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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Desafio de Escrita dos Pássaros 3.0

Caramba, quase que conseguia!

Charneca em flor, 18.06.21


Eis que chegou, finalmente
A encomenda tão ansiada
Demorou, francamente
Até andava agoniada

Tenho o coração acelerado
Tal é a minha expectativa
Pelo conteúdo imaginado
Na minha mente criativa

É agora, o saco vou abrir
Ai, que não consigo
Um golpe vou desferir
Para descobrir o artigo

Por agora, está preso
Vou buscar uma faca
Para este pacote coeso
Cortei-me, estou fraca

O sangue começa a correr
Mas nada acontece
Não mais o que fazer
Isto já me enlouquece

Talvez esta tesoura
Me possa ajudar
Mas que grande loucura
Já não consigo lidar

Ufa, será que vou tê-la?
A encomenda resistente
Espero conseguir protegê-la
De atenção é carente.

 

A brincadeira,desta vez, é em forma de verso para responder ao Desafio dos Pássaros.

Desafio de Escrita dos Pássaros 3.0

Não aguento mais contigo!

Charneca em flor, 04.06.21

A mulher estava sentada à sua secretária diante do ecrã em branco do seu velho portátil. O seu cérebro divagava tentando encontrar o fio condutor para a história que queria escrever. No entanto, as palavras escapavam-se-lhe por entre as circunvoluções do seu cérebro. Todas as ideias que lhe surgiam, pareciam estapafúrdias. Numa vã tentativa de busca pela inspiração, levantou-se e olhou para a rua através da sua janela. As pessoas afadigavam-se no seu caminho para o trabalho, fosse a pé ou de carro.

Apesar de ser dia de trabalho para os outros, Maria estava em casa, de folga. Aquele dia parecera-lhe o ideal para compôr o texto a que se comprometera mas as palavras certas teimavam em fugir-lhe.

De repente, soube aquilo que iria escrever. Voltou a sentar-se à secretária e começou a bater nas teclas, furiosamente, como se temesse que a inspiração lhe voltasse a escapar. O exercício de escrita correu de feição até surgir uma palavra começada pela letra “F". O teclado do ultrapassado computador portátil funcionava pior a cada dia que passava. De vez em quando, uma letra ou outra deixava de funcionar mas, naquele momento, o “F" começou a funcionar desalmadamente tornando várias linhas do seu texto numa sucessão de “F's". Irritada, ela apagou as letras repetidas e voltou a tentar escrever o texto fantástico que tinha na cabeça. E os “F's" voltaram a surgir. Ela apagou-os de novo. Tentou arranjar um sinónimo para a palavra que pretendia escrever para tentar escapar à letra exasperante. Com alguma atenção conseguiu não tocar na tecla proibida. A inspiração voltou a conduzir as suas mãos e ela deixou-se ir. Tão envolvida estava pelas palavras que se distraiu e voltou a tocar no tal quadradinho de plástico. E os malvados “F's voltaram a encher a página.

Sem mais paciência para aquele traste, gritou:

- Não aguento mais contigo! – afirmou, enquanto o atirava para longe.

O pobre portátil embateu na parede e desintegrou-se, espalhando teclas, pedaços de ecrã bem como todos os outros componentes que o constituíam.

Ela apercebeu-se, imediatamente, de que a sua impulsividade lhe tinha arranjado um grande problema. Como é que ela ia terminar o desafio proposto pelo Desafio de Escrita dos Pássaros sem o seu velhinho computador?! Já não funcionava muito bem mas era o único que tinha.

 

Mais uma brincadeira escrevinhadora respondendo a este Desafio.

Desafio de Escrita dos Pássaros 3.0

Afinal havia outro... fogão

Charneca em flor, 21.05.21

A chave rodou na fechadura com alguma dificuldade o que não me surpreendeu. Afinal, aquela porta já não devia ser aberta há anos.

Durante muito tempo não fui capaz de entrar na casa da minha avó onde passei os momentos mais felizes da minha infância. Mas desde dia negro da “zanga", nunca mais vi a minha avó. Os meus pais levaram-me para longe, cresci e fui-me esquecendo desta pessoa que tanto me amou. Só que ela nunca se esqueceu de mim deixando a sua casa como herança. O meu coração foi invadido pela culpa por ter deixado que a minha avó partisse sem sentir, novamente, o meu abraço e levei anos a decidir voltar aqui.

Depois de algum esforço , lá abri a porta para poder entrar. Logo ali, na entrada, fiquei envolvida, dos pés à cabeça, em teias de aranha. Encontrei uma janela que estava tão perra como a porta. Abri-a permitindo que a claridade do dia iluminasse aquele cenário desolador. Os móveis estavam protegidos com lençóis velhos e plásticos mas, em cima deles, repousava uma espessa camada de pó.

