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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Filho da Mãe, Hugo Gonçalves

Charneca em flor, 07.01.20

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"Filho da Mãe” de Hugo Gonçalves é um dos livros que mais me tocou nos últimos tempos. Já acompanho o percurso do autor há alguns anos. Lia as suas crónicas quando ele viveu no Brasil e li os seus romances “Enquanto Lisboa arde o Rio de Janeiro pega fogo" e “O Caçador do Verão”.


Olhando, agora, para aqueles 2 romances chego à conclusão que, embora sejam ficção, têm qualquer coisa de autobiográfico. É natural que a vida de um autor “contamine" a sua obra. Nunca são totalmente indissociáveis. No entanto este “Filho da Mãe” é mesmo o autor, Hugo Gonçalves. O livro mostra-nos a busca pela memória da mãe que ele perdeu quando tinha 9 anos. Tudo começa quando o autor recebe o testamento do avô materno que lhe é entregue, num saco de plástico, pela avó. Este evento é o ponto de partida para a uma viagem à infância, aos lugares, às memórias difusas que lhe permita descobrir a sua falecida mãe e, nesse percurso, encontrar-se a si mesmo.


Obviamente que o livro me tocou, em primeiro lugar, porque a minha história de vida é similar à do autor. Afinal, eu perdi o meu pai na adolescência. Mas esta obra também me toca porque vai ao encontro daquilo que eu já penso há muito. Há acontecimentos que mudam a nossa vida para sempre e, ao mudarem a nossa vida, influenciam a maneira como crescemos enquanto pessoas e determinam as escolhas que vamos fazendo ao longo da nossa construção. Perder o pai ou a mãe quando a nossa personalidade ainda está em formação deve ser das coisas mais violentas que podem acontecer a alguém.


Poder-se-á pensar que ė um livro destinado apenas, a todos aqueles que já perderam alguém mas isso seria redutor e injusto. Cada um de nós encontrará ali um pedacinho da sua própria história, seja ela qual fôr. Todos nós já passámos por um processo de luto seja por morte de pessoas queridas, de sonhos ou de relações. Mais do que um livro sobre a morte de alguém que se ama, é a história da vida que se viveu depois desse acontecimento
Há quem diga que as pessoas só morrem quando nos esquecemos delas. Hugo Gonçalves, menino da sua mãe, trouxe-a de volta à vida através das páginas deste livro. E assim ela tornou-se eterna.


“A história do luto é tão rica em aparições de fantasmas como a poesia ultrarromântica. Nunca julguei ver o espírito da minha mãe, tão-pouco senti a sua presença na casa. O que eu sentia era a brutalidade da sua ausência – inarredável, sem solução, o silêncio soprando nas veias como no interior das paredes de uma casa devoluta. Porém, muitas vezes falei com ela, fazendo uma espécie de telefonema intergaláctico, em que primeiro era preciso marcar o indicativo de um pai-nosso, e então, estabelecida a linha entre os mortos e os vivos, pedia-lhe que voltasse ou, pelo menos, e como rogava a avó Margarida durante as orações, que a sua alma estivesse na paz do Senhor. Tantas outras vezes acreditei que, ao abrir uma porta, a minha mãe estaria do outro lado. Não um fantasma, não de visita, mas para me dizer que apanhasse os carrinhos do chão, vestisse o pijama e me fosse deitar porque no dia seguinte havia escola.”

Companhia  das Letras

ISBN 978-989-665-772-7

Lotaria Literária #5

Charneca em flor, 05.01.20

"Que tu não devias nascer. Mas, olha, tu nasceste e tens saúde. Ela é que não."

Filho da Mãe

Hugo Gonçalves

Companhia  das Letras

ISBN 978-989-665-772-7

Hoje fiz batota e escrevi mais do que 1 frase. A primeira frase é muito curta por isso achei que fazia sentido acrescentar o resto. Este livro foi o último que li e ainda estou a ultimar o meu comentário. Será publicado brevemente.

Mau tempo no Canal, Vitorino Nemésio

Charneca em flor, 02.12.19

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Já há muito tempo que queria ler este livro, um clássico da nossa literatura. Este exemplar já estava pousado nas minhas prateleiras há uns anos aguardando a altura certa para o ler. A leitura levou-me algum tempo porque há outras actividades que se vão sobrepondo. Ou é a vida do dia-a-dia que se impõe ou mesmo a actividade de escrever os textos para o Desafio dos Pássaros, para já não falar do Curso de Escrita Criativa que vou fazendo a um ritmo muito lento. Obviamente que "Mau tempo no Canal" também é uma obra de alguma densidade que deve ser saboreada no seu devido tempo. 

