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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

"Quem assim falou", José Jorge Letria

Charneca em flor, 28.07.19

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Este livro andava cá por casa há uns anos. Comprei numa promoção e depois nunca mais lhe peguei. Dei com ele, inesperadamente, e resolvi lê-lo. O autor, José Jorge Letria, reuniu um conjunto de "Grandes frases de todos os tempos", ou seja, frases marcantes que entraram no nosso discurso mas que, muitas vezes, nem fazemos ideia de quem as pronunciou pela primeira vez. Neste livro, cada entrada corresponde a uma frase com um pequena biografia do autor e do contexto em que a frase foi pronunciada pela primeira vez. No caso das frases mais antigas não há certezas absolutas do autor por isso a mesma frase pode ter sido atribuída a pessoas diferentes. Achei o livro muito interessante até porque gosto de usar estas frases clássicas e considero uma lacuna grave no meu conhecimento usar frases sem saber de onde vieram. Não sei se o livro ainda é vendido mas é  muito interessante. Talvez se encontre em bibliotecas públicas, por exemplo.

É muito difícil escolher uma destas frases para ilustrar este post. Vou optar por uma que não conhecia mas que me parece um exemplo de humildade e sentido autocrítico:

"Ninguém é herói para o seu criado de quarto

Em relação à literatura e às artes em geral, é frequente dizer-se, para se salvaguardar o talento ou mesmo a genialidade dos criadores, que o importante é conhecer a obra e não o autor e a sua vida. Deste modoevidencia-se a noção de que os hábitos quotidianos das grandes figuras, desde que observadas de perto, retiram inevitavelmente brilho ao que elas fazem e representam.

Talvez por isso a famoxa cortesã francesa Madame de Sévigné tenha escrito numa das cartas da sua profusa correspondência: 《Não existe um grande homem para o seu criado de quarto.》Com efeito, quem conhece de muito perto o adormecer e o despertar do seu amo, as suas baixezas e contradições morais, as traições e os ódios que lhe pontuam a vida, dificilmente pode admirar sem limites aquele que serve.

A frase, pela sua carga crítica e pela profundidade psicológica, foi entretanto utilizada por estadistas e escritores. Luís II de França, ao ser bajulado pelos seus cortesãos, terá respondido algo do género: 《Se assim achais, ide perguntar ao meu criado de quarto.》"

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