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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Os versos que te fiz

Charneca em flor, 21.03.19

Deixa dizer-te os lindos versos raros 
Que a minha boca tem pra te dizer! 
São talhados em mármore de Paros 
Cinzelados por mim pra te oferecer. 

Têm dolências de veludos caros, 
São como sedas brancas a arder... 
Deixa dizer-te os lindos versos raros 
Que foram feitos pra te endoidecer! 

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda... 
Que a boca da mulher é sempre linda 
Se dentro guarda um verso que não diz! 

Amo-te tanto! E nunca te beijei... 
E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei 
Guardo os versos mais lindos que te fiz! 

Florbela Espanca

 

Hoje, 21 de Março, é o Dia Mundial da Poesia. E quem melhor para assinalar este dia senão Florbela Espanca, a inspiração para o meu alter ego, Charneca em Flor?

Tenho para mim que ler poesia de vez em quando, ou mesmo, todos os dias devia ser obrigatório por lei. Talvez ajudasse a construir um mundo melhor e com pessoas mais tranquilas.

Se Tu Viesses ver-me, Florbela Espanca

Charneca em flor, 21.03.17

O dia já vai adiantado mas ainda vou a tempo de partilhar um poema neste que é o Dia Mundial da Poesia. Escolhi Florbela Espanca, a poetisa alentejana que me serviu de inspiração ao escolher o meu nickname, Charneca em Flor. O soneto que escolhi pertence, precisamente, ao livro que leva o título de Charneca em Flor

 

Se Tu Viesses Ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

 

Bons poemas, hoje e todos os dias 

 

A Tua Voz de Primavera, Florbela Espanca

Charneca em flor, 21.03.15

Para comemorar o Dia Mundial da Poesia, escolhi este poema da minha poetisa preferida (a ponto de ter inspirado o nome que escolhi para a blogosfera). Aproveitem este início envergonhado da Primavera para ler um bom livro de poesia. Num poema, as palavras tornam-se música, sonho e fantasia

 

 

A Tua Voz de Primavera

Manto de seda azul, o céu reflete
Quanta alegria na minha alma vai!
Tenho os meus lábios úmidos: tomai
A flor e o mel que a vida nos promete!

Sinfonia de luz meu corpo não repete
O ritmo e a cor dum mesmo desejo... olhai!
Iguala o sol que sempre às ondas cai,
Sem que a visão dos poentes se complete!

Meus pequeninos seios cor-de-rosa,
Se os roça ou prende a tua mão nervosa,
Têm a firmeza elástica dos gamos...

Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

Porquê Charneca em flor?

Charneca em flor, 03.02.14

Quando resolvi ressuscitar este blogue, achei que era boa ideia mudar o nickname. Pensei, pensei e cheguei à conclusão que era giro arranjar um nickname relacionado com literatura mas que também tivesse a ver comigo. Charneca em flor reúne essas 2 características. Primeiro Charneca em Flor é o título de um dos livros da minha poetisa preferida, a alentejana Florbela Espanca. Para além disso charneca é um tipo de terreno característico quer do Alentejo, onde estão as minhas origens, quer do Ribatejo onde nasci, cresci e ainda vivo. Logo, Charneca em Flor tem tudo a ver comigo. 

 

Para terminar aqui fica o soneto Charneca em Flor

 

Enche o meu peito, num encanto mago, 

O frêmito das coisas dolorosas... 

Sob as urzes queimadas nascem rosas... 

Nos meus olhos as lágrimas apago... 

 

Anseio! Asas abertas! O que trago 

Em mim? Eu oiço bocas silenciosas 

Murmurar-me as palavras misteriosas 

Que perturbam meu ser como um afago! 

 

E nesta febre ansiosa que me invade, 

Dispo a minha mortalha, o meu burel, 

E, já não sou, Amor, Sóror Saudade... 

 

Olhos a arder em êxtases de amor, 

Boca a saber a sol, a fruto, a mel: 

Sou a charneca rude a abrir em flor! 

 

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

 

 

...

Charneca em flor, 21.03.12

Eu queria mais altas as estrelas

Mais largo o espaço, o sol mais criador

Mais refulgente a lua, o mar maior,

Mais cavadas as ondas mais belas;

 

Mais amplas mais rasgadas as janelas

Das almas, mais rosais a abrir em flor,

Mais montanhas mais asas de condor,

Mais sangue sobre a cruz das caravelas

 

E abrir os braços e viver a vida

quanto mais funda e lúgubre a descida

mais alta é a ladeira que não cansa!

 

E, acabada a tarefa... em paz, contente,

Um dia adormecer, serenamente,

Como dorme no berço uma criança!

                                                          

                                                                      Florbela Espanca

 

 

 

Porque hoje é Dia Mundial da Poesia, deixo-vos um soneto da minha poetisa preferida.

Para mim a poesia é a arte de tornar simples palavras em música literária.