Continuei a explorar a casa da qual me recordava vagamente. Quando encontrei a cozinha, lembrei das muitas horas que passava com a minha avó a cozinhar. Só que aquela cozinha é-me estranha. Não reconheci aquele fogão ou aquela bancada por mais que rebuscasse na minha memória. Não consegui visualizar a minha avó naquele espaço. Talvez a cozinha tivesse sido remodelada.

Olhei através do vidro baço da janela e reparei numa outra construção diante da cozinha. Por coincidência, ou talvez não, ao lado da porta estava uma chave identificada com “cozinha do quintal”. Será…

Meia dúzia de passos separavam a casa principal daquele anexo. Assim que me aproximei, senti-me invadida por uma sensação de conforto. Estranhamente entrei, com relativa facilidade, e comigo entraram também os raios de sol que fizeram brilhar algo que se encontrava em frente da porta. Foi então que o vi, tão reluzente como se fosse novo, o fogão a lenha da minha avó. Só nesse instante é que as recordações regressaram em catadupa. Senti a presença da minha avó visualizando-a enquanto mexia os tachos confeccionando comida reconfortante que me enchia o estômago e a alma. Caí de joelhos diante do fogão a lenha da minha avó e chorei pelo tempo irrecuperável que passei longe dela. 

Pela porta entrou uma brisa que me abraçou e enxugou as lágrimas. Só podia ser a minha avó. Finalmente reconciliei-me com o passado e resolvi começar a limpeza pela maravilhoso fogão da minha avó. Só faltava aprender a cozinhar ali e assim honrar-lhe a memória, entre tachos e tachinhos.

 

Aqui está a minha resposta ao Desafio dos Pássaros.

 

Desafio de Escrita dos Pássaros 3.0

Tema 1 - Foi o que ouvi

Charneca em flor, 07.05.21

Pela fresca da manhã, a Ti Catrina varria a rua à frente da sua porta. “ Quando o presidente da junta passar por aqui tenho que lhe dizer que os varredores de rua nunca põe cá os pés, quanto mais a vassoura”, pensava ela enquanto manejava a sua. Com o barulho que fazia, nem ouvia os passos arrastados que se aproximavam:

- Bom dia, Ti Catrina. Anda varrendo?

A outra deu um pulo assustada.

- Ai, comadre, que a vi. Já lhe punha os olhos em cima há que tempos. Tem estado doente? me diga que apanhou aquela maleita que veio da estranja.

- Cruzes, credo. Nem me fale nesse bicho. O meu filho se cala com isso. Sempre a dizer que tenho que me meter em casa. Se ele sonha que eu saí, vai ficar azedo como um limão.

- Os meus filhos são iguais. Sempre em fezes por causa desse conovírus ou como é que se chama essa coisa. Então e onde vai a Ti Jaquina? Ao médico?

- Ao médico?! O posto médico está sempre fechado. sei onde se meteu o doutor. Ando aqui com umas dores no lombardo há um ror de dias.

- No lombardo?! será na lombar?!

- É isso, é. Até fui ali à doutora da farmácia e ela deu-me uns pusitórios e uns emplastrios mas estou nada melhor. Disseram-me que há ali um endirêta na rua de baixo que é mûta bom.

- Um endirêta aqui na terra?!

- A Ti Maria Carraça diz que apareceu aí, vindo lá de Lisboa com a filha do falecido Ti Chico da Fonte. Estão a viver na casa do falecido. Diz que vão arranjá-la. A cachopa disse à Ti Maria que estavam fartos de Lisboa e com medo do conovírus e fugiram para cá. Só que a Ti’Anica diz que fugiram doutra coisa.

- Atão e como é que ela sabe?

- A Joana que trabalha na televisão, a filha da Ti’Anica, conhece bem a cachopa do Ti Chico. Diz que foi uma escâdaleira. Fugiram de Lisboa para se amigarem.

- E fugiram de quê?

- Atão não se alembra? A cachopa era casada com um figurão da política com muito mau feitio. Mas a Ti’Anica diz que isso nem foi o pior. O tal endirêta é muito mais novo do que ela e namorava a neta do Ti Chico. A cachopita anda a estudar nessas medicinas novas, alternadeiras ou como é que se chamam.

- Grande pouca vergonha. Então e a Ti Jaquina vai-se meter na casa de gente dessa?

- Ó comadre, desde que passem as dores… quero lá saber em que cama é que o hôme se deita. Se ele afagava a mãe e a filha deve ter muito jeitinho naquelas mãos.

E a Ti Jaquina lá seguiu o seu caminho. A Ti Catrina?! Foi bater à porta da vizinha para lhe contar a sem vergonhice que se passava na casa do Ti Chico.

