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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

30
Ago18

Meridiano 28, Joel Neto

Charneca em flor

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 Ultimamente tenho lido a uma velocidade menor do que era meu hábito. Os olhos não ajudam mas tenho a vantagem de saborear melhor cada livro. Este Meridiano 28 já o andava a ler há algum tempo mas terminei-o na passada semana, no Aeroporto de Vantaa, Helsínquia. Pensando bem até é uma história que faz sentindo ler em viagem. Afinal, a acção passa por vários locais, maioritariamente, o Faial, Lisboa, Praga, Friburgo e até Nova Iorque. Para não falar nas várias viagens no tempo já que a história atravessa várias épocas. No fundo é uma história de amor(es) e de amizade em que o pano de fundo, em grande parte, é a Segunda Guerra Mundial, os anos que a antecederam e os anos que se seguiram e a sua influência no ambiente social faialense. 

Já tinha lido outros livros de Joel Neto como "A vida no Campo" e "Arquipélago", cada um deles com a sua particularidade. Neste último romance, Joel Neto superou-se. A pesquisa histórica foi, de certeza, exaustiva tornando a história muito mais fidedigna. A forma como escreve e o encadeamento da história são fantásticos mas o final é, absolutamente, surpreendente. Meridiano 28 é a afirmação absoluta de Joel Neto como um dos melhores escritores do Séc XXI. Recomendo, sem dúvida.

"A primeira impressão que José Filemom teve da Horta foi essa: a de uma cidade que entardece à sombra, como se lhe houvessem amputado metade do dia. Aterrou no Faia., percorreu a costa sul da ilha, guinou frente àquele a que chamavam Monte da Guia e, durante todo o percurso do táxi, sentiu na pele o calor de um sol tão quente como inesperado. Mas, antes mesmo de encontrar a baía, deu por si imerso numa escuridão e, depois desta, numa névoa espessa, incapaz de descortinar um palmo à frente do nariz."

 

P.S. - Será que a história de José Filemom tem continuidade? Quanto a mim, muito ficou ainda por contar. Caro Joel, se algum dia ler estas palavras, pense nisso.

21
Jan18

A ponte sobre o Drina, Ivo Andrič

Charneca em flor

No Verão passado viajei para leste como aflorei aquiaqui e aqui. No penúltimo dia, que coincidiu com o aniversário do A., parei, por acaso, em Višegrad perto da fronteira entre a Bósnia e a Sérvia. Quer dizer, foi mais ou menos por acaso já que tinha planeado parar nesta cidade porque o nome me fez lembrar outra viagem (há uma cidade na Hungria com o mesmo nome) e porque estaríamos lá pela hora do almoço. Então não é que descobri que Višegrad foi o berço de um Prémio Nobel da Literatura, Ivo Andrič? Não resisti a comprar a sua obra-prima, "A ponte sobre o Drina".

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Como os meus olhos não me permitem ler muito depressa, só terminei de lê-lo ontem. A ponte é a personagem central da trama. Tudo gira à volta dela, da sua atribulada construção, das amizades e dos amores que cresceram sobre a ponte, as festas, as desgraças ou as guerras. Em Višegrad, mais do que qualquer praça, é a ponte que é o centro da cidade.

A construção da ponte data do séc. XVI e foi mandada construir durante o domínio Otomano sobre aquela região pelo grão-vizir Mehmed-Paxá que tinha nascido ali perto. Nessa altura, os muçulmanos turcos levavam os rapazes cristãos para os converterem ao islamismo e passavam pela cidade de Višegrad. O Drina tinha que se atravessar de barco e a ponte foi construída para facilitar o transporte de pessoas e mercadorias. 

Ao longo do tempo transformou-se em testemunha muda da passagem do tempo, mas também da amizade, entre cristãos, judeus e muçulmanos que tanto vivam em harmonia como em conflito. Mais que um romance,  "A ponte sobre o Drina" faz-nos compreender um pouco melhor os acontecimentos históricos que determinaram a forma como aqueles povos viveram e todas as provações que foram passando.

A ponte lá continua, com mais ou menos mazelas, até hoje com a sua pedra branca sobre as águas verdes do Drina.

