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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

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Desafio de escrita dos Pássaros tema 2.11

Actualizem-me

Charneca em flor, 17.04.20

Um belo dia, fartei-me da vida que levava. Tudo aquilo que eu fazia deixou de fazer sentido. Senti necessidade de fazer silêncio, virar-me para dentro para me poder encontrar. Tinha vontade de fugir de mim. Pensei fazer uma viagem para um sítio longínquo, durante uns meses. Talvez para um destino oriental, a Índia, por exemplo. Assim à semelhança do “Comer, orar, amar.” Mas nunca teria a coragem necessária para empreender numa jornada semelhante. Felizmente descobri que já havia “agências de viagens” especializadas em organizar viagens ao âmago de cada um de nós.
Assim há várias semanas isolei-me no meio do nada. Sem qualquer ligação com exterior, sem televisão, sem telemóvel, sem internet. Fiquei sozinha comigo mesma. E como é que ocupei o tempo? A ler, ouvir música, escrever e a pensar. Só assim, percebi quem era e para onde queria ir.
A empresa que organiza este retiro individual tem-me fornecido alimentos com regularidade. Nunca mais vi ninguém. A comida aparecia-me à porta pela manhã e é tudo.
Comecei a sentir que era chegada a hora de abandonar este meu retiro voluntário. De qualquer modo, a equipa das entregas não apareceu no dia habitual. Não sei o que se estava a passar mas era tudo muito estranho. A casa possuía uma única forma de contacto com a civilização, um telefone para ligar ao coordenador do retiro. Este objecto existia por razões de segurança e era suposto ser usado apenas em casos de emergência. Eu também me sentia mais segura por saber que existia a possibilidade de chamar alguém. Só que já tinha tentado telefonar e ninguém atendia do outro lado.
Estava a ficar muito arrependida por ter entrado nesta aventura.
Até que um dia, a comida acabou. Não havia outra solução, teria que caminhar até à povoação mais próxima. Munida, apenas, com água e bolachas, lá fui eu.
E caminhei, caminhei, caminhei… até chegar, finalmente. Pelas minhas contas, estavamos numa terça-feira mas o ambiente da vila era muito estranho. Não se via vivalma. A sensação era de que se estava a chegar a uma daquelas cidade do faroeste. Na zona central, os estabelecimentos estavam quase todos fechados. Lá ao fundo via-se uma estranha fila para a farmácia. Eu não entendia o que se estava a passar. Resolvi perguntar às pessoas que esperavam na farmácia. Talvez elas me atualizassem de modo a entender esta bizarria.
Só que as pessoas fugiram de mim.

 

Exercício de escrita criativa realizado no âmbito do Desafio de escrita dos Pássaros. Força nesse isolamento social. Continuamos no bom caminho.