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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

Esquerda e Direita Guia Histórico para o Século XXI, Rui Tavares

Charneca em flor, 16.03.21

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Como já referi aqui, no mês passado foi proposto, no desafio Uma Dúzia de Livros, ler um livro fora da nossa zona de conforto. Alguns dos participantes sugeriram este pequeno livro de Rui Tavares que me despertou alguma curiosidade. Como é muito raro ler algo para além de ficção ou biografias, achei que um livro sobre política também saía da minha zona de conforto. E assim foi. O mês de Fevereiro, apesar de ser o mais pequeno, permitiu-me ler 2 livros para o desafio.

Sempre me considerei uma pessoa com consciência política mas, como é óbvio, não sei tudo. Tento manter-me minimamente informada e gosto de ter uma visão abrangente de todos os quadrantes.

Este livro permitiu-me perceber algumas das principais diferenças entre a esquerda e a direita em termos políticos bem como entender o momento histórico a partir do qual se começou a estruturar a sociedade nestes termos.

O autor também explicita porque é que continua a fazer sentido, ou quiçá cada vez mais sentido, falar em esquerda e direita. 

Não quer dizer que Rui Tavares me tenha trazido conhecimento totalmente novo   mas ajudou-me a consolidar algumas ideias.

A única crítica que eu gostaria de fazer é o facto de o texto ser influenciado pela postura política, nunca escamoteada, do autor Rui Tavares. Tendo em conta que o autor é historiador e que se trata de um "guia histórico", preferia uma maior neutralidade.

Falta só fazer uma ressalva ao design da editora Tinta da China. Tenho alguns livros desta editora e acho que as capas são, mesmo, muito bonitas.

"Por isso eu dizia que as tentativas de esvaziar as diferenças entre a esquerda e direita, e de negar a relevância política dessas diferenças, acabam por substituir - de forma interesseira ou não, inconsciente ou não- a democracia pela demagogia. Pois se excluirmos os pontos cardeais, as direcções de trânsito e até os mapas que tentam aproximar-se sempre imperfeitamente da realidade, a única coisa que nos resta dizer às pessoas é 《venham atrás de mim》. E essa é a figura do demagogo. Aquele ou aquela que diz 《vocês não precisam de diferenças de opinião política, venham atrás de mim porque eu sei decifrar os mercados》, ou 《venham atrás de mim porque só eu sei combater a casta》, ou 《venham atrás de mim porque eu trago o fim dos corruptos》.

A conquista civilizacional da modernidade foi precisamente a de não irmos atrás de ninguém. Nem rei, nem patrão, nem sacerdote, nem autoproclamado profeta. Lográmos chegar a um ponto em que podemos ir uns ao lado dos outros, ir por caminhos comuns ou alternativos, caminhar sozinhos até, quando e se o desejarmos."