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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

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Desafio dos Lápis de Cor #rosa

A vida em tons de rosa… ou talvez não

Charneca em flor, 10.03.21

Pela manhã, o carro circulava devagar enquanto se aproximava da escola secundária. Sofia seguia em silêncio olhando a sequência de prédios. Mal conseguia abrir os olhos, na verdade. A noite anterior tinha sido passada a chorar.

Quando chegara a casa, depois do idílico fim de tarde na praia, os pais esperavam-na de rosto fechado. A jovem foi sujeita a um interrogatório como se de uma criminosa se tratasse. Nunca, em quase 17 anos de vida, tinha visto os seus pais tão zangados e, muito menos, irados com ela, a filha exemplar. Sofia não resistira muito tempo às perguntas com que os seus progenitores a bombardearam. O relato da sua história de amor, tão doce e puro, transformou-se, aos ouvidos dos seus pais, numa coisa má e sórdida.

Sofia ficou estupefacta quando percebeu que a sua mãe tinha descoberto a sua mentira porque Ana telefonara lá para casa à sua procura. Não conseguia entender porque é que Ana tinha feito tal acto. Seria possível que se tivesse esquecido do que lhe tinha pedido? Dentro da sua cabeça gerara-se uma grande confusão.

Os seus pais proibiram-na de continuar com aquele namoro e Sofia teve que concordar porque o pai ameaçou ir falar com o rapaz. Ela nunca poderia passar por tal humilhação. Para além disso, não estava autorizada qualquer saída que não fosse para a escola ou acompanhada pelos pais. Não passava pela cabeça de Sofia desobedecer aos pais mesmo que fosse por amor. Nunca seria forte o suficiente para lhes fazer frente.

Não foi capaz de jantar e deitou-se assim que pôde. Mas pressentiu que o sono não iria chegar nessa noite. Nem sabia que era possível chorar durante tanto tempo. Chorara por horas e horas. Pela desilusão que dera aos seus pais mas também pela desilusão que ela também tivera com a atitude dos pais para consigo. Apesar de os seus pais serem muito rígidos, nunca imaginara que pudessem ter uma reacção tão violenta perante a sua mentira e sobre a sua descoberta do amor. As lágrimas caiam também pelo fim do seu sonho cor de rosa e por ter que dizer a Tomás que não se poderiam continuar a ver. Nunca mais sentiria a força do seu abraço ou o sabor dos seus beijos. Continuava a não conseguir compreender o que acontecera para a sua melhor amiga lhe ter falhado daquela maneira. Logo a ela que estava sempre a seu lado e que a ajudava em tudo o que podia, apesar de muitos colegas dizerem que Ana se aproveitava do seu bom coração. Caramba, eram amigas. Porque não haveria de a ajudar?

O pai parou o carro à porta da escola e despediu-se dizendo:

- Vê lá como te comportas. Já percebeste que tudo se sabe.

Sofia acenou com a cabeça e saiu do carro em silêncio. Ao levantar a cabeça fez-se luz na sua cabeça. Finalmente, compreendeu que Ana telefonara para sua casa, propositadamente, para a prejudicar. A poucos metros estava Tomás encostado à sua brilhante moto azul-cobalto. Junto dele, estava Ana, insinuante, conversando com ele com um ar apaixonado. Nem reparou se Tomás correspondia à inusitada atenção. Naquele instante, as lentes cor-de-rosa com que via o mundo quebraram-se de forma irremediável.

 

Participam neste Desafio da Caixa de Lápis de Cor da Fátima Bento, as brilhantes ConchaA 3a FaceMaria AraújoPeixe FritoImsilva, Luisa de SousaMariaAna DCéliaGorduchitaMiss LollipopAna MestreAna de DeusCristina Aveirobii yue e os brilhantes  José da Xá e João-Afonso Machado

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