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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Lotaria Literária #172

Charneca em flor, 21.06.20

"E se for preciso beijo, pois claro que beijo. Também eu estou aqui, à conta de Nosso Senhor, nesta terra de vulcões e terramotos."

A vida no campo  (vol I)

Joel Neto

Marcador

ISBN 978-989-754-233-6

O escritor Joel Neto nasceu nos Açores, mais precisamente em Angra do Heroísmo, veio estudar para Lisboa e ficou pelo continente durante 20 anos. Por cá trabalhou como jornalista em vários jornais, começou a escrever livros, casou, divorciou-se, voltou a casar-se. Ao fim de 20 anos no continente, voltou ao princípio e foi viver para o lugar dos Dois Caminhos, freguesia da Terra Chã na ilha Terceira. Daquilo que viveu nos primeiros tempos, do que observou e da sua interacção com as pessoas nasceram as crónicas que foram reunidas neste "A vida no campo". Absolutamente delicioso principalmente para quem como eu já viveu uma história de amor com estas ilhas.

 

 

 

Carlos Ruiz Zafón 1964-2020

Charneca em flor, 20.06.20

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Foi com grande tristeza que, ontem, li a notícia que dava conta do falecimento do escritor catalão, Carlos Ruiz Zafón. Para mim, era um dos melhores romancistas da actualidade. Tinha, apenas, 55 anos e foi uma perda irreparável para a literatura universal. Carlos Ruiz Zafón criou personagens fabulosas para os livros da série "Cemitérios dos livros esquecidos" e descreve, de forma magistral, o espaço físico onde a história decorre. As suas palavras transportavam-nos numa fantástica viagem pelas ruas e mistérios de Barcelona. Quando se começa um livro de Zafón já não se consegue parar de ler. Fiquei espantada porque descobri que já passaram desde que li "O Prisioneiro do Céu". Tenho imensos livros por ler mas fiquei com uma vontade irresistível de ir comprar o último livro que publicou "O labirinto dos espíritos".

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Premiado pelo Festival Literário, Correntes d' Escrita em 2006

Deixou-nos tão cedo, que pena. Quantas histórias terão ficado por contar? Quantos livros Carlos Ruiz Zafón teria dentro de si? Agora ficarão todos, eternamente, no Cemitério dos Livros Esquecidos. 

 Mas embora o escritor nos tenha deixado, a sua obra permanece e ele continuará a viver através dos seus livros.

 

A Casa do Monte

Primeiro andamento

Charneca em flor, 19.06.20

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A cada amanhecer, Sofia sentia-se um pouco melhor. Quando a sua amiga lhe deu a ideia de ir para aquela casa, não ofereceu grande resistência. O caminho de volta a si mesma estava, apenas, no início. Depois do divórcio, perdera-se numa depressão profunda. Fora para consolidar a recuperação que Júlia lhe sugerira passar uma temporada naquela antiga casa de férias dos seus pais.

A casa era pequena mas encantadora. Empoleirada numa elevação do terreno, tinha um jardim bem cuidado que descia até à estrada pela qual se chegava à praia. Do outro lado da estrada encontrava-se uma mata com pinheiros, medronheiros e rosmaninho entre outras árvores e arbustos. A localização cimeira proporcionava ampla vista para o mar imenso e permitia observar um maravilhoso ocaso todos os dias.

Nos primeiros dias sentia-se uma morta-viva. Quase que não se apercebia da passagem do tempo. Só se sentia bem quando estava quase a adormecer. Sabia que era impossível mas tinha a sensação de que alguém a estava a embalar. Como se a própria casa a abraçasse e a ajudasse a adormecer. Estranhamente essa sensação não a assustava, muito pelo contrário, confortava-a. Sofia precisava de renascer, de começar de novo como uma parede pintada de fresco. Aquela velhinha casa de férias e toda a paisagem circundante tinham conseguido despertá-la da letargia em que caíra meses antes mas ainda havia uma longa caminhada pela frente.