 

P.S. - Como é Primavera, a passarada voltou a voar através da escrita. Não podia deixar de responder ao desafio deste pardalito. Este tema levou-me às conversas que ouvia quando ia ao Alentejo na minha infância mas também me inspirei nas palavras engraçadas que ouço lá na farmácia. Não é uma obra-prima da literatura mas espero que se divirtam.

 

P.S.2 - tinha-me enganado na hora da publicação. Reposto.

Desafio dos Lápis de Cor #branco

Epílogo

Charneca em flor, 14.04.21

Sofia olhava pela pequena janela do avião. Lá fora, um mar de nuvens brancas. Apetecia-lhe ir lá para fora e lançar-se para aquela imensidão branca e fofa. A sua editora dormia a sono solto na cadeira ao lado. Ambas iam a caminho do Brasil para um festival literário. O seu livro tinha feito o pleno ao ser muito elogiado pela crítica e também muito bem recebido pelos leitores. Nunca poderia ter imaginado um percurso assim para o seu primeiro romance. Aquela viagem tinha sido tão inesperada porque nunca poderia esperar que a convidassem a ela, uma perfeita desconhecida, para participar num evento daqueles.

Por outro lado, Sofia começara a busca incessante por uma nova história que fosse tão boa como a do seu primeiro romance, ou melhor, se possível. Quando um primeiro romance tem um sucesso muito grande, o bloqueio da folha branca é assustador. Sofia tinha medo de não ser capaz de escrever mais nenhum romance. Assoberbada com os seus compromissos, sentia que a torneira da inspiração se tinha fechado. E estava tão perra que não parecia possível abri-la novamente.

Aliás, a sua própria vida era uma página em branco e ela não sabia que caminho que seguir. Dedicar-se a tempo inteiro à escrita? Continuar a trabalhar e escrever nas horas vagas? Escrever o livro que, agora, a enchia de glória não fora assim tão fácil como lhe parecera ao início. Para chegar ao resultado final foi preciso trabalhar muito para chegar ao resultado final. Seria ela capaz de viver da escrita?!

Como se este dilema não fosse suficiente, Tomás reaparecera na sua vida. Também ela se apaixonara por ele, outra vez. Não com a inocência da juventude mas com a intensidade de mulher adulta. Nas últimas semanas, tinham estado juntos sempre que as respectivas ocupações permitiram. Ela tirara férias para se dedicar à promoção do livro mas esse tempo estava a esgotar-se. Em breve ela teria que voltar a Bruxelas onde trabalhava. Antes de Sofia embarcar, tinham tido uma discussão sobre relações à distância e o tema ficara em standby. Tomás tinha um filho e não o queria nem podia abandonar como a mãe fizera. Não podia largar tudo e ir viver com ela para Bruxelas se ela continuasse lá. Sofia estava tão habituada a viver sozinha que a hipótese de voltar para Portugal e ir viver com o Tomás e tornar-se madrasta, essa palavra horrível, de um adolescente a assustava de sobremaneira.

Apesar do turbilhão que ia na sua cabeça, lá adormeceu até ao fim da viagem. O sono foi agitado enquanto sonhava com folhas brancas que a soterravam não a deixando respirar.

Horas depois, chegaram ao destino e instalaram-se no hotel. A editora convidara-a para jantar mas a viagem deixara-a indisposta. Preferiu ficar no quarto e aproveitar para enfrentar a folha em branco, corajosamente. Mas antes, aproveitando a internet fornecida pelo hotel, foi ver o email e, dom surpresa, encontrou um email de Tomás. Com o coração acelerado e com medo que ele quisesse pôr um ponto final na relação daquela forma, abriu-o.

As palavras de Tomás comoveram-na até às lágrimas e lembrou-se daquele bilhete que ele lhe atirara à varanda há tantos anos:

“Meu amor,
A vida ensinou-me que devemos lutar por aquilo em que acreditamos. E eu acredito no nosso amor. Já me arrependi muito por não ter reagido da melhor forma quando éramos jovens e ter permitido que te afastasses de mim sem fazer nada para compreender o que se passava contigo. Não posso, nem quero, perder-te outra vez.
Estou a escrever-te a conselho do meu filho. Sim, o meu filho adolescente é o meu melhor conselheiro. Sabes o que ele me disse quando lhe contei a nossa história e os nossos dilemas?
《“Papá, se gostas assim tanto dela, não a deixes fugir. Se tiverem que viver à distância e tu tiveres que viajar com frequência para estar com ela, faz isso. Não te preocupes comigo. Tu és o melhor pai que eu poderia ter tido. Não me estarás a abandonar. Eu nunca irei sentir isso, papá. Nunca te vi tão feliz. Tens esse direito. Mas a Sofia também tem o direito de ser feliz. E se para isso for necessário que ela mantenha a sua independência, pois que seja assim. E tu só tens que aceitar. Moderniza-te, paizão. Já lá vai o tempo em que as mulheres deixavam tudo para seguir um homem.》

