Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Eu comprava...

Charneca em flor, 12.06.19

Aqui há dias, enquanto atendia uma das minhas utentes, falávamos de coisas que nada tinham a ver com medicamentos. Veio à baila uma biografia de uma pessoa conhecida da terra bem como o falecimento de Agustina Bessa-Luís. Comentei que gosto muito de biografias e que estava a ler a biografia de Sophia de Mello Breyner Andersen. A dada altura digo eu: "Porque é que a senhora não escreve uma auto-biografia?! A senhora deve ter tido uma vida bem interessante (e teve, de facto, porque, através da profissão do seu falecido marido, viveu em vários países e deve ter conhecido pessoas  muito interessantes.)."

Ao que ela responde: "ah, não, nem pensar. Não se esqueça que eu fui casada com um escritor durante 35 anos. Escritora é que nunca seria."

"Que pena. Eu comprava a sua biografia" - disse eu.

"Eu escrevo mas só para mim. De resto já há muita gente a escrever livros. Não é preciso mais uma"

Olhando para as prateleiras dos bestsellers, tenho que concordar com esta sábia senhora. Há demasiadas pessoas a publicar livros. 

Hotel das Letras

Charneca em flor, 12.02.14

Ontem fui a uma formação num hotel da nossa capital. Achei logo curioso que o nome fosse Hotel das Letras. Situa-se no ínicio da Rua Castilho e é muito agradável. A decoração, como o nome indica, é dedicada ao mundo das letras. Logo na recepção descobre-se uma estante muito bem recheada. Tirei uma foto, só se vê as traseiras da estante mas já dá para ter uma ideia. 

No entanto o que me chamou a atenção foi um painel de vidro com os nomes de inúmeros escritores.

A sala de formação era decorada com poemas e, pelo que vi no folheto do hotel, os quartos também são decorados com textos literários. Uma decoração muito curiosa. Será que serve para chamar a atenção para a riqueza da literatura?!

Ilha Teresa, Richard Zimler

Charneca em flor, 06.02.14

Este livro já não é recente, comprei há algum tempo mas tem estado em espera. Como tenho lido algumas entrevistas de Richard Zimler, um americano que trocou Nova Iorque, onde nasceu, e São Francisco, onde foi professor, pela cidade do Porto. Também foi professor de Jornalismo, na Universidade do Porto, durante 16 anos mas parece-me que se radicou em Portugal por amor já que vive uma relação estável, desde 1978, com Alexandre Quintanilha, um físico português. Embora eu ache que ele também se apaixonou pelo nosso país. 
Ora bem, quanto ao livro, Ilha Teresa tem como personagem principal uma adolescente, Teresa, que fez o caminho inverso de Zimler já que a sua família emigra para os Estados Unidos da América. Gostei muito do livro e achei que é um óptimo livro para aconselhar a um jovem. Teresa não se adapta facilmente à vida em Nova Iorque quer por dificuldades linguísticas quer por dificuldade de relacionamentos com os colegas da idade dela. O relacionamento com a mãe é muito conflituoso, típico da adolescência, e, para piorar mais a sua situação, perde o pai. Identifiquei-me com este acontecimento porque perdi o meu pai mais ou menos com a mesma idade mas eu não era tão problemática, felizmente. O seu refúgio é a amizade com um jovem brasileiro, Angel, com um sentido de humor peculiar mas também com uma série de problemas. A história vai-se desenvolvendo tendo em linha de conta estas 2 relações com a mãe e Angel e também o seu pequeno irmão, Pedro, que a segue por todo o lado e pelo qual ela se sente responsável. Um retrato de como a adolescência pode ser uma época difícil da vida. Recomendo.
Fica aqui um cheirinho da escrita de Richard Zimler:
" Vamos lá ver as coisas como elas são: ter quinze anos num país estrangeiro e não ter lado nenhum para onde fugir significa estar naufragada na nossa própria ilha deserta, a milhares de milhas de qualquer sítio onde pudéssemos querer estar. Ilha Teresa. Um bocado para o triste e longe das rotas para um resort de férias, mas ainda assim com alguns encantos exóticos."
"Ler... Têm de reconhecer que há nisto qualquer coisa de especial , como se às tantas o que há de melhor nos seres humanos sejam as nossas palavras. Embora tenhamos tendência para o esquecer, excepto quando estamos a meio de um livro que amamos."

 

"Amada Vida", Alice Munro

Charneca em flor, 02.02.14
Não tenho por hábito, nem curiosidade, procurar os livros do vencedor do Prémio Nobel da Literatura. Tem sido atribuído a escritores que o comum dos leitores, em que eu me incluo, normalmente não conhece. No entanto, em relação ao Nobel de 2013, ouvi e li umas quantas opiniões, algumas muito contraditórias. Tanto se disse que Alice Munro era a mestra do conto como se disse que a sua escrita e as suas histórias eram provincianas e versavam, apenas, uma determinada região do Canadá. O que é certo é que fiquei curiosa, não só pelas críticas, mas também pelo facto de os seus contos se passarem no Canadá porque, em 2009, passei 1 dia no Canadá entre as Cataratas do Niagara e Toronto e fiquei com muita vontade de conhecer este belo país. Como ainda não houve essa possibilidade, ler também é uma maneira de viajar. Posto isto lá me dispus a ler este livro. Como andei ocupada com outras coisas, demorei imenso tempo a terminá-lo. Não posso dizer que não tenha gostado mas soube-me a pouco para um Nobel. Talvez eu tenha tido azar com a obra que escolhi mas é suposto o Nobel premiar toda a obra, não é verdade? Se compararmos com Gabriel Garcia Marquez e José Saramago, por exemplo, Alice Munro saí mesmo a perder. Estes 2 Nobel foram geniais e Alice Munro é boa mas...

De qualquer modo, aqui fica um excerto: "Em jovem, eu vivia no fim de uma estrada comprimida, ou uma estrada que me parecia comprida. Atrás de mim, ao voltar para casa da escola primária, e mais tarde do liceu, ficava a vila propriamente dita, com o seu movimento e os seus passeios e a sua iluminação pública depois de escurecer. Assinalando os limites da vila, havia duas pontes sobre o rio Maitland: uma estreita ponte de ferro, onde os automobilistas tinham por vezes dificuldades em decidir quem podia atravessar e quem tinha de esperar, e outra pedonal, em madera, onde ocasionalmente faltava uma tábua, o que nos  permitia ver a àgua a correr lá em baixo, rápida e cintilante. Eu gostava daquilo , mas a tábua acabava sempre por ser reposta."