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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

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Desafio de escrita dos Pássaros Tema 2.1

Acho que a coisa não vai correr bem

Charneca em flor, 31.01.20

Olha, olha, o desafio dos Pássaros voltou. Desta vez vou escrever poesia. O mote para esta semana é “Acho que a coisa não vai correr bem”. Pois eu proponho provar que a coisa vai correr mesmo muito bem. Vamos a isto:

E, de novo, vão começar as hostilidades
Um novo desafio, os Pássaros estão a lançar
Obviamente, não se esperam facilidades
Eu, pela poesia, decidi recomeçar

À prosa, estou eu habituada
Conseguirei com as palavras brincar?
Sinto a criatividade travada
Não consigo estas linhas embelezar

Ai de mim, que isto não corre nada bem
Eu queria muito mas não consigo
Não sei se vocês percebem…
Escrever poesia é um desejo antigo

Já escrevi poemas há muito
Há tanto tempo que nem me lembro
Não estou a conseguir o meu intuito
Com este poema a ninguém assombro

Eu bem disse há pouco
A coisa muito mal correu
Se alguém gostar desta coisa é louco
É que a minha veia poética já morreu

- Charneca, eu bem te disse para não te aventurares. Eu logo vi que a coisa não ia correr bem – disse a minha amiga joaninha.

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Lotaria literária

Charneca em flor, 02.01.20

Durante o ano passado troquei comentários com alguém que publicava frases de livros escolhidas ao abrir o livro ao calhas. Infelizmente já não me lembro quem foi. Se for alguém que esteja a ler este post, gostaria muito que se identificasse para lhe poder dar os créditos da ideia. Logo nessa altura pensei em fazer o mesmo durante este ano de 2020. No entanto, como estive a trabalhar ontem e hoje tenho estado atordoada com o sono, já vou começar este desafio com um atraso. Vou abrir um livro ao calhas e publicar a primeira frase completa que encontrar. Um dia será a 1a frase da página ímpar e no dia seguinte será a primeira frase da página par.

Assim daqui a pouco irei publicar as 2 primeiras frases. A partir de amanhã, a frase que me calhar em sorte será publicada pelas 9h da manhã. 

Vamos lá ver o que vai acontecer. 

Desafio dos Pássaros- A reflexão

Charneca em flor, 31.12.19


Os Pássaros fizeram a proposta mas eu tenho andado muito ocupada e ainda não tinha tido a oportunidade. O Natal e a minha viagem de fim de ano ocuparam todo o espaço disponível na minha cabeça. Comecei a escrever este texto no Aeroporto Saint-Exupéry em Lyon enquanto esperava o voo que me trouxe de volta a Portugal. E que sítio seria mais inspirador do que um Aeroporto que carrega o nome de um dos meus escritores favoritos?
Agora indo ao ponto que me leva a escrever este desabafo, o Desafio de Escrita dos Pássaros tem sido muito enriquecedor por vários motivos. Embora sempre tenha gostado de escrever, esta foi uma prova de fogo que me fez sair, muitas vezes, da minha zona de conforto com os temas que foram sendo propostos. Semana a semana aprendi muito sobre mim e sobre a minha forma de escrever.
Em primeiro lugar, foi um desafio à minha capacidade de síntese porque foi muito difícil para mim que todas as ideias coubessem em 400 palavras, apenas. Apercebi-me que utilizo um vocabulário muito limitado. Tendo em conta que a língua portuguesa é tão rica, é uma pena não escrever com um maior número de palavras diferentes. Outro facto interessante, foi a constatação da minha insegurança embora isso não tenha sido uma grande surpresa. Quando leio os outros textos não consigo deixar de comparar a qualidade da minha escrita com a dos outros participantes. Na verdade, acompanhar as partilhas dos outros autores faz-nos imergir num verdadeiro banho de talento literário. E, na minha opinião, eu fico sempre a perder. Eu sei que este desafio não é um concurso mas não consigo evitar. Na verdade, acompanhar as partilhas dos outros autores faz-nos imergir num verdadeiro banho de talento literário. Estou a contar que algumas gotas desse talento cheguem até à minha humilde pessoa,
Seja como fôr não será a minha insegurança que me fará parar. Contem comigo e com as minhas limitações para o Desafio de Pássaros parte II.

