tua vida à primvera
A tua voz à eternidade

António Variações