E não é que o meu filho tem razão?! Eu estou disposto a fazer a minha parte nesta relação e vivê-la segundo os teus termos. Se decidires continuar em Bruxelas, eu vou apoiar-te e vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que a nossa relação à distância funcione. Se voltares a Portugal mas preferires ter a tua casa, eu também aceitarei. Confesso que será difícil mas não se pode prender uma borboleta. Ela só será feliz se voar livre.Eu quero construir algo contigo. Não te posso perder outra vez. Qual será o edifício que resultará, não sei. O futuro o dirá.
Amo-te muito e apetecia estar aí contigo e cobrir-te de beijos.”

O coração de Sofia continuava acelerado. Quando se despediram, Tomás voltara a insistir para que ela fosse viver com ele e com o filho. Não o imaginava capaz de escrever aquelas palavras. Se ele estava disposto a ceder e se tinha criado um filho com aquela clarividência, valia a pena dedicar-se aquele amor. Não sabia o que iria resultar dali mas estava decidida a descobrir.
A folha branca da sua vida começava a encher-se de palavras. Agora só lhe restava continuar a escrevê-la, a quatro mãos ou quem sabe a seis. Talvez fosse engraçado ser madrasta daquele miúdo.

 

Fim

Participam neste Desafio da Caixa de Lápis de Cor da Fátima Bento, as brilhantes ConchaA 3a FaceMaria AraújoPeixe FritoImsilva, Luisa de SousaMariaAna DCéliaGorduchitaMiss LollipopAna MestreAna de DeusCristina Aveirobii yue, os brilhantes  José da Xá e João-Afonso Machado.

Agora também com a participação especial da nobreza na pessoa a talentosa e divertida Marquesa de Marvila

 

Obrigada por me acompanharem nesta aventura.

Desafio dos Lápis de Cor #castanho escuro

Apaixonei-me por ti, outra vez

Charneca em flor, 07.04.21

Lentamente, Sofia foi despertando ao sentir o seu corpo tocado pela luz da manhã. No ar pairava um delicioso aroma a café acabado de fazer. Confusa, olhou em volta sem se aperceber bem de onde estava. Ao seu lado esquerdo, um jovem adolescente sorria-lhe, encerrado na sua moldura.

De repente, as lembranças surgiram em catadupa. O reencontro com o seu primeiro amor tinha despoletado uma inundação de emoções que ela julgava devidamente enclausuradas como água numa represa. Quando Tomás lhe estendeu o livro para que o autografasse foi como se as comportas do seu coração se abrissem e deixassem correr as recordações da adolescência.

No final da sessão de autógrafos, Sofia sentiu que Tomás era como um magnete que a atraía e ao qual ela não conseguia escapar. Na verdade, também não fez muito esforço para o evitar. Inevitavelmente, saíram juntos com a intenção de tomarem um café e recuperaram os anos que tinham passado.

Ambos falaram das suas vidas. Sofia partilhou o seu percurso universitário, a experiência do Erasmus e o seu trabalho em vários países da Europa. Ambos soltaram gargalhadas com as histórias caricatas que Sofia contavam com muita graça. Ela falou, também, da aventura de ter saído da sua zona de conforto para escrever um livro e da coragem que teve que ter para o mostrar a alguém. Tomás, a medo, falou-lhe da sua relação turbulenta com Ana, de como tinham sido pais tão cedo o que o levara a abandonar a faculdade no 1° ano para começar a trabalhar.

A conversa corria tão agradável e escorreita que se prolongou para um jantar à beira-mar, na mesma praia onde tinham passado os últimos momentos juntos. A magia daquele lugar, ao entardecer, reacendeu a química que havia entre eles tornando o ar que os rodeava electrizante.

Emocionado, Tomás pegou-lhe e pediu perdão por, no passado, não ter lutado pelo amor que sentia por ela. Quando ela acabara o namoro sem grandes explicações, ele sentira-se rejeitado. Esse sentimento acabara por conduzi-lo para os braços de Ana com quem vivera um amor obsessivo, mais baseado na atracção física do que na comunhão de almas. Uma relação que acabara, repentinamente, quando o filho de ambos tinha 3 anos porque Ana o abandonou, não tinha sido talhada para a vida familiar. Sofia, pela sua parte, desculpou-se por não lhe ter explicado a razão que a levara aquela atitude e lamentou que a relação dele não tivesse durado.