Desafio de escrita dos Pássaros tema #15

Alerta, alerta, o Pai Natal reformou-se

Charneca em flor, 20.12.19


Alerta CM: O Pai Natal decidiu reformar-se. O Natal de milhões de crianças pode estar comprometido. Falta pouco mais de uma semana para a véspera de Natal. Quem é que irá distribuir os presentes?


Rudolfo, a rena, carregou no comando da televisão para mudar o canal. O nariz estava ainda mais vermelho e reluzente, tal era a raiva.
- Como é que aqueles fulanos conseguiram descobrir a reforma do Pai Natal. Tudo se fez para encobrir o acontecido. Só pode ter sido aquele Nicolau a divulgar a notícia. Adora aparecer. – bufou Rodolfo. – Deixa cá ver se o anúncio já tem muitas respostas.


Anúncio: Procura-se profissional qualificado para tarefa delicada. Qualificações mínimas requeridas: Carta de condução de veículos de tracção animal. O candidato deve gostar de crianças, ter bom coração e acreditar na magia do Natal. Disponibilidade imediata. Os interessados devem enviar um email para info.laponia@gmail.com e dirigir-se ao escritório do Pai Natal na Lapónia.


- Ó, meu rico São Nicolau. Tantas respostas. Acho que vou ter uma tarefa bem difícil pela frente.
Enquanto isso, no escritório do Pai Natal, os candidatos amontoavam-se à entrada dificultando a entrada da rena Rudolfo.
- Com licença. Têm que me deixar passar para podermos começar com as entrevistas. Não há tempo a perder.
Os aspirantes a Pai Natal abriram alas para o entrevistador passar. O recrutamento ia iniciar-se, finalmente.
Rudolfo entrevistou dezenas de candidatos enfadonhos que não traziam nada de novo à função. Já que era para mudar que fosse para um Pai Natal ainda mais especial que o anterior. Até que entrou uma pessoa bem diferente na sala. Rudolfo olhou estupefacto para quem estava à sua frente. Em vez de um velho barrigudo de barbas brancas, Rudolfo olhava para uma quarentona bem conservada e cheia de curvas.
- A senhora deve estar enganada. Eu procuro um Pai Natal. A senhora é uma mulher e isso desqualifica-a para a função. Lamento que tenha perdido o seu tempo, senhora…
- Charneca em Flor. Não há nenhum engano. O Sr. Rudolfo já ouviu falar em paridade? Os homens e as mulheres têm direito a oportunidades iguais. Já está na altura de ser uma Mãe Natal a distribuir os presentes às crianças.
- Paridade? Ideia interessante. Fale-me mais de si. Se calhar, a ideia de uma Mãe Natal não é assim tão disparatada.
E foi assim que a Charneca em Flor conseguiu ser escolhida para Mãe Natal.

 

Para ler mais textos deste desafio é só passar por aqui.

