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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Romance(s),

Charneca em flor, 16.05.15

Já, anteriormente, falei de poemas que se tornam canções. Desta vez quero falar de um encontro de 3 artistas que vêm de áreas diferentes mas que uniram os seus vários talentos para dar origem a este(s) Romance(s). A voz de Aldina Duarte, o génio literário de Maria do Rosário Pedreira (escritora e editora) e o talento musical de Pedro Gonçalves (Dead Combo) não poderiam ter resultado melhor. Maria do Rosário Pedreira escreveu  a história de um triângulo amoroso em verso ao longo de 14 fados a que Aldina Duarte deu a sua voz sublime. Ontem à noite, esta história foi a minha companhia durante a viagem de 1 hora que tive de fazer. E que companhia excelente. O ideal é ouvir do primeiro ao último fado mas, por agora, mordam "A maçã de Adão"

 

 

 

Romaria das Festas de Santa Eulália

Charneca em flor, 25.06.14

Aqui há dias assisti a um concerto ao vivo de António Zambujo no qual ele tinha alguns convidados. Um dos convidados era o Miguel Araújo. Uma das músicas que eles tocaram foi esta "Romaria das Festas de Santa Eulália". A letra é do Miguel Araújo e ele revelou que a inspiração desta letra veio de um conto de Miguel Torga, "A Festa", integrante da sua obra "Novos Contos da Montanha". Para mim, que gosto muito de todas as formas de utilização da palavra, acho importante esta ligação entre a literatura e a música. Quantos poemas portugueses só são conhecidos do grande público porque alguém, algum dia, se lembrou de os musicar? Não me lembro de conhecer outra música baseada numa obra literária em prosa. 

Aqui fica a música e a letra. Espero que gostem.

 

 

 

 

Em dia de romaria
Desfila o meu vilarejo
Ainda o galo canta o dia 
Já vai na rua o cortejo

O meu pai já está de saída
Vai juntar-se aquele povo 
Tem velhas contas com a vida
A saldar com vinho novo

Por mais duro o serviço
Que a terra peça da gente
Eu não sei por que feitiço
Temos sempre novo alento

A minha mãe, acompanhada
De promessas por pagar
Vai voltar de alma lavada 
E joelhos a sangrar

A minha irmã quis ir sozinha
Saiu mais cedo de casa
Vai voltar de manhãzinha
Com o coração em brasa

Por mais duro o serviço
Que a terra peça da gente
Eu não sei por que feitiço
Temos sempre novo alento

A noite desce o seu pano
No alto deste valado
O sagrado e o profano
Vão dançando lado a lado

Não sou de grandes folias
Não encontrei alma gémea
Há-de haver mais romarias
Das festas de Santa de Eufémia