Sofia e Tomás estavam tão satisfeitos na presença um do outro que mal tocaram na comida. No fim do jantar, de mãos dadas, caminharam pela praia enquanto as ondas lhes beijavam os pés descalços. Instalou-se um silêncio aconchegante entre os dois. A brisa fez com que os braços nus de Sofia se arrepiassem. Tomás acariciou-a para a aquecer. Quase que era possível ouvir o bater sincronizado dos seus corações. O beijo que trocaram incendiou-lhes os corpos e não mais se desligaram. Completamente hipnotizados um pelo outro, mal conseguiram chegar a casa de Tomás para darem largas à paixão que estivera aprisionada durante tantos anos.

Já completamente desperta, Sofia descobriu uma t-shirt de Tomás e vestiu-a para descobrir de onde vinha o aroma a café. Chegou à cozinha sem fazer barulho e surpreendeu Tomás, de costas para a porta, a preparar um tabuleiro com um belo pequeno-almoço. Para não estragar a surpresa, voltou para o quarto.
Alguns minutos depois, ele entrou no quarto com um tabuleiro recheado com apetitosas iguarias.

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Imagem daqui

- Oh, já acordaste?! – Tomás deu-lhe mais um beijo apaixonado enquanto tentava pousar a comida. Já perdera a conta de quantos foram. Parecia que, num dia, lhe queria dar todos os beijos que não lhe dera nos últimos 15 anos.

- Tu não existes. Eu mereço isto tudo?! Cheira tão bem a café. E o que é isto? Um croissant de chocolate?! – descobriu ela deliciada.

- Ainda me lembro de que eras viciada em chocolate. Espero que continues a gostar. 

Enquanto saboreavam, com gosto, a comida preparada por Tomás, iam trocando carícias. Era como se aquele tempo todo não tivesse passado e voltassem a ser adolescentes.

- Sabes, Sofia, ontem quando te vi tão segura e maravilhosamente bela, apaixonei-me por ti outra vez. Agora que te encontrei, não mais te perderei de vista.

Sofia ouviu aquelas palavras enquanto bebia aquele delicioso líquido castanho muito escuro. O seu coração derreteu-se. As últimas horas tinham sido intensas e felizes mas não tinha a certeza de que estava disposta a abdicar da sua independência para deixar o passado voltar à sua vida.

 

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Desafio dos Lápis de Cor #vermelho

Charneca em flor, 31.03.21

15 anos depois

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Sofia dava os últimos retoques no seu visual. Enquanto olhava a sua imagem reflectida pelo espelho, meditava no percurso que fizera até chegar ali.

Embora visitasse os pais com frequência, há muito que deixara de viver com eles. Quando entrara para a faculdade, fora viver com a tia Rosário. Ao libertar-se do amor sufocante dos progenitores, tornara-se numa jovem completamente diferente. A pouco e pouco foi fazendo novas amizades e embrenhou-se a vida universitária. Continuava a ser uma aluna de excelência o que não impedia de ir às festas. Tal como qualquer outra jovem, conheceu um ou outro rapaz com quem namorou. De vez em quando pensava que tinha encontrado o amor da sua vida mas, quando as coisas não corriam de feição, voltava a pensar em Tomás. Mesmo sabendo que cada um deles tinha escolhido o seu próprio caminho.

Embora fosse alguns fins de semana a casa, não tinha o hábito de conviver com os antigos colegas . Apenas se encontrava com Helena. Fora assim que seguira, à distância a vida de Tomás. Por ironia do destino tinha acontecido com Ana e Tomás aquilo que os seus pais tinham temido que acontecesse consigo. Ana e Tomás tinham sido pais de um menino, antes de completarem 20 anos.

Os livros e a escrita continuaram a fazer parte da sua vida embora a sua formação nada tivesse a ver com literatura. Aliás, andava sempre com um caderno onde apontava os seus pensamentos, aquilo que lhe ia acontecendo, as histórias que nasciam no seu íntimo, os seus poemas… A sua colecção de cadernos era famosa entre os seus amigos mas não os mostrava a ninguém.

No seu último ano de faculdade, participara no programa Erasmus e viajara até Milão. A experiência de viver no estrangeiro foi tão enriquecedora que, com um interregno para fazer os exames para finalizar o curso, nunca mais deixou de trabalhar no estrangeiro. Depois de viver e trabalhar países europeus, sentiu-se preparada para realizar um sonho antigo, escrever um livro. Durante 2 ou 3 anos, todos os tempos livres eram ocupados a escrever e a estruturar a sua história. Nada disse à sua tia Rosário porque ela tinha amigos na área editorial. Aquilo que conseguisse, seria por si, pelo seu talento. Sofia tornara-se uma mulher segura e decidida, apostada a vencer fosse em que área fosse graças ao seu esforço.

