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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

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Desafio de escrita dos Pássaros tema #12

Aqueles pássaros não se calam

Charneca em flor, 29.11.19

Junto à minha janela existe uma árvore em cuja copa frondosa se abriga um Bando de Pássaros. Não param de chilrear durante todo o dia. Assim que nasce o sol já se consegue distinguir a sua alegre conversa. Estas aves barulhentas foram chegando a pouco e pouco, pé ante pé, ou melhor, asa ante asa. Quase que não dei por eles. Primeiro veio um, depois outro e mais outro. Nessa altura já faziam algum barulho mas tolerava-se. Só que depois apareceram mais uns quantos e foram-se espalhando pelos vários ramos daquela grande árvore. E não se calam. Assim que se sentem os primeiros raios de sol, começam naquela conversa de passarinhos que só eles entendem e continuam por toda a jornada.
Já não é só na “minha” árvore que se acolhem Pássaros. Nas últimas semanas, tenho reparado que as árvores vizinhas também estão repletas de vida. Este jardim transformou-se num verdadeiro condomínio de animais voadores.
Quando tenho tempo, gosto de ficar a observá-los. Não ficam o tempo todo pousados nos ramos. Às vezes saem por aí a voar mas nunca se afastam durante muito tempo. No momento em que regressam, o barulho aumenta. Imagino que descrevam, uns aos outros, as maravilhas que encontraram no caminho.
Tal como eu os observo, desconfio que eles também reparam em mim. Os voos destes Pássaros passam cada vez mais perto da minha janela. Já apanhei um ou outro a espreitar, atrevidamente, cá para dentro. Uma vez deixei um livro pousado no parapeito. Ao voltar, reparei que um dos Pássaros olhava fixamente para as páginas abertas, coscuvilhando aquilo que eu estava a ler. Sempre que estou a ler junto à janela, esse mesmo Pássaro pulula por ali. Se calhar, gosta de livros. Essa avezinha leitora é das que vive na “minha" árvore há mais tempo. Foi a primeira a chegar. Sim, eu consigo distingui-los uns dos outros. Para mim, não são animais irracionais, são amigos que me fazem companhia.
O Inverno está quase a chegar e sei que, mais tarde ou mais cedo, eles partirão para paragens com temperaturas mais amenas. Ainda não se foram embora e eu já estou com saudades da alegria que trouxeram à minha rua. É verdade que há dias em que eu não consigo ouvir os meus próprios pensamentos porque eles não se calam mas não sei como é que vou enfrentar os dias cinzentos sem este chilreio.

 

E o desafio da escrita continua aqui

Desafio de escrita dos Pássaros tema #9

Como é que eu vim aqui parar?

Charneca em flor, 08.11.19

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Sinto a luz do sol a bater-me nos olhos mas não tenho vontade nenhuma de os abrir. A cabeça está a latejar intensamente. Porque é que me esqueci de fechar as persianas? Que barulho é este? Gaivotas?! O melhor é abrir os olhos para perceber de onde vem este som. 

Lentamente lá vou levantando as pálpebras. Olho à minha volta e não percebo onde estou. É surreal. Como é que é possível acordar numa praia deserta com gaivotas a sobrevoarem-me?! Só pode ser um sonho ou um pesadelo.
De repente, sinto um arrepio de frio e é nesse momento que eu me apercebo que estou completamente nua. Não é possível que isto seja verdade. Vou beliscar-me. Ui, não estou a dormir, estou bem acordada.
Começo a sentir-me cada vez mais nervosa. Como é que eu vim parar a esta praia toda nua?! Pensando bem, também não me lembro da noite de ontem. Deixa-me cá puxar pela cabeça. Então, pedi para sair mais cedo do trabalho. Fui a casa para me mascarar de zombie porque ia a uma festa de Halloween. Chamei um Uber porque não dava jeito conduzir mascarada. E depois, o que é que aconteceu? Será que bebi assim tanto? Juro, se me livrar desta situação, nunca mais toco numa gota de álcool.
O meu estômago já está a roncar. Estou cheia de fome. Olho em volta. Que sorte, está ali uma bananeira. Vou ver se consigo chegar às bananas. Consegui. Que boas, a fome é o melhor dos temperos.
Mas o que é aquilo ali? Uma caixa? Vou ver o que tem dentro. Que papel é este?

“Benvinda à Ilha dos Pássaros. Esta é uma ilha deserta e tu aceitaste o Desafio dos Pássaros. Este desafio consiste em viveres aqui durante uma semana sem outra companhia que não seja a tua própria companhia. A ideia é aprenderes a viver, apenas e só, com o que é essencial. Nesta caixa encontras um mapa para uma fonte de água doce que existe no centro da ilha. Também colocámos aqui uma cana de pesca para ser mais fácil alimentares-te. Este mar ė rico em peixe por isso não será complicado. Também está aqui um foguete sinalizador mas só poderás usar em caso de perigo extremo. Se for mal usado, o castigo dos Pássaros será implacável…”


Não consigo ler mais. Estes Pássaros são terríveis. Mas porque é que eu fui aceitar este Desafio?

 

Cá está o meu texto para o Desafio de escrita dos Pássaros. Mais um tema refinado . Achei a vingança muito suave, Osapo .