"Mas a pontw continuava sempre firme e igual a si, com a eterna juventude da qual gozam as grandes e boas obras dos homens, que não sabem o que significa mudar e envelhecer e que, pelo menos assim parece, não  partilham a sortw de todas as coisas passageiras deste mundo."

 

27
Ago17

"Arquipélago" por Joel Neto

Charneca em flor

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A primeira vez que tive este livro nas mãos foi para ajudar uma colega a comprar um presente para o sobrinho. Chamou-me a atenção pela capa e pelo título. E porque falava nos Açores. Apaixonei-me por essas ilhas misteriosas há uns anos quando lá passei uma semana inesquecível. Não sabia quem era Joel Neto. A sinopse interessou-me e aconselhei a colega a comprá-lo. Nunca mais pensei nele. Um dia, saltou para as mãos "A vida no campo" que li com avidez. Nunca mais deixei de seguir as crónicas de Joel Neto. Aí lembrei-me deste "Arquipélago". Já há uns tempos que ele descansa na minha estante. Tenho lido pouco e devagar. Este Verão fui buscá-lo para me acompanhar nas idas à praia. Uma excelente companhia. A história é cativante e as personagens são deliciosas. Adorei os diálogos em que o autor recorreu, muitas vezes, à maneira de falar típica da região.

Joel Neto, para além de nos levar a viajar pelos mistérios da ilha Terceira, leva-nos a viajar pela geografia da ilha. E eu, que nunca fui à Terceira (conheço São Miguel, Flores e Corvo), sinto que já a conheço. Obrigada, Joel Neto, por me ter apresentado a Ilha Terceira, uma autêntica ilha de bruma, e por ter levado a sonhar com lendas e mistérios

Aguardo ansiosamente o seu novo romance, prometido para 2018

 

"O táxi seccionou a ilha pelo coração, escalando as montanhas e percorrendo a extensa recta que cruzava o planalto central. Passou entre pastos rodeados de muros de pedra-sobre-pedra e vacas pensativas, com os dorsos, as cabeças e os rabos malhados de branco e de negro, como num postal ilustrado.

Depois desceu novamente em direcção ao oceano. Chovia de forma copiosa, e isso ofereceu-lhe uma inesperada sensação de bem-estar.

Olhou as montanhas à direita e à esquerda, cada uma delas tentando perfurar a neblina à sua própria maneira, e depois virou-se na direcção do mar, encapelado e metálico. Sentiu que dialogavam uns com os outros, como em conversações de paz que estivessem a correr mal, e também isso o animou. Cheirava a enxofre e a poejo, se bem conseguia identificá-lo - e cheirava também  a eucaliptos, e a gasolina, e a marisco, e a solidão."

14
Abr17

O Prisioneiro do Céu, Carlos Ruiz Zafón

Charneca em flor

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Acabei de ler o terceiro livro da saga do "Cemitério dos Livros Esquecidos". Só agora reparei que não tinha actualizado o livro do momento ali na barra lateral. A leitura foi tão rápida que nem tive tempo. Foi o primeiro que li depois de ter passado uns dias em Barcelona. Só  não  consegui ir procurar o tal Cemitério.

Zafón volta a "brincar" com as mesmas personagens dos romances anteriores, o Sr. Sempere, Daniel Sempere, Fermín e mesmo David Martin. A história começa no Natal a poucas semanas do casamento de Fermin. A proximidade deste acontecimento provoca grandes preocupações a Fermín, leva-o a recordar o passado e a partilhá-lo com Daniel. Adensa o mistério à volta do passado de Daniel mas não posso dizer mais nada senão...

