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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

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Reunião familiar

Charneca em flor, 08.12.20

Respondendo ao desafio da Isabel, aqui fica "O meu conto de Natal":

《A pequena Madalena escreveu, com afinco, uma carta ao Pai Natal:

“Querido Pai Natal,

Não preciso de muitos presentes neste Natal. Já tenho brinquedos suficientes. Aliás até já fui com a mamã dar brinquedos aos meninos pobres. O que desejava mesmo era que o meu Natal fosse um Natal alegre e feliz. Não queria que os meus pais discutissem por causa do sítio onde eu vou passar a Consoada ou o Dia de Natal. No ano passado, o primeiro Natal desde que se separaram, foi uma grande confusão. Os adultos fizeram-me andar a correr de um lado para o outro.
Eu sei que os meus pais nunca mais vão viver juntos e que agora, em vez de sermos uma só família, haverá sempre a família do pai e a família da mãe. Mas eu sou só uma e eles não me podem cortar ao meio.
Eu ficava tão feliz se, ao menos no Natal, as 2 famílias se pudessem juntar outra vez. Esse é o presente que eu mais desejo.
Despeço-me até dia 24 de Dezembro. Agasalhe-se bem. Gosto muito de si.

Beijinhos
Madalena

P.S. – Se me trouxesse um cãozinho também era bom mas não quero abusar.”

De seguida, colocou a carta num envelope e endereçou-o ao Reino do Pai Natal na Lapónia. Antes da mãe a deixar na porta da escola, pediu-lhe que enviasse a sua carta. A mãe concordou, sorrindo.

A mãe da criança guardou a carta até à hora do almoço. Sempre estimulara a que a filha acreditasse na magia do Natal principalmente desde que se separara já que os últimos tempos não tinham sido fáceis. Um divórcio, por mais amigável que fosse, era sempre complicado. Era preciso encontrar um novo equilíbrio, uma nova harmonia familiar e isso levava o seu tempo. Nada a preparara para o que descobriu na carta que Madalena escrevera ao Pai Natal. Não conseguiu conter as lágrimas quando percebeu que o Natal do ano anterior tinha sido uma época triste para a filha. Relembrou os alegres Natais antes do divórcio com toda a família reunida. O seu ex-cunhado vestia-se de Pai Natal e era uma alegria para as crianças. Madalena tinha razão. O Natal passado não tinha sido assim tão feliz e ela tinha chegado a discutir com o ex-marido porque não queria que a filha fosse passar o dia de Natal com a família dele já que era a sua semana de ficar com ela. Acabou por ceder mas mal tinha comido o delicioso polvo que a sua mãe fazia todos os Natais.

Perante aquela carta só havia uma atitude a tomar se queria que a filha continuasse a acreditar na magia do Natal. Percorreu a lista de contactos até encontrar o número familiar.

No dia 24 de Dezembro, Madalena estava em casa da avó Joana, mãe do seu pai. Ela e os primos armavam a maior confusão correndo pelo longo corredor. De vez em quando, espreitava a azáfama da cozinha onde a avó e os tios se atarefavam na cozinha. O pai não largava o telemóvel.

Perto da hora do jantar, tocaram à campainha. O pai pegou na mão da Madalena:
- Vem cá comigo abrir a porta. Chegou uma surpresa para ti.

Quando a porta se abriu, Madalena olhou perplexa para quem acabava de chegar.

Na soleira da porta estava a mãe, os avós Maria e João e a tia Sofia.
- Mas, mas… não percebo. O que estão aqui a fazer? – Madalena não sabia se havia de rir ou chorar de emoção. Estava tão contente que sentia que o seu coração ia rebentar de alegria.

Todos os adultos sorriam e tinham os olhos brilhantes como se tivessem lágrimas prestes a saltar.

As 2 famílias de Madalena voltaram a sentar-se à mesma mesa para celebrar o Natal e empenharam-se em viver aqueles momentos com serenidade e harmonia.
Madalena não parava de sorrir. Estava sentada entre a mãe e o pai. Apesar da sua tenra idade, compreendia a cedência que os seus pais tinham sido capazes de fazer para que ela tivesse o Natal que sonhara.

Levantou-se e segredou ao ouvido do tio:
- Sabes, tio Zé, hoje não precisas de te vestir de Pai Natal. Eu já recebi o melhor presente.

Ao longe ouviu-se um latido. Parecia um cachorrinho.》

 

P.S. - Quando vi este post, fiquei com a ideia de te que, no ano passado, tinha escrito um conto de natal. Só que não o encontrava em lado nenhum. Nem na lista da Isabel nem no meu blogue. Achei que tinha pensado em escrever mas que não o tinha chegado a fazer. Qual não foi a minha surpresa quando encontrei o início desta história perdido no meu arquivo. Foi só acabar de escrevê-la. Afinal, esta história continuou a existir num canto escondido da minha cabeça e do meu tablet .