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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

"O meu país inventado", Isabel Allende

Charneca em flor, 15.03.15

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Este livro dormia na prateleira há muito tempo. Comprei num leilão blogosférico já nem sei por quanto. Seja qual tenha sido o preço, o seu valor é enorme ou não se tratasse de uma das minhas escritoras preferidas. Este é um livro biográfico mas biográfico à maneira de Isabel Allende. Resulta mais da nostalgia, da saudade do que da memória. A autora escreveu-o alguns anos depois de ter saído do Chile devido à ditadura militar de Pinochet que governou o seu país durante 17 anos. Ela fala do Chile que recorda e, se calhar, algumas coisas até só fazem parte da sua imaginação. Como ela própria diz:"Escolho o que quero expor para apresentar uma ideia de um Chile que é o que eu quero que apareça". Mais do que um livro sobre o verdadeiro Chile, é, isso sim, um livro sobre o Chile particular de Isabel Allende e também um livro sobre a sua família tão recheada de histórias que ela só precisou de contar essas histórias para criar as fantásticas personagens que povoam os seus livros. Esta obra reverte, como seria de esperar, para outras obras da autora. Mal posso esperar para ler "A casa dos espíritos" ou reler "A filha da fortuna" ou "Retrato a Sépia". Um livro pequeno que se lê facilmente principalmente para quem é apaixonada pela obra desta chilena.

"Tenho uma imagem romântica de um Chile congelado no começo da década de setenta. Durante anos julguei que quando voltasse a democracia tudo seria como antes, mas até essa ideia congelada era ilusória. Talvez o lugar de que tenho saudades nunca tenha existido"

"Paula", Isabel Allende

Charneca em flor, 02.05.12

Este livro já não é uma novidade, antes pelo contrário. A edição é de 1994. Desde que li "A soma dos dias" que desejava ler este. Aliás li-os pela ordem inversa. "A soma dos dias" começa precisamente, onde este termina. "Paula" foi escrito durante 1 ano pela autora durante o tempo em que a filha permaneceu em coma em sequência de uma doença grave que a afectava. Durante as longas horas em que Isabel Allende esperava que a filha acordasse foi escrevendo a sua história de vida e a dos seus familiares mais próximos. Este livro é, ao mesmo tempo, o relato da dor de uma mãe pelo sofrimento da filha e um relato bibliográfico da vida intensa de Isabel Allende que se cruza com a história do seu país, o Chile. Não é um livro fácil porque sofremos com a autora, emocionamo-nos com o amor e dedicação do jovem marido de Paula e participamos da revolta inicial e depois da progressiva aceitação da situação em que Paula se encontra. Apesar de tudo vale a pena ler mas só se tivermos um coração forte. Acredito que haja quem não seja capaz de lê-lo até ao fim.

 

 

"Tento não cair em sentimentalismos, que tanto horror te provocam, filha, mas terás de desculpar-me se de repente me vou abaixo. Estarei a ficar louca? Não dou pelos dias, não me interessam as notícias do mundo, as horas arrastam-se penosamente numa espera eterna. O momento de te ver é muito breve, mas o tempo gasta-me aguardando-o"

 

" Eu pensei então que há séculos imemoriais que as mulheres perderam filhos, que é a dor mais antiga e inevitável da humanidade. Não sou a única, quase todas as mães passam por essa provação, quebram-se-lhes os corações, mas continuam a viver porque têm de proteger e amar aqueles que ficam."