Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Lotaria Literária #18

Charneca em flor, 18.01.20

"- Crueldade é provocar a dor nos outros e sobretudo nos que se amam."

A Garça

 Maria João Cantinho

Editorial Diferença

ISBN 972-8393-41-5 

Não me lembro de ter comprado este livro e acho que nunca o li mas ele vive nas minhas prateleiras. Também vos acontece ficarem surpreendidos com o que encontram nas vossas prateleiras ou sou só eu?

Lotaria Literária #12

Charneca em flor, 12.01.20

"Na papelaria, à tarde, morto de sono, Josué anunciara definitiva volta à poesia, agora sensual, a cantar os prazeres da carne."

Gabriela Cravo e Canela

Jorge Amado

Dom Quixote

ISBN 978-972-20-5036-4

Este romance deu lugar a uma telenovela de culto, a primeira novela brasileira a ser exibida em Portugal. Gabriela Cravo e Canela é um clássico da lusofonia que vale a pena ler.

Lotaria Literária #11

Charneca em flor, 11.01.20

"Ou havia alguma coisa de mais profundo, e por isso menos palpável, que tinha a ver com o novelo indestrinçavel que estaria escondido no interior de si mesmo?"

Os Memoráveis

Lídia Jorge

Dom Quixote

ISBN 978-972-20-5436-2

Este livro está na casa onde vivia o meu falecido sogro. Inicialmente comprei-o para mim, numa Feira do Livro, mas acabei por oferecê-lo ao meu sogro no seu aniversário.

Lotaria Literária #7

Charneca em flor, 07.01.20

"Até porque nós, portugueses, ou seja, Verdadeiros Portugueses, aqueles que nascemos ca com a cor certa e que, tendo nascido cá com a cor certa, descendemos de S. Afonso Henriques e de D. Urraca, ao contrário dos outros povos, que são racistas, pouco ou nada temos de racistas"

Pois, é isso... .

Manual do Bom Racista

Rui Zink

Ideias de Ler

ISBN 979-989-740-070-4

Outro dos livros que ando a ler. A ironia a que Rui Zink já nos habituou cruza-se com uma brilhante análise ao mundo em que vivemos. Brilhante e divertido embora até possa ser assustador.

 

Filho da Mãe, Hugo Gonçalves

Charneca em flor, 07.01.20

1540-1.jpg

"Filho da Mãe” de Hugo Gonçalves é um dos livros que mais me tocou nos últimos tempos. Já acompanho o percurso do autor há alguns anos. Lia as suas crónicas quando ele viveu no Brasil e li os seus romances “Enquanto Lisboa arde o Rio de Janeiro pega fogo" e “O Caçador do Verão”.


Olhando, agora, para aqueles 2 romances chego à conclusão que, embora sejam ficção, têm qualquer coisa de autobiográfico. É natural que a vida de um autor “contamine" a sua obra. Nunca são totalmente indissociáveis. No entanto este “Filho da Mãe” é mesmo o autor, Hugo Gonçalves. O livro mostra-nos a busca pela memória da mãe que ele perdeu quando tinha 9 anos. Tudo começa quando o autor recebe o testamento do avô materno que lhe é entregue, num saco de plástico, pela avó. Este evento é o ponto de partida para a uma viagem à infância, aos lugares, às memórias difusas que lhe permita descobrir a sua falecida mãe e, nesse percurso, encontrar-se a si mesmo.


Obviamente que o livro me tocou, em primeiro lugar, porque a minha história de vida é similar à do autor. Afinal, eu perdi o meu pai na adolescência. Mas esta obra também me toca porque vai ao encontro daquilo que eu já penso há muito. Há acontecimentos que mudam a nossa vida para sempre e, ao mudarem a nossa vida, influenciam a maneira como crescemos enquanto pessoas e determinam as escolhas que vamos fazendo ao longo da nossa construção. Perder o pai ou a mãe quando a nossa personalidade ainda está em formação deve ser das coisas mais violentas que podem acontecer a alguém.


Poder-se-á pensar que ė um livro destinado apenas, a todos aqueles que já perderam alguém mas isso seria redutor e injusto. Cada um de nós encontrará ali um pedacinho da sua própria história, seja ela qual fôr. Todos nós já passámos por um processo de luto seja por morte de pessoas queridas, de sonhos ou de relações. Mais do que um livro sobre a morte de alguém que se ama, é a história da vida que se viveu depois desse acontecimento
Há quem diga que as pessoas só morrem quando nos esquecemos delas. Hugo Gonçalves, menino da sua mãe, trouxe-a de volta à vida através das páginas deste livro. E assim ela tornou-se eterna.


“A história do luto é tão rica em aparições de fantasmas como a poesia ultrarromântica. Nunca julguei ver o espírito da minha mãe, tão-pouco senti a sua presença na casa. O que eu sentia era a brutalidade da sua ausência – inarredável, sem solução, o silêncio soprando nas veias como no interior das paredes de uma casa devoluta. Porém, muitas vezes falei com ela, fazendo uma espécie de telefonema intergaláctico, em que primeiro era preciso marcar o indicativo de um pai-nosso, e então, estabelecida a linha entre os mortos e os vivos, pedia-lhe que voltasse ou, pelo menos, e como rogava a avó Margarida durante as orações, que a sua alma estivesse na paz do Senhor. Tantas outras vezes acreditei que, ao abrir uma porta, a minha mãe estaria do outro lado. Não um fantasma, não de visita, mas para me dizer que apanhasse os carrinhos do chão, vestisse o pijama e me fosse deitar porque no dia seguinte havia escola.”

Companhia  das Letras

ISBN 978-989-665-772-7