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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

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O Ano do Pensamento Mágico, Joan Didion

Tradução de Hugo Gonçalves

Charneca em flor, 14.06.22

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De vez em quando ouvia falar deste livro e fiquei curiosa porque as opiniões eram muito positivas. Por outro lado, não conhecia esta escritora uma vez que não sou muito entendida em literatura norte-americana. O formato que escolhi foi audiolivro para poder ouvir o livro enquanto fazia caminhadas.

"O Ano do Pensamento Mágico" é uma reflexão sobre a perda, o luto e sobre a maneira como lidamos com a circunstância de nos falecer uma pessoa muito próxima. O marido de Joan Didion, o argumentista John Gregory Dunne, sofre um enfarte quando o casal se prepara para jantar depois de visitarem a filha que está internada devido a uma infecção complicada. Muitos meses depois, Joan Didion debruça-se sobre a dor, relembra os pormenores que rodearam o episódio da morte bem como as recordações da vida que partilharam. Através da escrita, Joan abraça a sua dor, vive o luto e reaprende a viver ao mesmo tempo que acompanha a filha que, durante o ano que se seguiu à morte do pai, sofreu uma série de problemas de saúde muito graves.*

Este livro tocou muitos leitores. Por um lado, quem teve que lidar muito cedo com a partida de alguém, como eu, revê-se naquilo que Joan viveu e percebe aquilo que sentiu, ou que sente até hoje, no momento do luto. Mesmo quem nunca teve que lidar com a morte de alguém próximo, se sente tocado pela forma sincera como a autora se expõe e expõe a sua dor. "O Ano do Pensamento Mágico" é, sem dúvida, um livro muito especial.


"《Trazê-lo de volta》 tinha sido durante meses, a minha missão escondida, um truque de magia. No final do verão, comecei a ver isso mesmo com clareza. 《Ver isso com clareza 》 não me permitia ainda oferecer as roupas de que ele iria precisar.

Em tempos conturbados, e eu tinha sido treinada, desde criança, a ler, a aprender, a
trabalhar, a ir em busca da literatura. Informação era controlo. Tendo em conta que a dor da perda continua a ser a maleita mais comum, a literatura que lhe é dedicada pareceu-me notavelmente escassa."

*Quintana Dunne, filha adoptiva de Joan Didion e John Dunne, acabou por falecer enquanto o livro da mãe estava a ser lançado. Este novo incidente trágico levou Joan Didion a escrever o livro "Blue Nights"