E foi esse propósito que a conduzira aquele momento preciso da sua existência. Submetera o seu manuscrito a um prémio literário destinado a jovens escritores desconhecidos com menos de 35 anos. Com surpresa, viu o primeiro prémio atribuído ao seu romance. Quando a organização lhe perguntou pelo melhor lugar para receber o prémio e lançar o seu livro, viu nisso a melhor oportunidade para fechar um círculo e voltar à pequena cidade onde crescera.

Sofia sorriu ao olhar naquilo que o espelho lhe devolvia. Naquele dia, ela seria o centro das atenções e com aquele vestido vermelho-sangue sentia-se segura e poderosa, bem diferente daquela adolescente que quase se colava às paredes para que ninguém desse pela sua presença.

Um toque de baton, igualmente, vermelho e estava pronta para o seu momento de glória.

O auditório municipal onde a cerimónia ia decorreu estava à cunha. Toda a gente queria ver a filha da terra. Na primeira fila, os pais e a tia distribuíam sorrisos para a direita e para a esquerda.

A cerimónia decorreu com os elogios da praxe e os discursos emocionados habituais naquelas ocasiões. De seguida seria a sessão de autógrafos. Sofia perdeu a conta a quantos livros assinou e quantas pessoas cumprimentou. A mão já estava dormente mas não queria defraudar as expectativas de quantos ali tinham vindo. Então, viu-o. Levantara a cabeça para perceber se ainda restavam muitas pessoas e reparou num homem que lhe parecia familiar. Era alguém que segurava o seu livro aberto, como se já estivesse a lê-lo enquanto esperava. Sentindo-se observado, ele levantou os olhos do livro e cruzou o seu olhar com o de Sofia. Aqueles olhos cor de avelã eram inconfundíveis, não podia ser outro. Tomás aguardava o seu autógrafo. Nesse momento, Sofia sentiu-se ruborizar ao ponto do seu rosto reflectir o tom do seu vestido. O rosto ardia de tão vermelho que devia estar. Naquele instante, voltou a ser a adolescente tímida que era há 15 anos.

 

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Desafio dos Lápis de Cor #verde-claro

Verde, claro como água

Charneca em flor, 24.03.21

Sofia nem conseguia acreditar quando se apercebia como o seu estado de espírito, e a sua vida, tinham mudado nas últimas semanas. Mais precisamente, desde que tinha conversado com a sua tia Rosário na sua praia preferida.

A irmã mais nova da mãe de Sofia era uma pessoa muito especial. Rosário era alegre, optimista e cheia de estilo o que a tornava numa espécie de ídolo para a sua sobrinha. Possuidora de uma mente brilhante, era professora universitária e investigadora na área da biologia. Completamente dedicada ao seu trabalho, nunca tinha casado nem tivera filhos e, talvez por isso, era muito ligada à sobrinha. Aliás, a maneira de ser de Sofia recordava-a da sua própria juventude, sempre embrenhada nos livros. Quando se apercebeu da situação que se vivia na casa da irmã, achou que tinha que fazer qualquer coisa para que Sofia voltasse a sorrir.

Depois de conversarem durante horas – ficaram na praia até ao início da noite – Rosário começou a delinear o seu plano para que a querida sobrinha voltasse a sonhar e a ter esperança num futuro risonho. Primeiro teria que servir de moderadora da conversa entre Sofia e os pais. Rosário percebia que, embora de uma forma algo distorcida, a irmã e o cunhado tinham tido as suas razões para terem sido tão rígidos quando perceberam que a sua “bebé” crescera e se transformara numa jovem apaixonada. A mãe da jovem tinha, apenas, 18 anos quando Sofia nascera. Embora nunca se tenham arrependido de ser pais – amavam a filha, profundamente – não queriam que a filha passasse pelo mesmo e tivesse que desistir dos seus sonhos. Rosário conseguiu que cada um deles abrisse o coração e falasse abertamente das suas preocupações e mágoas. Uma conversa que durou pela noite ajudando a colocar os tijolos que permitiriam que a relação da jovem e dos pais se reconstruísse com amor e sinceridade.

Devido ao seu projecto científico, Rosário ia passar grande parte do Verão em trabalho de campo. Apesar de também ser uma leitora compulsiva, Rosário percebeu que Sofia precisava de sair do seu quarto, da sua casa, da sua cidade e alargar os seus horizontes. E foi assim que a ideia de Sofia acompanhar a sua tia no seu trabalho de campo começou a ganhar forma. Sofia nem precisou de pensar muito para aceitar. A última coisa que queria fazer era passar ali os meses das férias grandes. A sua amiga Helena evitara contar-lhe mas acabara por ter que lhe dizer que Tomás começara a namorar com Ana. Mesmo saindo pouco, Sofia não queria correr o risco de se cruzar com aquele casalinho. Não conseguiria disfarçar que ainda chorava por ele.