O livro foi publicado nos anos 40 do século passado mas a trama diz respeito à segunda década do mesmo século e decorre nos Açores. O canal a que se refere o título é o canal que separa a ilha do Faial e a ilha do Pico. É, principalmente, nestas 2 ilhas que acontece a história narrada embora a acção também se estenda à ilha de São Jorge e à Terceira. Na primeira cena descobrimos um namoro entre 2 jovens, Margarida Clark Dulmo e João Garcia. Esta relação encontra alguns obstáculos já que há conflitos antigos entre as famílias dos jovens. Ou seja, é uma espécie de história de Romeu e Julieta que se passa na Horta e não em Verona. Este conflito vai ser preponderante no enredo deste romance.

Na história também se aborda os muitos casos da peste que afectou o arquipélago e a pesca, ou caça para ser mais exacta, da baleia. Aliás os pescadores são das personagens mais pitorescas que Vitorino Nemésio descreve.

O romance encantou-me, não só pela história mas, sobretudo, pelo talento literário do autor. As suas descrições fabulosas das paisagens insulares fizeram-me viajar pelas ilhas da bruma. Aliás, ao ler este romance consegui abstrair-me da realidade e penetrar na história como se estivesse lá. Outro pormenor que eu adorei foi os recursos fonéticos que Vitorino Nemésio encontrou para percebermos a particularidade do sotaque açoriano e o linguajar das pessoas mais simples.

Quanto a mim, ler este romance aumentou o meu conhecimento da literatura portuguesa bem como da nossa cultura. Também foi uma oportunidade de recordar os dias que passei nos Açores. Não conheci nenhuma das ilhas mencionadas, ou melhor, conheci o Aeroporto da Horta onde fiz escala na viagem de regresso ao continente. Vi a ilha do Pico a partir do avião (cortesia do piloto para deliciar os passageiros). Achei mesmo que tinha um aspecto mágico com as nuvens à volta do pico. Os Açores ocupam um lugar especial no meu baú das memórias.

Partilho aqui um excerto em que Margarida descreve a experiência de subir ao pico do Pico e o que sentiu ao ter oportunidade de ver o nascer do sol naquele cenário.

"Passara o fim de Agosto até às vindimas no Pico, nas vinhas que o avô conservara entre a Candelária e São Mateus, em Campo Raso. Satisfizera em setembro a grande ambição da sua vida: subir ao pico do Pico, embora não fosse a melhor época. Passava-se uma noite a meio da encosta, numa furna. De madrugada - leite quente de vaca, que o pai (e nisso era bem amigo!) fazia ordenhar por Manuel Bana, tendo-a mandado de véspera, para chegar descansada o mais perto possível da étape. Não estava um dia muito claro; mas vir aparecer o Sol dos lados da Terceira, todo sangrento num mar de chumbo, um mar como nunca tinha visto, fresco e sem nada que lhe cortasse a limitação parada, a não ser as ilhas negras e acobardadas numa neblina. Para a banda das Flores, uma Lua de bordos tristes que ia morrer. Mas ela sentia-se contente a ver o Sol crescer devagar para ela, que o esperava à beira da cratera apagada do Pico, com um pau ferrado. O vulto de São Jorge, da Ponta dos Rosais ao Topo, parecia um navio azulado pelo próprio fumo da marcha, de proa à "suposta ilha" de Fernão Dulmo, que via a nudez do Sol primeiro que outra alguma."

Paolo Cognetti, "As oito montanhas"

Charneca em flor, 16.09.19

As-Oito-Montanhas.jpgNão me lembro quando é que comprei este livro. Possivelmente foi depois de alguma das minhas viagens à Itália, para matar saudades da cultura italiana. Neste romance há 3 personagens principais, no meu entender, Pietro, Bruno e a montanha. A acção desenrola-se desde a infância dos 2 homens, passando pela adolescência e até à vida adulta. Conhecem-se numa aldeia, no sopé do Monte Rosa, nos Alpes. Pietro vive com os pais em Milão. Os pais têm, ambos, paixão pela montanha que foi onde se conheceram e alugam uma casa na aldeia de Grana para passarem o Verão. E é assim que Pietro e Bruno se conhecem. Juntos exploram a montanha, ao longo dos vários verões que Pietro passa na aldeia e constroem uma relação fraternal, entre eles e com a montanha, que se estenderá pela vida fora, apesar de alguns anos de afastamento.

O próprio autor tem uma relação privilegiada com a montanha já se divide entre a cidade e uma casa a 2000 metros de altitude.

O livro "As oito montanhas" é uma obra bela e encantadora que não se consegue parar de ler. A linguagem, apesar de ser em prosa, é poética, de uma certa forma. As descrições de Paolo Cognetti transportam-nos para a montanha e sentimo-nos  também nós, a subir à montanha. Se te sentes fascinado pela imensidão, pela dureza, pela resistência da montanha e acreditas no poder da amizade, este é o livro indicado para ti.

