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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Desafio "Uma citação por semana" #9

Charneca em flor, 26.02.18

O distante perde distância quando se vai lá. Os lugares mais longínquos são aqueles onde nunca se esteve. Quando já se foi a um lugar, mesmo que seja preciso atravessar o planeta, fica a saber-se que é possível fazer esse caminho. Deixa de pertencer ao desconhecido sem detalhes, ganha formas imprevistas. Há vida lá como há vida aqui.

                                    José Luís Peixoto, O Caminho imperfeito

Parabéns, JLP

Charneca em flor, 04.09.16

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Hoje é o dia de aniversário de um dos escritores mais brilhantes da sua geração e o meu preferido. Já li quase tudo o que José Luís Peixoto escreveu e não perco as suas crónicas nas várias publicações em que participa. Quando ando de avião pela TAP e pego na revista UP vou logo à procura da crónica dele. Adoro aquilo que ele faz com as palavras desta nossa pátria que é a Língua Portuguesa. Por isso não podia deixar de assinalar os seus 42 anos. Muitos parabéns e que continue a encontrar sempre bons motivos para escrever e histórias para contar. 

 

o tempo subitamente solto

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,

como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,

mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.

eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,

que eu amava quando imaginava que amava.

era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida.

era o teu rosto. era a tua pele. antes de te conhecer,

existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.

muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

 

"Em teu Ventre", de José Luís Peixoto

Charneca em flor, 03.01.16

em teu ventre

No último Natal recebi mais um livro, para além dos que já mencionei aqui, "Em teu ventre" de José Luís Peixoto. Veio de quem eu menos esperava porque é preciso conhecer-me bem para saber que eu sou fã incondicional de José Luís Peixoto. Foi amor literário ao primeiro "Livro". Gosto dos livros e da pessoa, uma simpatia no contacto com os leitores, estrela das sessões de autógrafos da Feira do Livro. Temos referências em comum já que nascemos no mesmo ano e temos raízes alentejanas de terras muito próximas. 

Apesar de ter lido quase todos os livros dele com prazer, este tocou-me de maneira especial. Primeiro que tudo porque fala, de maneira sublime, dos acontecimentos de 1917 que deram origem ao que hoje conhecemos como Santuário de Fátima. Este local faz parte da minha história de vida, vivi lá momentos extraordinários que influenciaram de maneira indelével a pessoa que sou hoje. Depois porque JLP escolheu uma abordagem diferente do que é habitual quando se fala das aparições. Mais do que descrever os acontecimentos recorrendo às personagens envolvidas, JLP centra a acção na relação entre Lúcia e a mãe. A própria maternidade é uma personagem que se nota pelo monólogo de uma mãe em paralelo com a história principal. Será uma representação da mãe do próprio autor?

Outro aspecto importante, e característico da escrita de JLP, é a descrição da vida quotidiana daquelas pessoas simples a quem calhou testemunhar os acontecimentos de Maio a Outubro de 1917. A vida de casa, o trabalho do campo, a ida à missa dominical, o respeito pela autoridade, civil e religiosa, tudo serve para compreendermos a visão de JLP em relação a este fenómeno.

Outro aliciante para ler esta pequena novela de 163 páginas é o facto de estar salpicado de frases maravilhosas em que se confunde uma prosa deliciosa com uma poesia sublime. Para mim, este é um dos livros da minha vida. A ler e a reler com calma para melhor saborear.

"TÃO FRESCA É ESTA BRISA DEPOIS DE UM DIA INTEIRO, tão leve é o seu toque nas cores por fim brandas, desnecessária a urgência por fim. Esta brisa atravessa o ar limpo, faz tremer as folhas prateadas das oliveiras, acende pontos de brilho no granito e passa pelas faces suaves de Lúcia"

"Tudo começa pela/esperança./Antes dos objectos estão os/gestos que lhes dão forma,/antes dos gestos estão/as ideias,/antex das ideias estão/as emoções,/antes das emoções estão/os sentidos,/antes dos sentidos está a existência nua,/ contemplação cega,/memória cega,/antes da existência está/a esperança."

 

Livros presentes

Charneca em flor, 23.12.15

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 As primeiras prendas já chegaram. Estes livros vieram das minhas colegas de trabalho. "A viagem do salmão" junta várias coisas que eu gosto; primeiro une a culinária às viagens e depois 2 dos 3 autores são pessoas que eu admiro muito nas respectivas áreas, José Luís Peixoto e Henrique Sá Pessoa. Com este livro acompanhamos os autores através de uma viagem por Portugal, Noruega e Japão que nos leva a descobrir as rotas do salmão. E a desvendar uma série de receitas deste saboroso peixe. O outro presente, "Pai Nosso" de Clara Ferreira Alves também nos leva, de certa forma, numa viagem. Uma viagem pelo Médio Oriente, as suas particularidades, os seus problemas, o seu confronto com a cultura ocidental. Um tema actual de uma das portuguesas que melhor conhece esta zona. Acho que estes presentes me vão proporcionar bons momentos.