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Imagem daqui

E foi assim que, ao lado da sua tia, fizera a sua primeira viagem de avião para a acompanhar aos Açores. Assim que vira as ilhas a partir do avião, tão verdes e repletas de uma natureza quase selvagem, ficara deslumbrada com tanta beleza.
Naquele momento, Sofia integrava um grupo de colegas da tia, cientistas como ela, que aproveitava uma folga no trabalho de investigação para conhecer a ilha. O guia levara-os a um miradouro de onde se tinha uma visão perfeita para Lagoa das Sete Cidades. Uma paisagem perfeita, de um lado azul, do outro verde- água, duas lagoas formadas pelas lágrimas da princesa e do pastor cujo amor também tinha sido proibido.

Envolta na claridade daquele verde luxuriante, e depois de ouvir a lenda da Lagoa das Sete Cidades, Sofia resolveu que já chegava de tristezas. Ela, ao contrário da princesa da lenda, não iria continuar a chorar pelo seu amor perdido. Já lá diz o povo, o verde é esperança. E essa cor , dominante na paisagem açoriana, influenciou Sofia em ter confiança nos tempos vindouros. Tinha o futuro todo pela frente. A sua vida seria aquilo que ela fosse capaz de construir. No seu coração nasceu uma certeza, “aconteça o que acontecer, é possível ser feliz".

 

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Agora também com a participação especial da nobreza na pessoa a talentosa e divertida Marquesa de Marvila.

 

Desafio dos Lápis de Cor #amarelo

Dores da alma

Charneca em flor, 17.03.21

Sofia refugiou-se nas palavras para esquecer a morte do seu sonho de amor. Não nas palavras faladas porque a sua voz ouvia-se cada vez menos mas nas palavras escritas. Os livros e os cadernos onde derramava os seus pensamentos eram a sua principal companhia.

A relação com os pais fora abalada com aquela cena dramática em que a proibiram de continuar a namorar com Tomás. O tempo que estava em casa passava-o isolada da família, sozinha no quarto. Mesmo ao fim-de-semana, quando os seus pais planeavam sair para algum passeio em família, fazia tudo para ficar em casa com a justificação de ter que estudar.

A jovem sempre fora tímida e calada mas havia sempre um sorriso a iluminar-lhe o rosto. Mas esse sorriso apagara-se. Até quando fazia um esforço para sorrir, percebia-se que esse gesto não chegava aos olhos. Dia para dia, a sua tez tinha um ar macilento. Era como se a sua chama interior se estivesse a extinguir.

Na escola, continuava a ser uma boa aluna, a melhor, aliás. No entanto, não havia, da sua parte, grande interacção com os colegas. Afastara-se de Ana e, consequentemente, de todo o grupo. Só não estava completamente sozinha porque uma das outras raparigas, Helena, não se importara de deixar de fazer parte do grupo das miúdas fixes. Quando ouviu Ana dizer que a sua relação com Sofia se baseava no interesse, e não na amizade verdadeira, percebera qual era o caminho que queria percorrer. E não passava perto da sua colega mais arrogante. Sofia e Helena passaram a ficar à margem mas apoiaram-se uma à outra.

A sua história com Tomás ficou para trás a partir do momento em que lhe disse, sem grandes explicações, que não se podiam continuar a ver. Tomás não entendeu a razão daquela mudança de atitude, como seria expectável. Tentou argumentar mas Sofia não prolongou a conversa virando-lhe as costas para que ele não visse as lágrimas que teimavam em saltar-lhe dos olhos. Instantes depois, ao chegar à aula seguinte, Ana reparou nos olhos chorosos de Sofia e, a partir desse momento, nada conseguiu apagar o sorriso triunfante de quem vencera a primeira batalha na certeza de que, Tomás, mais tarde ou mais cedo, seria seu.

Os pais começavam a ficar preocupados. “Se calhar, a nossa atitude foi exagerada “ era uma ideia que lhes cruzava o pensamento mas confortavam-se com a certeza de que estavam a fazer o seu melhor, enquanto pais. E, achavam eles, um dia o desgosto de Sofia iria passar.

Mas o que é certo é que viam a filha a definhar, de dia para dia. Foi, então, que receberam uma visita especial, a tia Rosário. Sofia adorava a irmã mais nova da sua mãe e conversar com ela sempre fora um dos seus maiores prazeres.