"Talvez fosse verdade, como afirmava a minha mãe, que cada um de nós tem uma cota predileta na montanha, uma paisagem que lhe agrada mais e onde se sente bem. A sua era o bosque dos 1500 metros, de abetos e larícios, à sombra dos quais crescem o mirtilo, o zimbro e o rododendro e se escondem os cabritos-monteses. Eu era mais atraído pela montanha que vem a seguir: pradaria alpina, torrentes, turfeiras, ervas de altitude, animais no pasto. Mais acima a vegetação desaparece, a neve cobre tudo até ao começo do verão e a cor prevalecente é o cinzento da rocha, com veios de quartzo e tendo incrustado o amarelo dos líquenes. Ali começava o mundo do meu pai."

Sophia de Mello Breyner Andresen, Isabel Nery

Charneca em flor, 21.06.19

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Como já tenho escrito por aqui, gosto muito de biografias. Assim que descobri que este livro ia sair, resolvi logo que ele viria morar cá para casa. E não me arrependi. Este livro é um excelente trabalho da jornalista Isabel Nery. Percebe-se que fez uma extraordinária investigação para percebermos quem foi esta figura maior da cultura portuguesa do século XX. Para fazer este livro, Isabel Nery procurou as origens de Sophia chegando ao ponto de ir à ilha onde o seu bisavô Jan Andresen nasceu e de onde saiu na viagem que terminou, inesperadamente, no Porto. Nesta obra, descobrimos que Sophia foi, ao mesmo tempo, humana e divina. O livro aborda as origens, como já disse, a ligação com o mar, com a Grécia, a relação com a família incluindo a relação com Francisco Sousa Tavares e com os filhos, com os amigos, com outros escritores e a sua intervenção cívica e política. 

Este livro reforçou a minha convicção de que Sophia de Mello Breyner Andresen foi uma pessoa especial. Para além do seu talento, amplamente conhecido, encontrei uma personalidade peculiar, uma mulher, ao mesmo tempo forte e frágil, e que dominou a língua portuguesa como ninguém. 

Esta obra devia ser de leitura obrigatória para todos os portugueses, especialmente neste ano em que se comemora o centenário do seu nascimento.

"Mais do que um lugar, a Grécia passou a ser um estado de espírito. Uma explicação. Ao ponto de amigos e confidentes como frei Bento Domingues afirmarem que Sophia era composta por mar e cultura grega.

De facto, dificilmente se compreenderá a relação simbiótica entre ética, estética, poder e a poesia de Sophia sem rumar à Grécia. Agora não tanto ao território geográfico da luz pura, que idealiza, mas ao legado helénico da cultura que Homero, considerado o educador de todos os poetas, deixou ao Ocidente."

"E 《O Poeta》:

O poeta é igual ao jardim das estátuas 

Ao perfume do Verão que se perde no vento.

Veio sem que os outros nunca o vissem

E as suas palavras devoravam o tempo."

               Os Poetas, Sophia de Mello Breyner Andresen 

 

Becoming por Michele Obama

Charneca em flor, 15.03.19

Quando tenho oportunidade gosto de ir à biblioteca da cidade onde trabalho. O edifício é muito bonito e fica junto ao rio o que torna o passeio muito agradável. Numa dessas vezes qual não é o meu espanto quando dei com Michele Obama a sorrir-me.

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Como sou grande admiradora do casal Obama, trouxe o sorriso comigo. “Becoming" correspondeu às minhas expectativas e foi para além delas. A história de vida de Michele Obama prende-nos desde a primeira à última página . A ex-primeira dama conta-nos a sua infância num bairro de Chicago e partilha connosco a sua imensa família. Fala da importância da educação e de como os seus pais sempre a estimularam assim como ao irmão a estudarem e a prepararem-se para terem um bom futuro. Conta-nos como se teve que esforçar muito mais por ser negra e por ser mulher. Percebemos como é que conheceu Barack Obama, como é que se foi apaixonando e até espreitamos o primeiro beijo.

Michele faz-nos uma visita guiada ao percurso político do marido, às campanhas e à chegada à Casa Branca com tudo o que isso teve de bom e de mau. 

A ex-primeira dama mostra-nos que, apesar do sítio onde nascemos e crescemos, é possível ver adiante e aspirar a uma vida diferente. Michele Obama é um exemplo a seguir por qualquer pessoa, independentemente do sexo, cor ou religião.

O livro lê-se com muita facilidade. Há imensas passagens que me tocaram mas escolhi uma que me fez sentir muito próxima de Michele Obama. Quando chego a uma terra que não conheço, sinto-me tal e qual como ela o descreve mas nunca o tinha conseguido explicar por palavras. 

