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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

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21
Jan18

A ponte sobre o Drina, Ivo Andrič

Charneca em flor

No Verão passado viajei para leste como aflorei aquiaqui e aqui. No penúltimo dia, que coincidiu com o aniversário do A., parei, por acaso, em Višegrad perto da fronteira entre a Bósnia e a Sérvia. Quer dizer, foi mais ou menos por acaso já que tinha planeado parar nesta cidade porque o nome me fez lembrar outra viagem (há uma cidade na Hungria com o mesmo nome) e porque estaríamos lá pela hora do almoço. Então não é que descobri que Višegrad foi o berço de um Prémio Nobel da Literatura, Ivo Andrič? Não resisti a comprar a sua obra-prima, "A ponte sobre o Drina".

pontedrina.jpg

 

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Como os meus olhos não me permitem ler muito depressa, só terminei de lê-lo ontem. A ponte é a personagem central da trama. Tudo gira à volta dela, da sua atribulada construção, das amizades e dos amores que cresceram sobre a ponte, as festas, as desgraças ou as guerras. Em Višegrad, mais do que qualquer praça, é a ponte que é o centro da cidade.

A construção da ponte data do séc. XVI e foi mandada construir durante o domínio Otomano sobre aquela região pelo grão-vizir Mehmed-Paxá que tinha nascido ali perto. Nessa altura, os muçulmanos turcos levavam os rapazes cristãos para os converterem ao islamismo e passavam pela cidade de Višegrad. O Drina tinha que se atravessar de barco e a ponte foi construída para facilitar o transporte de pessoas e mercadorias. 

Ao longo do tempo transformou-se em testemunha muda da passagem do tempo, mas também da amizade, entre cristãos, judeus e muçulmanos que tanto vivam em harmonia como em conflito. Mais que um romance,  "A ponte sobre o Drina" faz-nos compreender um pouco melhor os acontecimentos históricos que determinaram a forma como aqueles povos viveram e todas as provações que foram passando.

A ponte lá continua, com mais ou menos mazelas, até hoje com a sua pedra branca sobre as águas verdes do Drina.

"Mas a pontw continuava sempre firme e igual a si, com a eterna juventude da qual gozam as grandes e boas obras dos homens, que não sabem o que significa mudar e envelhecer e que, pelo menos assim parece, não  partilham a sortw de todas as coisas passageiras deste mundo."

 

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