Mais um livro intenso. Mal posso esperar para ler o último livro da saga. Mas agora é hora de deixar estas personagens descansarem e ir até Nápoles, ao encontro de Lila e Lenù

Fica só aqui a descrição da reacção de Fermín quando Daniel o leva a conhecer o Cemitério dos Livros Esquecidos:

 

"Segundo a minha experiência pessoal, quando alguém descobria aquele local, a sua reacção era de encantamento e assombro. A beleza e o mistério do recinto reduziam o visitante ao silêncio, à contemplação, ao sonho. Como é óbvio, a reacção de Fermín teve de ser diferente. Passou a primeira meia hora hipnotizado, deambulando como um possesso pelas passagens do enorme quebra-cabeças que era o labirinto. Parava para bater com os nós dos dedos em arcobotantes e colunas, como se duvidasse da sua solidez. Detinha-se em ângulos e perspectivas, fazendo um telescópio com as mãos e tentando decifrar a lógica da estrutura. Percorria a espiral de bibliotecas com o seu considerável nariz a um centímetro da infinidade de lombadas alinhadas em ruas sem fim, escrutinando títulos e catalogando tudo quanto descobria. Seguia-o a poucos passos, entre o alarme e a preocupação."

27
Mar17

"A Promessa", Lesley Pearse

Charneca em flor

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Das várias escritoras anglo-saxonicas que são publicadas em Portugal, a minha preferida é Lesley Pearse. Já li imensos livros dela e nem sempre tenho oportunidade de falar deles aqui. 

"A Promessa" é o segundo livro de uma saga de 3 livros mas que podem ser lidos separadamente. Quando há relação entre as histórias dos livros, eu gosto de lê-los por ordem cronológica. Manias.

O primeiro livro tem o título de "Sonhos Proibidos" e a história começa em 1910 num dos bairros mais pobres de Londres. A personagem principal é Belle, uma jovem de 15 anos protegida pela ama que a criou e que cresce num bordel dirigido pela mãe sem se aperceber. Um dia assiste a um crime e esse facto vai ser determinante para a sua vida. Raptada e obrigada a prostituir-se, é levada até Nova Orleães. Lesley Pearse apresenta-nos a vida luxuosa dos bordéis  de Nova Orleães. Belle é uma mulher forte, como todas as heroínas de Lesley Pearse, e tenta lutar contra o seu destino.

Este segundo livro encontra Belle feliz em Inglaterra mas adivinham-se tempos difíceis não só para ela mas para toda a Europa. A história inicia-se em Julho de 1914. Lesley Pearse transporta-nos para as trincheiras e para os hospitais onde se recebem os feridos e estropiados da guerra. O enquadramento histórico que serve de cenário às personagens é tristemente fascinante. Mais uma história rica sobre a força de uma mulher que sofre e luta por amor. 

O terceiro livro tem como personagem principal, Mariette, a filha de Belle. Lesley Pearse leva-nos, de novo, a um cenário de guerra, a Segunda Guerra Mundial. 

Nos tempos conturbados em que vivemos hoje é importante olhar para o passado, aprender com os erros e tentar fazer melhor. Será possível?!

 

Se Belle fosse como qualquer uma dessas vulgares jovens bem-educadas, não aspiraria a mais do que ser uma esposa bem-amada. Mas Belle não era vulgar, não  tinha tido uma infância normalcom uma mãe que cuidasse da cas enquanto o pai trabalhava fora.  Na idade mais impressionável, fora levada para longe de casa e, de ambos os lados do Atlântico, aprendera coisas que haviam apafado a sua inocência e lhe tinham ensinado a arte de sobrevivência.

09
Fev17

O livro do Hygge, Meik Wiking

Charneca em flor

O tema da felicidade interessa-me há muito. O primeiro blog que tive chamava-se, precisamente, É possível ser feliz..." e retratava a minha busca pela felicidade no pós-divórcio, na procura da felicidade dentro de mim sem depender de factoreds externos. No mês de Outubro tive a oportunidade de assistir a uma palestra sobre o mesmo tema por Eric Weiner o que conduziu a este livro

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Neste livro o autor, jornalista, percorre vários países com índices de felicidade diferentes para tentar perceber se a geografia influencia a nossa sensação de felicidade. Dinamarca, Islândia ou Butão fazem parte dos mais felizes enquanto a Moldávia ou o Qatar apresentam indíces de felicidade bastante mais baixos. Aquela viagem de Eric Weiner começa, precisamente, no Hapiness Research Institute que fica em Copenhaga já que a Dinamarca surge sempre em primeiro lugar nos Relatórios sobre a Felicidade Mundial. E foi o Presidente deste Instituto, Meik Wiking, que escreveu este livro

