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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Autobiografia, José Luís Peixoto

Charneca em flor, 12.02.20

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Este foi o livro com que inaugurei o meu ano literário. Há muito tempo que sigo o trabalho de José Luís Peixoto. Já mencionei aqui que é um dos meus autores favoritos. Sou uma fã quase incondicional. Só assim se explica o facto de já o ter mencionado em 14 posts (!) É por isso que, com conhecimento de causa, afirmo que este é o melhor romance de José Luís Peixoto até à data. A história é brilhante e a execução é magistral. Para além disso, acho que JLP tem uma grande coragem. Ou será um grande descaramento?! Só assim se explica que tenha feito de José Saramago, uma personagem de romance. Relembro que JLP foi o 2o autor a ser agraciado com o Prémio Saramago em 2001. Assim presumo que esta "Autobiografia" seja também uma forma de o autor prestar uma homenagem à influência que Saramago teve na sua própria obra. 

Em "Autobiografia", encontramos um jovem autor, José, que luta para escrever o seu 2o romance quando é convidado para escrever uma biografia do já consagrado José Saramago. Ao longo do romance, os 2 escritores vão-se confundindo de tal maneira que já não sabemos onde termina José e começa Saramago, e vice versa. A estrutura do romance não é linear mas sim constituída por várias camadas que se "enrolam" sobre si próprias e povoada por várias personagens, curiosas e interessantes, se cruzam nesta impressionante narrativa É preciso termos cuidado para não nos afogarmos quando mergulhamos nesta história. 

Esta "Autobiografia" despertou-me uma imensa curiosidade sobre os livros de Saramago que ainda não li. JLP leva-nos pela mão até à obra de José Saramago.

Para mim, quem for apaixonado pela escrita de José Luís Peixoto ou pela obra de José Saramago, não devia deixar de ler esta "Autobiografia". Na companhia deste livro, viverão momentos inesquecíveis.

"Talvez, mas não vejo as coisas assim.

Não? Foi o que pareceu e, na literatura, tem de se prestar muita atenção às aparências. Estava farto de juntar palavras? Depois de centenas de páginas escritas, gastam-se os olhos e a cabeça, perde-se algum sentido mas, em grande medida, escrever romances é ser capaz de resistir a esse cansaço. As explicações são uma saída fácil, uma desistência, não acha?

A sério, não acha?

Talvez, mas prefiro mudar de assunto"

 

 

 

 

Desafio "Uma citação por semana" #9

Charneca em flor, 26.02.18

O distante perde distância quando se vai lá. Os lugares mais longínquos são aqueles onde nunca se esteve. Quando já se foi a um lugar, mesmo que seja preciso atravessar o planeta, fica a saber-se que é possível fazer esse caminho. Deixa de pertencer ao desconhecido sem detalhes, ganha formas imprevistas. Há vida lá como há vida aqui.

                                    José Luís Peixoto, O Caminho imperfeito

Parabéns, JLP

Charneca em flor, 04.09.16

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Hoje é o dia de aniversário de um dos escritores mais brilhantes da sua geração e o meu preferido. Já li quase tudo o que José Luís Peixoto escreveu e não perco as suas crónicas nas várias publicações em que participa. Quando ando de avião pela TAP e pego na revista UP vou logo à procura da crónica dele. Adoro aquilo que ele faz com as palavras desta nossa pátria que é a Língua Portuguesa. Por isso não podia deixar de assinalar os seus 42 anos. Muitos parabéns e que continue a encontrar sempre bons motivos para escrever e histórias para contar. 

 

o tempo subitamente solto

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,

como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,

mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.

eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,

que eu amava quando imaginava que amava.

era a tua a tua voz que dizia as palavras da vida.

era o teu rosto. era a tua pele. antes de te conhecer,

existias nas árvores e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.

muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

 

"Em teu Ventre", de José Luís Peixoto

Charneca em flor, 03.01.16

em teu ventre

No último Natal recebi mais um livro, para além dos que já mencionei aqui, "Em teu ventre" de José Luís Peixoto. Veio de quem eu menos esperava porque é preciso conhecer-me bem para saber que eu sou fã incondicional de José Luís Peixoto. Foi amor literário ao primeiro "Livro". Gosto dos livros e da pessoa, uma simpatia no contacto com os leitores, estrela das sessões de autógrafos da Feira do Livro. Temos referências em comum já que nascemos no mesmo ano e temos raízes alentejanas de terras muito próximas. 

Apesar de ter lido quase todos os livros dele com prazer, este tocou-me de maneira especial. Primeiro que tudo porque fala, de maneira sublime, dos acontecimentos de 1917 que deram origem ao que hoje conhecemos como Santuário de Fátima. Este local faz parte da minha história de vida, vivi lá momentos extraordinários que influenciaram de maneira indelével a pessoa que sou hoje. Depois porque JLP escolheu uma abordagem diferente do que é habitual quando se fala das aparições. Mais do que descrever os acontecimentos recorrendo às personagens envolvidas, JLP centra a acção na relação entre Lúcia e a mãe. A própria maternidade é uma personagem que se nota pelo monólogo de uma mãe em paralelo com a história principal. Será uma representação da mãe do próprio autor?

Outro aspecto importante, e característico da escrita de JLP, é a descrição da vida quotidiana daquelas pessoas simples a quem calhou testemunhar os acontecimentos de Maio a Outubro de 1917. A vida de casa, o trabalho do campo, a ida à missa dominical, o respeito pela autoridade, civil e religiosa, tudo serve para compreendermos a visão de JLP em relação a este fenómeno.

Outro aliciante para ler esta pequena novela de 163 páginas é o facto de estar salpicado de frases maravilhosas em que se confunde uma prosa deliciosa com uma poesia sublime. Para mim, este é um dos livros da minha vida. A ler e a reler com calma para melhor saborear.

"TÃO FRESCA É ESTA BRISA DEPOIS DE UM DIA INTEIRO, tão leve é o seu toque nas cores por fim brandas, desnecessária a urgência por fim. Esta brisa atravessa o ar limpo, faz tremer as folhas prateadas das oliveiras, acende pontos de brilho no granito e passa pelas faces suaves de Lúcia"

"Tudo começa pela/esperança./Antes dos objectos estão os/gestos que lhes dão forma,/antes dos gestos estão/as ideias,/antex das ideias estão/as emoções,/antes das emoções estão/os sentidos,/antes dos sentidos está a existência nua,/ contemplação cega,/memória cega,/antes da existência está/a esperança."

 

Livros presentes

Charneca em flor, 23.12.15

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 As primeiras prendas já chegaram. Estes livros vieram das minhas colegas de trabalho. "A viagem do salmão" junta várias coisas que eu gosto; primeiro une a culinária às viagens e depois 2 dos 3 autores são pessoas que eu admiro muito nas respectivas áreas, José Luís Peixoto e Henrique Sá Pessoa. Com este livro acompanhamos os autores através de uma viagem por Portugal, Noruega e Japão que nos leva a descobrir as rotas do salmão. E a desvendar uma série de receitas deste saboroso peixe. O outro presente, "Pai Nosso" de Clara Ferreira Alves também nos leva, de certa forma, numa viagem. Uma viagem pelo Médio Oriente, as suas particularidades, os seus problemas, o seu confronto com a cultura ocidental. Um tema actual de uma das portuguesas que melhor conhece esta zona. Acho que estes presentes me vão proporcionar bons momentos.