"Galveias", José Luís Peixoto

Charneca em flor, 28.02.15

 

17488927_l6akw.jpgTentando cumprir a resolução de ano novo, decidi ler este livro que estava em espera há algum tempo. José Luís Peixoto é um dos meus escritores preferidos. O primeiro lvro que li dele foi o romance anterior "Livro" e a partir desse fui à procura dos outros livros. José Luís Peixoto é uma figura cativante e intrigante. Não tem a imagem típica de escritor (será que isso existe?) com as suas tatuagens e piercings. Adoro as suas entrevistas na televisão e na rádio e é uma estrela nas sessões de autógrafos. A sua presença na Feira do Livro nunca passa despercebida. É muito, muito simpático e parece gostar de conversar com os leitores o que significa esperar uma eternidade por um autógrafo. Para além dessas qualidades, é da minha geração e cresceu numa terra, Galveias, muito perto da zona onde passei muitos dos verões da minha infância. Quando leio os seus livros mais rurais identifico-me com muito do que leio. Este seu romance não só é fantástico como me transportou 30 anos atrás. Voltei a correr pelas ruas quentes do "nosso" Alentejo. Voltei a ouvir as motorizadas dos meus tios ou do meu pai ao final da tarde. Revi os rostos queimados pelo sol dos  homens e mulheres que regressavam do trabalho ao fim do dia. Na minha opiniâo, é o seu melhor romance. As personagens são maravilhosas e as histórias interligam-se com mestria. Às vezes, escreve com um certa crueza, um realismo extremo que pode ser chocante para almas mais sensíveis. Percebo a necessidade que ele teve de escrever este romance especialmente depois de ter corrido mundo, viajado por países longínquos e improváveis como a Coreia do Norte. No fundo, ele ainda é "o filho do Peixoto da serração e da Alzira Pulguinhas".

A meu ver, "Galveias" é, também, uma forma de não deixar morrer a sua terra natal, neste tempo em que o interior está cada vez mais desertificado. Por isso ele termina assim:

 

"Galveias não pode morrer.

Por todas as crianças que deixaram a infância naquelas ruas,  por todos os namoros que começaram em bailes no salão da sociedade, por todas as promessas feitas aos velhos que se sentavam à porta nos serões de agosto, por todas as mães que criaram filhos naqueles poiais, por todas as histórias comentadas no terreiro, por todos os anos de trabalho e de pó naquela terra, por todas as fotografias esmaltadas nas campas do cemitério, por todas as horas anunciadas pelo sino da igreja, contra a morte, contra a morte, contra a morte, as pessoas seguiam aquele caminho.

Suspenso, o universo contemplava Galveias."

Das Galveias para o Mundo

Charneca em flor, 12.04.12

O primeiro livro ( Livro de seu nome) li a medo. O autor até já tinha muitas obras publicadas mas eu ainda não conhecia nada dele. Fiquei mais curiosa quando li o resumo biográfico já que percebi que tinhamos a mesma idade e que ele tinha nascido no Alentejo, bem perto da zona onde também estão as minhas raízes. Comecei com um dos seus livros mais recentes mas fiquei fã, mais ainda quando, na Feira do Livro do ano passado, tive oportunidade de trocar meia dúzia de palavras com ele e de lhe pedir autográfos nos livros que acabara de comprar. Um escritor que gosta de falar com os seus leitores, de modo simples e humilde e que por isso tinha uma fila enorme de pessoas à espera que não desistiam. Do último livro, fui em busca dos outros e lá fui encontrando as mesmas memórias do Alentejo, as recordações da infância nos idos anos 80 e o talento da sua arte de brincar com as palavras e com a Língua Portuguesa.

Aqui há dias, José Luis Peixoto deu esta entrevista a António José Teixeira na SicNotícias e fiquei a conhecer mais um pouco do seu percurso, da sua história de vida, da sua pessoa... Vale a pena espreitar

Nem só de livros se fazem as minhas leituras.

Charneca em flor, 03.03.12
Há alturas em que apetece ler um livro, seguir uma história de amor ou de suspense e há outras alturas em que apetece ler uns textos mais pequenos e concisos. Nestas alturas há algumas revistas que são indispensáveis. Não me refiro às chamadas "revistas femininas" que também leio, embora já não compre nenhuma revista desse tipo há meses. Uma das minhas revistas preferidas é a "Volta ao Mundo" já que reunir duas paixões, a leitura e as viagens. Na "Volta ao Mundo" recordo locais por onde já passei ou posso descobrir novos destinos giros para futuras viagens.

Este mês, esta revista tem um novo aliciante. Trata-se de uma edição especial já que todos os textos foram escritos por um dos melhores escritores portugueses da actualidade (do qual sou fã incondicional). José Luis Peixoto fala-nos de Miami, Pequim e Moscovo e das experiências que por lá viveu. Escreve como só ele sabe, com o seu jeito especial de contar histórias, acontecimentos, em prosa e em verso. Uma edição a não perder e a guardar  religiosamente.

E, já agora, era bem giro repetir esta experiência com outros autores.

 

 

A estátua pensa em tudo o que acontece à sua volta.

Tantos gestos, tantos passos, tanto movimento

difícil de justificar. As pessoas passam, passam as

pessoas, pessoas, pessoas, passam, passam. Ninguém

sabe o que pensam as pessoas que passam. Talvez

pensem que passam, apenas. Talvez não pensem,

apenas passem. As pessoas a passar, a pensar

ou não. Gestos, passos, movimento e a estátua

no centro exato do seu próprio pensamento.

 

José Luis Peixoto in Volta ao Mundo

sobre Moscovo