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O conceito Hygge (lê-se hooga) parece ter sido descoberto, ultimamente, pelo sul da Europa mas já existe há muito na Dinamarca. Considera-se que aì reside o segredo da felicidade dos dinamarqueses (isso e a qualidade de vida de que eles usufruem). É uma palavra difícil de definir mas pode-se dizer que hygge é o "conforto da alma" ou a arte de criar intimidade. Consiste em construir um ambiente acolhedor e aconchegante para nòs próprios e para os outros. Meik Wiking mostra-nos quais são os ingredientes essenciais para o Hygge. A tecnologia, por exemplo, não é nada hygge mas sem ela eu não chegava a quem me lê. Coisas como velas, mantas, echarpes, lareira ou confort food são muito hygge. Tudo coisas que eu aprecio. Mas nada disso faz sentido sem o encontro com os outros num verdadeiro espírito hygge. A felicidade encontra-se nas coisas mais simples e insignificantes. Um livro delicioso para nos"ensinar" a ser felizes. Bem que precisamos. " A felicidade consiste mais em pequenas conveniências ou prazeres que ocorrem todos os dias do que em grandes pedaços de sorte que acontecem raramente." Benjamin Franklin

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Ó pra mim, a ser feliz em Hirtshals, Dinamarca 

23
Dez16

"O jogo do Anjo", Carlos Ruiz Zafon

Charneca em flor

Quase que não conseguia acabar de ler este livro antes de entrar de férias. A urgência em acabar de ler é devida ao facto de o livro ser da biblioteca e estava mesmo a chegar a altura de o devolver. Fiquei com muita vontade de voltar a ler "A sombra do vento" e também com ainda mais vontade de conhecer Barcelona. Não é fácil falar das histórias criadas por Carlos Ruiz Záfon. São tão fantásticas que nem se conseguem descrever sem estragar o efeito surpresa. Para mim, para além das personagens  criadas por ele, os livros são verdadeiros protogonistas. Neste "O jogo do anjo" a história roda à volta dos estranhos problemas de um escritor,  David Martin, da sua relação com os livros, com outras pessoas que amam os livros, com a estranha casa que escolhe para viver. Uma história que vale a pena ser lida.

O cemitério dos livros esquecidos volta a ser visitado:

"Este lugar é um mistério. Um santuário. Todos os livros, todos os volumes que vês à tua frente, têm alma. A alma de quem os escreveu, a alma daqueles que os leram e viveram e sonharam com eles. De cada vez que um livro muda de mãos, de cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espírito cresce e torna-se mais forte. Neste lugar, os livros de quem já ninguém se lembra, os livros que ficaram perdidos no tempo, vivem para sempre, à espera de chegar às mãos de um novo leitor, de um novo espírito"

Em quantos livros já deixei a minha alma?! 

03
Dez16

Carlos Ruiz Zafón e os livros esquecidos

Charneca em flor

Eu sou um bocado do contra no que diz respeito à "última moda" da literatura. Gosto de ler os livros quando já ninguém se lembra deles (os verdadeiros livros esquecidos). Agora toda a gente fala deste

"O labirinto dos espíritos" é a aguardada conclusão da série de quatro livros, O cemitério dos livros esquecidos, de Carlos Ruiz Zafón. Eu li o primeiro, "A sombra do vento", e adorei. Uma história apaixonante para quem gosta de livros. Agora que todos os fãs procuram este último, eu fui à biblioteca e encontrei este

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Embora os livros se possam ler em separado porque não têm uma ligação directa, eu prefiro ler pela ordem em que foram publicados. No entanto,embora "O jogo do Anjo" tenha sido o segundo a sair, a história situa-se num tempo anterior ao d' "A sombra do vento". A companhia ideal para este fim-de-semana de chuva.

 

29
Nov16

Doodle literário

Charneca em flor

Durante todo o dia estive curiosa para ver o que significava a imagem do Google

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Pura distração, estava-se mesmo a ver.

Hoje, dia 29 de Novembro, é o aniversário do nascimento da escritora Louise May Alcott, autora do inesquecível As Mulherzinhas. Este romance foi um dos meus preferidos na adolescência. Um romance onde se valoriza a amizade e o amor bem como os valores morais e familiares. Tudo coisas fora de moda, infelizmente.

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