Naquela manhã sentia-se particularmente bem e com uma vontade renovada de reagir. Enquanto tomava o pequeno-almoço no jardim, reparou que passava na estrada um rapaz de bicicleta, transportando uma prancha de surf. O surfista olhou na sua direcção, sorriu e acenou. Sofia não o conhecia mas acenou de volta. Nem sabia porque é que tinha feito aquilo. De repente, percebeu que aquele rapaz passava por ali todos os dias. O seu subconsciente registara aquele mesmo cenário mas Sofia só o vira, verdadeiramente, naquela manhã. Que sensação tão estranha.

Sofia ainda não se tinha arriscado a ir até à praia porque só em casa é que se sentia protegida. Mas o dia convidava a um passeio. Quando esse pensamento lhe atravessou a mente, não hesitou e encetou o caminho até às dunas. Corria uma brisa suave transportando o aroma doce das plantas que povoavam a areia bem como o cheiro a maresia. Como ainda não era Verão, viam-se poucas pessoas por ali. As ondas eram dominadas pelos inúmeros surfistas que enfrentavam a fúria do mar. Ela não era dada a actividades desportivas , muito menos aquáticas por isso aquelas pessoas que rebolavam nas ondas inspiravam-lhe um grande respeito. Lá ao fundo havia uma figura que se destacava. Nenhuma onda lhe escapava e fazia coisas fantásticas em cima da prancha. Sofia estava maravilhada. Nunca na vida seria capaz de fazer tal coisa. O surfista talentoso encaminhou-se para a praia e, curiosamente, parecia dirigir-se na direcção do sítio onde Sofia se sentara.

- Olá. Por aqui? – disse o surfista quando estava a poucos metros de Sofia. Só nesse momento é que ela reparou numa bicicleta pousada ali perto.

 

(continua...)

Assim se fala... no Alentejo #11

Charneca em flor, 18.06.20

Já há um tempo que não me lembrava de palavras giras mas ontem ouvi uma que me fez lembrar a minha infância:

Cigueira

Como na frase:

"O meu gato tem uma cigueira com a rua"

Ou seja, o meu gato gosta muito de ir para a rua, tem um entusiasmo tão grande em para a rua que fica cego a tudo o resto.

Penso que "cigueira" será uma derivação da palavra cegueira. A pessoa, ou o animal, fica cego perante tudo o resto e só vê o objecto ou o objectivo do seu entusiasmo.

 

Lotaria Literária #169

Charneca em flor, 18.06.20

"Porquê, Senhor, movestes Céus e terra para me dar esta pérola preciosa que é a minha Fabíola?

A maneira de estar com as pessoas é perfeita: muito atenta, muito dada aos outros; compreendo que a adorem. Obrigada, Senhor."

O segredo do Rei Balduíno

Cardeal Suenens

ISBN 978-972-39-0436-5

Este é um livro muito interessante porque conta um pouco da história do Rei Balduíno da Bélgica, uma pessoa profundamente humana e crente em Deus, e de como a sua vivência religiosa influenciou a maneira como exerceu o seu reinado e como a sua fé em Deus e na Nossa Senhora de Lourdes foi determinante na sua escolha da espanhola Fabíola para esposa.

Resquícios da minha vida passada como leiga comprometida com a minha paróquia.

Lotaria Literária #167

Charneca em flor, 16.06.20

"Através de todas as lutas, alegrias e problemas a unidade teceu o seu caminho. Amanhã volto a vê-lo por detrás do vidro. Ao fim de 20 anos de casamento voltamos ao namoro de janela."

Sophia de Mello Breyner Andresen 

Isabel Nery

A Esfera dos Livros

ISBN 978-989-626-872-5

 Quantas vezes já disse que gosto muito de biografias?! E esta não é uma biografia qualquer. Gostei muito como podem ver aqui.

 

Lotaria Literária #166

Charneca em flor, 15.06.20

"Porém, não me imponhas demasiada coragem, mais que pode suportar esta minha carcaça mortal. A tortura não. Direi tudo aquilo que tu quiseres, mais vale a fogueira logo, morre-se sufocado antes de arder."

O Nome da Rosa

Umberto Eco

Biblioteca Sábado

Aqui está um dos mais considerados romances do séc. XX. De certeza que a maioria das pessoas já viram o brilhante filme protagonizado por Sean Connery e Christian Slater. Gostei muito do filme mas infelizmente nunca consegui ler o romance até ao fim. Posso ter encontrado o livro na altura errada da vida. Quem sabe um dia volto a ele.