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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Lotaria Literária #113

Charneca em flor, 23.04.20

"- O que entende por isolamento?

- O que predomina por todo o lado, sobretudo nos nossos dias, e que não adquiriu todo o seu desenvolvimento e está ainda muito longe dos seus limites. Cada um tende a levar a sua individualidade a maior distância e deseja reter egoisticamente a vida em toda a sua abundância e plenitude."

Os Irmãos Karamázov

Fiódor Dostoievski 

Saída de Emergência

IBSN 978-989-773-112-9

Já referi, várias vezes, este livro que ando a ler. Encontrei esta passagem e achei que tinha que partilhar. Para ser considerado um clássico é preciso que seja intemporal. Esta passagem dá uma pista para essa  intemporalidade. Ninguém diria que foi escrita no século XIX, pois não?

 

Não se esqueçam que hoje é o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Sempre mas hoje em particular, ajude um escritor. Compre um livro.

 

Lotaria Literária #112

Charneca em flor, 21.04.20

"Meus nervos, guizos de oiro a tilintar

Cantam-se n'alma a estranha sinfonia

Da volúpia, da mágoa e da alegria,

Que me faz rir e que me faz chorar!"

Poema Nervos de oiro de Florbela Espanca

366 Poemas que falam de Amor

Vasco Graça Moura

Quetzal

ISBN 978-989-722-265-8

Hoje não abri o livro ao calhas, fui mesmo à procura do poema marcado com o n° 112. Não fazia ideia que era um poema da minha musa inspiradora, Florbela Espanca.

Lotaria Literária #111

Charneca em flor, 20.04.20

"O direito de levar a melhor sobre um ofensor causando o mesmo tipo de dano que este tinha perpetrado não era, ao contrário do que acontece nos nossos dias, valorizado de forma negativa"

De princesa a rainha-velha-Leonor de Lencastre

Colecção Rainhas de Portugal

Isabel dos Guimarães Sá

Círculo de Leitores

ISBN 978-972-42-4709-0

 

 

Lotaria Literária #109

Charneca em flor, 19.04.20

"A sua vida unia-se baça àquela água que corria a noite inteira nos tanques da vizinhança e alimentava as rãs acusadas pelos leves movimentos do lodo."

Mau tempo no Canal

Vitorino Nemésio

Livros RTP/Leya

Coleção Essencial

ISBN 978-989-660-5063

Um clássico da literatura portuguesa que li no ano passado. Se tiverem curiosidade em saber a minha opinião está aqui.

Lotaria Literária #108

Charneca em flor, 18.04.20

"Infelizmente, esses jovens não compreendem que o sacrifício da vida é, em muitos casos, o mais fácil, e o de cinco ou seis anos, por exemplo, da sua fogosa juventude, que lhes pode permitir multiplicar por dez os meios de serem úteis à verdade e à causa que querem servir, é um sacrifício superior às forças de muitos."

Os Irmãos Karamázov

Fiódor Dostoievski 

Saída de Emergência

IBSN 978-989-773-112-9

 

O livro que me acompanha nos últimos dias, um clássico russo de quase 800 páginas. Tudo indica que a quarentena acabará antes de eu acabar o livro, como já questionei no Instagram, mas já vou na página 262

Desafio de escrita dos Pássaros tema 2.11

Actualizem-me

Charneca em flor, 17.04.20

Um belo dia, fartei-me da vida que levava. Tudo aquilo que eu fazia deixou de fazer sentido. Senti necessidade de fazer silêncio, virar-me para dentro para me poder encontrar. Tinha vontade de fugir de mim. Pensei fazer uma viagem para um sítio longínquo, durante uns meses. Talvez para um destino oriental, a Índia, por exemplo. Assim à semelhança do “Comer, orar, amar.” Mas nunca teria a coragem necessária para empreender numa jornada semelhante. Felizmente descobri que já havia “agências de viagens” especializadas em organizar viagens ao âmago de cada um de nós.
Assim há várias semanas isolei-me no meio do nada. Sem qualquer ligação com exterior, sem televisão, sem telemóvel, sem internet. Fiquei sozinha comigo mesma. E como é que ocupei o tempo? A ler, ouvir música, escrever e a pensar. Só assim, percebi quem era e para onde queria ir.
A empresa que organiza este retiro individual tem-me fornecido alimentos com regularidade. Nunca mais vi ninguém. A comida aparecia-me à porta pela manhã e é tudo.
Comecei a sentir que era chegada a hora de abandonar este meu retiro voluntário. De qualquer modo, a equipa das entregas não apareceu no dia habitual. Não sei o que se estava a passar mas era tudo muito estranho. A casa possuía uma única forma de contacto com a civilização, um telefone para ligar ao coordenador do retiro. Este objecto existia por razões de segurança e era suposto ser usado apenas em casos de emergência. Eu também me sentia mais segura por saber que existia a possibilidade de chamar alguém. Só que já tinha tentado telefonar e ninguém atendia do outro lado.
Estava a ficar muito arrependida por ter entrado nesta aventura.
Até que um dia, a comida acabou. Não havia outra solução, teria que caminhar até à povoação mais próxima. Munida, apenas, com água e bolachas, lá fui eu.
E caminhei, caminhei, caminhei… até chegar, finalmente. Pelas minhas contas, estavamos numa terça-feira mas o ambiente da vila era muito estranho. Não se via vivalma. A sensação era de que se estava a chegar a uma daquelas cidade do faroeste. Na zona central, os estabelecimentos estavam quase todos fechados. Lá ao fundo via-se uma estranha fila para a farmácia. Eu não entendia o que se estava a passar. Resolvi perguntar às pessoas que esperavam na farmácia. Talvez elas me atualizassem de modo a entender esta bizarria.
Só que as pessoas fugiram de mim.

 

Exercício de escrita criativa realizado no âmbito do Desafio de escrita dos Pássaros. Força nesse isolamento social. Continuamos no bom caminho.

Assim se fala... no Alentejo #8

Charneca em flor, 16.04.20

Não tenho a certeza que seja exclusivo do Alentejo mas eu achava muita graça quando apanhava a minha avó a usar a expressão 

Amigaram-se

digo "apanhava" porque não se conversava, abertamente, sobre estas coisas à frente das crianças. "Amigaram-se" diz-se de um casal que começa a viver junto sem se casarem primeiro. Tem o mesmo significado que juntar os trapinhos.

Lotaria Literária #107

Charneca em flor, 16.04.20

"Para ele, todas as coisas que são fonte de emoções tomam a mesma importância; um aceno de Cláudia debaixo dos loureiros de Noussha, a lareira onde ela queimou o manuscrito de um romance que ele estava a escrever sobre a própria Cláudia: (《Durante muitos dias ela olhava para mim como se quisesse ler nos meus olhos o romance que eu escrevera》), o quartinho na Rua Lepsius com a sua cadeira de palha rangente..."

Justine

Lawrence Durrell

Biblioteca Sábado

 

Lotaria Literária #106

Charneca em flor, 15.04.20

"As portas de Thomson Manor abriram-se e revelaram um enorme salão, cujo soalho em madeira escura estava laboriosamente polido e cujos tetos com quatro metros de altura se encontravam adornados com aplicações em estuque que representavam querubins, coroas de flores e escudos heráldicos."

Uma Casa de Campo

Elizabeth Adler

Quinta Essência/ Leya

ISBN 978-989-7261-26-8

Uma boa leitura para descontrair e sonhar com viagens .