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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Onde Mora a Felicidade, Pearl S. Buck

Charneca em flor, 23.01.21

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Pearl S. Buck era uma escritora norte-americana que em 1938 se tornou a primeira mulher norte-americana a ser galardoada com o Prémio Nobel da Literatura. Esta autora nasceu no final do séc XIX e faleceu em 1973. Pearl S. Buck cresceu na China e viveu nesse país oriental até 1932, ano em que começou a Guerra Civil Chinesa. O tempo que viveu na China muito influenciou a sua obra. 

Eu nunca tinha ouvido falar nesta escritora mas esta bonita capa, bem como o título, foram muito apelativos. Comprei este livro há uns meses e peguei nele durante o meu isolamento.

A escrita é muito descritiva e muito bonita. Transporta-nos para o universo da casa de uma grande família chinesa e conseguimos visualisar cada recanto daqueles quartos, salas ou pátios. A história gira à volta de uma mulher, Madame Wu, que chega aos 40 anos e sente que a sua missão como esposa está terminada. Assim resolve separar-se, fisicamente, do marido e decide que ele deve receber uma concubina. Na altura em que a história se desenrola o sistema de concubinato começa a não ser muito bem visto pelas gerações mais novas. A intenção dessa decisão é a necessidade que Madame Wu sente de se desenvolver espiritualmente e de se instruir de uma maneira que não era habitual para uma mulher na sociedade chinesa. A sua mudança de vida vai influenciar todo o equilíbrio da casa Wu e modificar a vida da família.

O enredo é salpicado por imensas personagens deliciosas, umas mais densas do que outras,  que, juntas, contribuem para uma história cativante.

Gostei muito de ler este livro. A mestria de Pearl S. Buck consegue transmitir perfeitamente o lugar da mulher na sociedade chinesa da altura. A autora leva-nos a comparar esse papel com o papel da mulher nos dias de hoje e faz-nos pensar que, apesar do livro ter sido escrito há mais de 70 anos, ainda há muito por fazer. 

Na minha opinião, é um excelente livro. Intemporal.

"《A tua mente é excelente para uma mulher》, dissera ele por fim. 《Eu diria mesmo, minha filha, que se o teu cérebro estivesse dentro do crânio de um homem, poderias ter feito os Exames Imperiais e tê-los-ias passado com distinção e, dessa forma, ter-te-ias tornado um funcionário do Estado. Mas o teu cérebro não está dentro do crânio de um homem, está no de uma mulher. O sangue de uma mulber inspira-o, o coração de uma mulher pulsa nele e está circunscrito por aquilo que a vida de uma mulher deve ser. Numa mulher não está certo que o cérebro cresça para lá do corpo.》"

"Certo dia, lembrava-se muito bem, tinham estado sentados ali mesmo, na biblioteca, ele de um lado da grande mesa esculpida e ela do outro, não frente a frente, de tal modo que tivessem de olhar para o rosto um do outro, mas com a mesa entre os dois e ambos virados para as portas que davam para o pátio. Estava um belo dia, o ar extremamente límpido e o sol tão forte que as cores das pedras que pavimentavam o pátio, geralmente cinzentas, tinham matizes de azul e rosa, e veios de prata. As suas orquídeas estavam a florir, púrpuras. No lago, os peixes lançavam-se como setas e precipitavam-se sobre os raios de sol que entravam, oblíquos, dentro de água."

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