Feliz Natal

Desafio da escrita dos Pássaros tema #14

A vida que não vivi

Charneca em flor, 13.12.19

Mais um dia que começa e eu com tão pouca vontade de ir trabalhar. Sair da cama, todas as manhãs, é cada vez mais difícil. Os dias são todos iguais, monótonos e rotineiros. Não foi assim que eu imaginei o meu futuro.
No meu quarto de adolescente, sonhei em encontrar a cura para o cancro mas a minha vida encaminhou-se num sentido diferente. Em vez de passar os meus dias num laboratório de investigação, estou numa caixa de supermercado. Eu sei que é um trabalho tão válido como qualquer outro mas eu não nasci para isto. Os clientes olham para mim mas parece que não me vêem. Dou os bons-dias e a maioria dos clientes nem se dá ao trabalho de me responder. Eu estou farta de estar sempre a perguntar se os clientes querem saco ou se querem número de contribuinte na factura. Ou de contar os trocos dos velhotes. Eu não nasci mesmo para isto. Se a minha vida tivesse sido diferente, as pessoas olhariam para mim com um respeito e admiração. Assim sou transparente.
Desde a infância que os meus pais me estimularam a estudar. Acreditei que a dedicação aos estudos me iria encaminhar para uma profissão mais gratificante. As minhas amigas saíam para se divertirem e eu ficava em casa porque o meu foco era só um. Até que um dia me apaixonei e a escola deixou de ser o mais importante. Só queria estar com o meu amor e pouco estudava.
Os meus resultados escolares ressentiram-se e o projecto de tirar um curso superior ficou pelo caminho já que falhei a entrada na faculdade. Os meus pais ficaram muito desiludidos porque tinham sonhado um futuro dourado para mim que não se concretizou. E eu ainda lhes dei mais um desgosto já que fiquei grávida logo a seguir.
Para criar a minha filha tive que prescindir de muito, tive que crescer à pressa. Já não houve oportunidade de voltar a concorrer ao ensino superior porque era necessário começar a trabalhar. Agarrei o primeiro trabalho que me apareceu e onde continuo até hoje. O pai da minha filha fartou-se depressa de brincar às casinhas. Não o condeno. Não é fácil ser pai, ou mãe, aos 18/19 anos. Eu tive que continuar a lutar pela minha filha.
A minha filha é a minha maior riqueza mas mesmo assim eu carrego uma grande mágoa pela vida que não vivi.

Desafio da escrita dos Pássaros tema #13

E tudo o vento trouxe de volta

Charneca em flor, 06.12.19

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A doce Melanie jazia no leito, agonizante. O parto tinha sido complicado provocando-lhe uma enorme hemorragia. Perante tal cenário, Ashley vai ficando cada vez mais desesperado. Nesse momento, Scarlett apercebeu-se de que tinha andado a viver um equívoco. O seu amor por Ashley era um devaneio da juventude. Agora ela via, claramente, como o homem tinha sido um fraco por não resistir às suas investidas quando o seu verdadeiro amor era Melanie. Como se arrependia de se ter envolvido com Ashley. A prima tinha um coração tão puro que, mesmo perante as evidências, nunca acreditara que eles tinham um caso.
Scarlett sentia nascer no seu coração a certeza de que o amor tinha estado sempre tão perto. Será que era tarde de mais? Conseguiria salvar o seu casamento? Rhett casara com ela sabendo o que sentia por Ashley. No entanto, ela tinha a certeza que o marido tinha sentimentos por ela.
Quando se apercebeu que o marido já não estava ali, aguardando o triste desfecho, foi procurá-lo. Tem que lhe confessar aquilo que sente. Encontra-o no quarto a fazer as malas.
- Rhett? Mas…
- O teu querido Ashley está prestes a ficar viúvo. Não quero ser um empecilho.
- Não. Eu estava errada. É a ti que eu amo. Só percebi agora.
- É tarde demais.
Rhett desceu as escadas apressadamente mas Scarlett alcançou-o na porta. Lá fora a neblina da manhã cobre Tara por inteiro.
- Eu não posso viver sem ti.
- Francamente, minha querida, isso não me interessa.
Rhett vai-se afastando enquanto Scarlett cai por terra chorando desalmadamente .

Passaram-se 3 meses sobre a morte de Melanie e sobre o desaparecimento de Rhett. Ashley e os filhos também deixaram Tara. Apesar da viuvez de Ashley, já não fazia sentido continuarem juntos.
Scarlett sentia-se sozinha. Perdera tudo. Os seus pais morreram e a sua filha Bonnie também. Tinham-na perdido tão cedo. Essa dor contribuiu muito para o afastamento de Rhett. Ela acreditava que isso até fora mais importante do que a sua traição.
Desde a manhã daquele dia que Tara era fustigada por rajadas de vento. Uma silhueta familiar aproximava-se. Era Rhett.
- Oh, Rhett, meu amor. Não posso acreditar.
- Nem eu, minha querida. A vida sem ti não faz sentido. Perdoa-me tudo o que disse. Vamos esquecer o passado e começar de novo.
E, abraçando-a, dá-lhe o beijo mais apaixonado de sempre.

THE END

 

Esta semana foi proposto que escrevessemos um final diferente para um filme. Eu viajei com Scarlett O'Hara até ao sul da América e este foi o resultado.

Para descobrirem mais textos é só ir aqui