Rosário demorou poucos minutos a perceber que a casa da irmã estava envolta num ambiente pesado. A tez amarela e adoentada de Sofia deixaram-na preocupada. Assim que pôde, arrastou a sobrinha consigo até à praia já que intuiu que a jovem precisava de se afastar dos pais para lhe contar que dores se escondiam na sua alma. E sol, pés na areia e mergulhos no mar eram o melhor remédio que conhecia para sarar corações doentes e almas feridas.

 

Participam neste Desafio da Caixa de Lápis de Cor da Fátima Bento, as brilhantes ConchaA 3a FaceMaria AraújoPeixe FritoImsilva, Luisa de SousaMariaAna DCéliaGorduchitaMiss LollipopAna MestreAna de DeusCristina Aveirobii yue e os brilhantes  José da Xá e João-Afonso Machado

 

P.S - Lamento desiludir as românticas mas ao percorrermos estrada da vida também encontramos pedras no caminho. Veremos se a nossa heroína consegue ultrapassar os obstáculos.

Desafio dos Lápis de Cor #rosa

A vida em tons de rosa… ou talvez não

Charneca em flor, 10.03.21

Pela manhã, o carro circulava devagar enquanto se aproximava da escola secundária. Sofia seguia em silêncio olhando a sequência de prédios. Mal conseguia abrir os olhos, na verdade. A noite anterior tinha sido passada a chorar.

Quando chegara a casa, depois do idílico fim de tarde na praia, os pais esperavam-na de rosto fechado. A jovem foi sujeita a um interrogatório como se de uma criminosa se tratasse. Nunca, em quase 17 anos de vida, tinha visto os seus pais tão zangados e, muito menos, irados com ela, a filha exemplar. Sofia não resistira muito tempo às perguntas com que os seus progenitores a bombardearam. O relato da sua história de amor, tão doce e puro, transformou-se, aos ouvidos dos seus pais, numa coisa má e sórdida.

Sofia ficou estupefacta quando percebeu que a sua mãe tinha descoberto a sua mentira porque Ana telefonara lá para casa à sua procura. Não conseguia entender porque é que Ana tinha feito tal acto. Seria possível que se tivesse esquecido do que lhe tinha pedido? Dentro da sua cabeça gerara-se uma grande confusão.

Os seus pais proibiram-na de continuar com aquele namoro e Sofia teve que concordar porque o pai ameaçou ir falar com o rapaz. Ela nunca poderia passar por tal humilhação. Para além disso, não estava autorizada qualquer saída que não fosse para a escola ou acompanhada pelos pais. Não passava pela cabeça de Sofia desobedecer aos pais mesmo que fosse por amor. Nunca seria forte o suficiente para lhes fazer frente.

Não foi capaz de jantar e deitou-se assim que pôde. Mas pressentiu que o sono não iria chegar nessa noite. Nem sabia que era possível chorar durante tanto tempo. Chorara por horas e horas. Pela desilusão que dera aos seus pais mas também pela desilusão que ela também tivera com a atitude dos pais para consigo. Apesar de os seus pais serem muito rígidos, nunca imaginara que pudessem ter uma reacção tão violenta perante a sua mentira e sobre a sua descoberta do amor. As lágrimas caiam também pelo fim do seu sonho cor de rosa e por ter que dizer a Tomás que não se poderiam continuar a ver. Nunca mais sentiria a força do seu abraço ou o sabor dos seus beijos. Continuava a não conseguir compreender o que acontecera para a sua melhor amiga lhe ter falhado daquela maneira. Logo a ela que estava sempre a seu lado e que a ajudava em tudo o que podia, apesar de muitos colegas dizerem que Ana se aproveitava do seu bom coração. Caramba, eram amigas. Porque não haveria de a ajudar?

O pai parou o carro à porta da escola e despediu-se dizendo:

- Vê lá como te comportas. Já percebeste que tudo se sabe.

Sofia acenou com a cabeça e saiu do carro em silêncio. Ao levantar a cabeça fez-se luz na sua cabeça. Finalmente, compreendeu que Ana telefonara para sua casa, propositadamente, para a prejudicar. A poucos metros estava Tomás encostado à sua brilhante moto azul-cobalto. Junto dele, estava Ana, insinuante, conversando com ele com um ar apaixonado. Nem reparou se Tomás correspondia à inusitada atenção. Naquele instante, as lentes cor-de-rosa com que via o mundo quebraram-se de forma irremediável.

 

Participam neste Desafio da Caixa de Lápis de Cor da Fátima Bento, as brilhantes ConchaA 3a FaceMaria AraújoPeixe FritoImsilva, Luisa de SousaMariaAna DCéliaGorduchitaMiss LollipopAna MestreAna de DeusCristina Aveirobii yue e os brilhantes  José da Xá e João-Afonso Machado