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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

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Reencontro

Charneca em flor, 22.11.20

A pedido de várias famílias ,  resolvi dar continuidade à história do "amor ao primeiro banho" e da "cascata do  bosque"

Reencontro

Luísa estava deitada sobre a cama mas não dormia. Sonhava acordada com o rapaz que encontrara na cascata. Ela tinha ido à procura de magia e encontrou-a através da chegada inesperada de Filipe. Ele perturbara a sua tão desejada tranquilidade.
Ela fizera aquelas férias para curar a alma desfeita pelo cansaço do trabalho mas também para remendar o coração partido. Quando mais precisara de apoio, o seu namorado de sempre tinha sido uma desilusão e Luísa percebera que era urgente mudar a sua vida. Aquela viagem destinara-se a fazer o luto da sua antiga vida.
No corredor, ouviram-se passos e alguém bateu à porta. Era Maria, a sua anfitriã.
- Hoje não vai sair para jantar?
- Não estava a pensar nisso. Não estou com muita fome – Na verdade, Luísa não queria arriscar em encontrar aquela mulher arrogante que acompanhava Filipe.
- O meu marido fez a sua especialidade, arroz de pato. Ele faz sempre imenso. Quer jantar connosco? – Maria percebera que a sua hóspede tinha chegado do passeio muito perturbada. Simpatizava com a jovem e queria ajudá-la.
- Bom, eu não estou com muito apetite mas posso dar uma ajuda.
As 2 mulheres desceram até à sala de jantar. Durante a semana, a pousada não tinha muitos hóspedes por isso estabelecera-se uma relação muito próxima entre os anfitriões e a jovem hóspede que chegara sozinha.
O jantar foi decorrendo de forma agradável, o arroz de pato estava mesmo delicioso. Até que Maria não resistiu em perguntar:
- Então, Luísa, gostou da cascata? Ainda não tive oportunidade de te perguntar se tinha corrido bem.
Luísa sentiu que podia confiar o que ia no seu coração e acabou por desabafar com Maria e Fernando contando a sua aventura até à chegada intempestiva daquela mulher.
- A mulher, depois daquele grito, começou a insultar-me com uma linguagem tão grosseira que eu nem vou repetir. Assim, soltei-me dos braços dele e saí de lá a correr. Não sei se era mulher dele ou namorada. Obviamente que, se fosse ao contrário, eu também não gostaria de ver o meu marido com outra mulher nos braços mas nunca seria capaz de dizer aquele chorrilho de asneiras.
- Quem seriam? Como é que dizes que se chamava o rapaz? – perguntou Fernando. Nisto tocam à campainha.
O anfitrião levantou-se para ver quem era. Fernando deu uma gargalhada e falou com boa disposição:
- Olha, és tu, companheiro. Ainda não nos tinhas vindo visitar. Estás sozinho? Parece-me que te tinha visto passar com uma jovem. Vi logo que era por isso que não tinhas vindo ver os teus amigos. Estavas bem acompanhado.
A outra pessoa respondeu e a voz pareceu estranhamente familiar a Luísa.
- Não era assim tão boa companhia. Fui levá-la à vila para ela apanhar o último comboio para Lisboa.
- Entra, estamos a acabar de jantar. Vem conhecer a nossa hóspede.
Fernando voltou à sala de jantar com o visitante. Nesse instante, Luísa sentiu o seu rosto a arder. Maria percebeu logo que quem acabara de chegar era o rapaz que provocara tão grande perturbação à sua hóspede.
Filipe também corou, embora de forma mais discreta:
- Olá. Estás aqui? – disse o jovem surpreendido.
- Olá- respondeu Luísa, timidamente.
- Conhecem-se?!
- Já nos cruzámos por aí, sim.
Fernando fez a relação entre a história de Luísa e a chegada de Filipe. Maria lançou-lhe um expressivo olhar que calou o comentário que já nascia na sua cabeça.
- Obrigada pelo jantar. Estava óptimo. Vou deixar-vos a conversar com o vosso amigo. Até amanhã – Luísa fugiu novamente deixando Filipe sem palavras.
- Então, Filipe, conta lá porque é que a tua amiga se foi embora. E já agora explica lá de onde conheces a nossa hóspede.

Se calhar, ainda vou ter que escrever mais capítulos .