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Livros de Cabeceira e outras histórias

Todas as formas de cultura são fontes de felicidade!

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Uma Casa na Escuridão, José Luís Peixoto

Charneca em flor, 23.03.21

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José Luís Peixoto é um dos meus escritores contemporâneos preferidos. Tenho, praticamente, todos os seus livros. No entanto, sentia uma mágoa na minha relação com as suas obras. Não tinha conseguido terminar este "Uma Casa na Escuridão". Agora, graças à minha participação  no clube de leitura Uma Dúzia de Livros, voltei a ele e percebi porque é que não o tinha conseguido ler. Este livro não é de leitura fácil. Sei que desisti de ler numa passagem,  particularmente, violenta. Na verdade, acho que me faltava uma certa maturidade como pessoa e como leitora para conseguir levar até ao fim esta tarefa de terminar o livro.

"Uma Casa na Escuridão" foi editado, pela primeira vez, em 2002. No ano anterior, José Luís Peixoto tinha ganhado a 2a edição do Prémio Saramago. Na minha opinião, foi necessária alguma coragem, da parte do escritor e do editor, para publicar este livro. A história é estranha, algumas situações são descritas de forma violenta e crua de tal maneira que tive vontade de fechar os olhos para não ler, como fazemos com os filmes, e tentei não imaginar as cenas criadas por José Luís Peixoto. Não consegui lidar com aquele horror. 

Há livros que valem pelo conteúdo e outros valem pela forma. "Uma Casa na Escuridão" vale, sobretudo, pela forma embora eu tenha conseguido começar a perceber aonde o autor queria chegar. Se calhar, ainda terei que ler o livro mais vezes para conseguir compreender esta obra na sua plenitude. Ou talvez a compreensão esteja fora do meu alcance.

Esta obra vale a pena, sobretudo, pela linguagem. José Luís Peixoto brinca com as palavras e escreve frases  maravilhosas e encantadoras mesmo quando conta uma história tão particular como esta. Seja como fôr, não sei se considere esta obra como uma prosa poética ou uma gigante metáfora de mais de 250 páginas. O que sei é que será difícil esquecer aquilo que li nestas folhas.

"era costume ela vir cá e ficar a sussurrar um bule de chá com a minha mãe"

"O amor é o sangue do sol dentro do sol. A inocência repetida mil vezes na vontade sincera de desejar que o céu compreenda. Levantam-se tempestades frágeis e delicadas na respiração vegetal do amor. Como uma planta a crescer da terra. O amor é a luz do sol a beber a voz doce dessa planta. Algo dentro de qualquer coisa profunda. O amor é o sentido de todas as palavras impossíveis."

"As estrelas espalhadas, as nuvens a passarem como pessoas tristes, o céu da noite sem lua, o céu da noite escuro e sem lua. Eu acreditava que o amor é a inocência sufocada mil vezes na vontade ridícula de desejar que o céu compreenda."

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