"Senti a estranheza de Nairobi – ou, na verdade, a minha estranheza em relação à cidade – logo à chegada, ao despontar do dia. É uma sensação que aprendi a apreciar quando comecei a viajar mais, a forma como um lugar novo se revela instantaneamente e de modo flagrante. O ar tem uma densidade diferente daquela a que estamos habituados; está impregnado de odores que não conseguimos identificar ao certo, um farrapo de fumo de lenha ou gasóleo, talvez, ou o cheiro adocicado de árvores em flor. O Sol nasce, mas parece um pouco diferente do habitual."

"António Variações, Entre Braga e Nova Iorque", Manuela Gonzaga

Charneca em flor, 20.02.19

Gosto de ler biografias. Há pessoas que viveram a sua vida de forma tão intensa que a sua história quase que parece ficção. Este é já a segunda obra de Manuela Gonzaga que leio. Este livro reflecte um intenso trabalho de pesquisa da autora para nos dar a conhecer um pouco daquilo que foi a vida deste ímpar artista português. A sua passagem pelo panorama musical português foi efémera. O seu primeiro single saiu em 1982 e ele faleceu em 1984 mas marcou de forma indelével a música portuguesa sendo cantado até aos dias de hoje. Com Manuela Gonzaga descobrimos a infância numa aldeia minhota, a sua relação com a família, o seu gosto pela música que começou desde cedo, a sua vinda ainda adolescente para Lisboa, a passagem pela tropa, as suas viagens, as suas amizades, o desenvolvimento do seu trabalho como barbeiro e o seu caminho até ao estrelato como cantor abordando, obviamente, a estranheza que a figura de António Variações provocou na sociedade portuguesa.

Entre os vários factos que descobri sobre o artista, o que achei mais curioso foi o facto de António Variações não saber absolutamente nada de música, nem uma nota. Mesmo assim deixou um espólio musical fantástico. O método de composição utilizado para que os músicos o pudessem acompanhar é inacreditável. Claro que não posso contar senão mais ninguém lia o livro.

Para além da vida de António Variações, Manuela Gonzaga faz um excelente retrato social do país desde a década de 40 até à década de 80. Só por isso já valia a pena ler o livro.

Eu tinha apenas 8 anos quando ele desapareceu mas tenho uma vaga memória de o ver na televisão. No entanto, sou fã incondicional da sua obra.

"Quando, em Junho de 1982, surge no mercado o maxi single Estou Além, cujo lado B contém uma versão difícil de qualificar de 《Povo que lavas no rio, dedicada a Amália 《minha fonte de inspiração》, o mote estava dado. Um barbeiro que recusava o título de cabeleireirom servido por uma voz de sonoridade inqualificável, caíra na alçada da música pop, irrompendo no mundo da música ligeira portuguesa através daquilo que  alguns, muitos, consideraram uma heresia"

 

 

 

 

Guerra e Paz, Lev Tolstoi

Charneca em flor, 04.01.19

Quando se viaja para um país estrangeiro, há várias maneiras de o conhecer. Pelas paisagens, pelos monumentos, pela música, pela gastronomia, pelos mercados e supermercados para nos misturarmos com os locais ou pela literatura. Já por várias vezes que continuo a viajar através dos livros que leio. Quando voltei da Hungria, li "As velas ardem até ao fim" de Sandór Márai e quando voltei dos Balcãs li "A ponte sobre o Drina" do Prémio Nobel Ivo Andrić. No último Verão estive em São Petersburgo na Rússia. Quando voltei não descansei enquanto não comprei o clássico da literatura "Guerra e Paz". Meti-me numa grande empreitada que durou de Setembro até Dezembro. E ainda só li o primeiro volume. 

Para quem gosta de literatura era uma grande lacuna nunca ter lido nenhum clássico russo. 

Apesar de não ser uma obra fácil, gostei muito da experiência. O enquadramento histórico que serve de fundo às várias histórias está muito, muito bem feito. Acompanhamos as desventuras das tropas russas contra as investidas de Napoleão Bonaparte. O que é interessante é como a guerra fica distante da alta sociedade que continua a participar nos serões, nos bailes ou a assistir à ópera. Tolstoi faz um retrato impressionante da sociedade russa fazendo uma certa crítica social através de uma ironia refinada. Embora não se possam comparar génios, quase que me faz lembrar o nosso Eça de Queiroz embora Lev Tolstoi faça uma crítica mais "disfarçada", quase imperceptível mas acutilante. 

Como qualquer clássico, pode-se considerar uma história intemporal. Aliás, essa é a definição de clássico, não é verdade? Muitas das manias da sociedade russa da altura, são também as manias da sociedade actual principalmente no que diz respeito às desigualdades sociais. 

Uma obra que deve fazer parte da prateleira de qualquer amante da literatura.

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