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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Maria Velho da Costa 1938-2020

Charneca em flor, 24.05.20

Sempre que morre um escritor, a cultura fica mais pobre. Faleceu, ontem, Maria Velho da Costa, prémio Camões em 2002 entre outros inúmeros prémios com que foi agraciada ao longo dos seus 82 anos de vida.

O seu nome ficará para sempre associado ao livro "Novas Cartas Portuguesas" em co-autoria com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno. Tenho ideia de ter trazido esse livro da biblioteca na adolescência mas não devia ter, ainda, maturidade para o ler porque lembro-me do título mas não me lembro do conteúdo. Se calhar tenho que voltar a tentar.

Aquela obra das Três Marias foi uma imensa pedrada no charco do Estado Novo porque se tratava de "uma obra literária que denunciava a repressão e a censura do regime do Estado Novo, que exaltava a condição feminina e a liberdade de valores para as mulheres". As autoras foram perseguidas pela PIDE/DGS e foram sujeitas a um processo judicial que ficou suspenso pelo 25 de Abril.

A sua voz, considerada renovadora nos anos 60 do século passado, nunca deixou de ser um bocadinho incómoda. Quando recebeu o Prémio Carreira da Associação Portuguesa de Autores afirmou "Os regimes totalitários sabem que a palavra e o seu cume de fulgor, a literatura e a poesia, são um perigo. Por isso queimam, ignoram e analfabetizam, o que vem dar à mesma atrofia do espírito, mais pobreza na pobreza".

As vozes incómodas têm feito sempre falta ao longo do tempo. Esta calou-se para sempre mas podemos sempre ouvi-la através daquilo que escreveu.

 

P.S. - post baseado nesta notícia.

 

Trocar prisão por leitura

Charneca em flor, 12.09.15

 

Aqui há dias ouvi esta curiosa notícia na TSF, em que se conta que um juiz irianiano sentencia livros para castigar pequenos delitos. Ultrapassando o facto de poder haver um juiz que ache que ler é um castigo, até nem acho má ideia. Está mais que provado que a privação da liberdade, seja numa prisão ou um centro de detenção juvenil, nem sempre é o melhor remédio. Quantas vezes as prisões não são escolas de crime? Até porque quem esteve detido dificilmente se consegue reabilitar aos olhos da sociedade. Fica sempre com aquele estigma. Um delito de pouca gravidade, principalmente se não há antecedentes criminais, pode perfeitamente ser resolvido de outra maneira. Este juiz considera que obrigar estes criminosos a lerem livros, entregando um resumo posteriormente, é uma excelente forma de os reabilitar. Um exemplo a seguir pela nossa magistratura.